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Brasil

Jardins Botânicos

Publicado: Terça, 24 de Janeiro de 2017, 13h02 | Última atualização em Segunda, 25 de Junho de 2018, 13h16

  • Cláudia Beatriz Heynemann
    Pesquisadora do Arquivo Nacional
    Doutora em História Social - UFRJ

    Um jardim botânico, ainda mais que um herbário, “é um lugar de enganosa simplicidade: um espaço que encerra o tranqüilo zumbido da vida e desprende um discreto encanto”. As palavras de Jean-Marc Drouin referem-se a um mistério subjacente ao arranjo do jardim, que está na reunião de plantas de lugares totalmente distintos, mesmo de outros continentes e que jamais teriam entrado em contato, agora relacionadas pelo sistema de classificação em famílias.

    O primeiro jardim botânico formalmente constituído foi o de Pisa, em 1543, seguido pelo de Pádua, em 1545 e de Florença, em 1550. Inicialmente eram sobretudo jardins de plantas medicinais, como o Jardim Real de Plantas Medicinais, fundado em 1635 sob Luís XIII, tendo como único propósito o ensino complementar à faculdade de medicina, ou seja, ensinando a botânica e a química farmacêutica e, mais tarde, a anatomia comparada. Coincide em seu tempo com o movimento que leva à criação do Jardim Botânico de Oxford, em 1621 e do Apothecaries’s Garden em 1673 na Inglaterra. No mundo ibérico, o século dos jardins botânicos é o XVIII, em que se destaca a criação do Real Jardim Botânico de Madri, Espanha, em 1755 e do Jardim Botânico da Ajuda, Portugal, em 1769, projetado por Domenico Vandelli, primeiro jardim botânico de Portugal a ter como objetivo o estudo e coleção de espécies vegetais de modo extensivo, organizadas de acordo com o sistema de classificação de Lineu. A ordem obedecida pelos jardins botânicos do setecentos diferia daqueles ‘jardins da inteligência’ seiscentistas, aproximando-se, em sua origem, aos jardins experimentais, indutivos, voltados para uma dada concepção de empiria, relacionados também às práticas herboristas do Renascimento.

    A experiência do domínio holandês, durante o qual, “um jardim botânico e outro zoológico surgiram dentre os mangues; apareceram Piso e Marcgraf – os primeiros olhos de cientistas a estudarem sistematicamente os indígenas, as árvores, os bichos do Brasil”, foi consagrada na obra de Gilberto Freire e em tantos capítulos da historiografia, além dos homens do setecentos que iriam se ressentir da primazia holandesa. Por outro lado, se o cultivo dos jardins não foi estranho aos jesuítas, foi também na segunda metade do século XVIII e no início do XIX, em compasso com o programa reformista, que os jardins botânicos se constituíram como projetos na colônia. Vocacionados, sobretudo, para atender às demandas metropolitanas de remessas de produtos para os seus congêneres em Portugal, os hortos e jardins botânicos na colônia conheceram poucas ocorrências até o final do século, contrastando com o intenso movimento em torno das ‘produções da história natural’. Ainda assim, em 1772, com a criação da Academia Científica pelo marquês do Lavradio, existiu, por um curto espaço de tempo, um horto botânico no Rio de Janeiro, localizado junto à cerca do Hospital Militar.

    A aclimatação de plantas cumpria muitas expectativas, entre elas, a de uma abundância de gêneros para a Europa. Na colônia americana, perseverava-se nesse procedimento, transladando-as entre capitanias; o Pará ocuparia um lugar de destaque, pelas características locais e as espécies que abrigava, pioneiro na instalação de um jardim botânico na colônia e de onde deveriam vir, com freqüência, inúmeras mudas, árvores e sementes para que fossem disseminadas também em outras colônias portuguesas. No jardim botânico de Belém, desenvolviam-se experiências com árvores variadas. As expectativas incidiam sobre os alimentos, “carne em pó e a geléia para suprirem as tabletas de caldo” mas concentravam-se nos medicamentos, em uma planta análoga à quina e própria para a cura da hidropisia, cujas árvores deveriam ser remetidas, “para se mandarem fazer as convenientes experiências nos hospitais e se avaliar a utilidade de que podem ser à humanidade”.

    No início do século XIX a atenção se volta também para o projeto de criação do jardim botânico da Bahia, localizado em Salvador que, no entanto, não chegaria a se concretizar naquele período, a despeito dos esforços para aquisição do terreno e da indicação do médico Inácio Bittencourt para administrá-lo. Em 1809 a tomada de Caiena ensejou a transferência de plantas do jardim denominado Habitation Royale des Épiceries, conhecido como “La Gabriele”, para o Pará e posteriormente para o Rio de Janeiro. Em 1811, o funcionamento do jardim de plantas de Olinda e sobretudo a criação em 1808 do Real Jardim do Rio de Janeiro como iniciativa da administração joanina no Brasil vêm marcar, no modo mesmo como se constituem, a convivência entre o padrão colonial e a presença da Corte na América.

  • Lista de plantas existentes no Real Jardim de Plantas de Olinda, feita por ordem de Caetano Pinto de Miranda Montenegro governador de Pernambuco.

    Conjunto documental: coleção de memórias e outros documentos sobre vários objetos
    Notação: códice 807, vol. 7
    Datas-limite: 1719-1883
    Título do fundo: Diversos códices SDH
    Código do fundo: NP
    Argumento de pesquisa: Jardim Botânico
    Ementa: lista de plantas existentes no Real Jardim de Plantas de Olinda, feita por ordem de Caetano Pinto de Miranda Montenegro governador de Pernambuco. Observação do Jardim Botânico realizada pelo tenente coronel Alexandre Thomaz de Aquino de Siqueira e pelo padre João Ribeiro Pessoa. A lista das plantas e árvores é nominal, com a contagem separada de acordo com o tamanho. E também especificando as que se localizam em viveiro. São trinta e seis espécies relacionadas.
    Data do documento: 28 de julho de 1816
    Local: Pernambuco
    Folha (s): 188 a 190

    Conjunto documental: Ministério dos Negócios do Brasil. Ministério dos Negócios do Reino. Ministério dos Negócios do Reino e Estrangeiro. Ministério dos Negócios do Império e Estrangeiro Pessoal
    Notação: 6D-55
    Datas-limite: 1812-1881
    Título do fundo: Diversos GIFI
    Código do fundo: OI
    Argumento de pesquisa: Jardim Botânico
    Ementa: ofício estabelecendo que fosse criada na cidade da Bahia uma cadeira pública de agricultura que ensinasse os princípios teóricos e práticos deste ramo das ciências naturais. Fica encarregado da regência desta cadeira Domingos Borges de Barros, que faz parte de direção do Jardim Botânico.
    Data do documento: 25 de junho de 1812
    Local: Rio de Janeiro
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Processo original dos réus da rebelião de Pernambuco
    Notação: códice 7, vol. 08
    Datas-limite: 1817-1818
    Título do fundo: Diversos códices - SDH
    Código do fundo: NP
    Argumento de pesquisa: Jardim Botânico
    Ementa: ofício do Governo Provisório informando sobre o processo de transplantação de plantas exóticas e sua climatização, esperando obter como resultado o aumento e a conservação de tais plantas no Jardim Botânico. Destaca ser necessário que sua administração faça uma lista das plantas encontradas e especificando o estado e as espécies de plantas encontradas.
    Data do documento: 22 de março de 1817
    Local: -
    Folha (s): 110

    Conjunto documental: Correspondência da Corte com o Vice-Reinado
    Notação: códice 67, vol. 26
    Datas-limite: 1800-1801
    Título do fundo: Secretaria do Estado do Brasil
    Código do fundo: 86
    Argumento de pesquisa: Jardim Botânico
    Ementa: carta de d. Rodrigo de Souza Coutinho para o vice rei do Estado do Brasil, d. Fernando José de Portugal. Anuncia a ordem do príncipe regente d. João, de que fosse realizada uma publicação completa da Flora Geral do Brasil, buscando um aumento do Real Jardim Botânico e do saber botânico. Determina "que usando de algum herborista ou jardineiro perito proceda a formar uma coleção de sementes de todas as plantas, que vegetam nessa capitania (Rio de Janeiro) e o envio das sementes com seus respectivos nomes dados no país de origem.
    Data do documento: 12 de novembro de 1801
    Local: Palácio de Mafra
    Folha (s): 194v e 195

    Conjunto documental: Registro dos ofícios expedidos da Real Junta do Comércio
    Notação: códice 162, vol. 1
    Datas-limite: 1812-1834
    Título do fundo: Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação
    Código do fundo: 7X
    Argumento de pesquisa: Jardim Botânico
    Ementa: ofício enviado por Manuel Moreira de Figueiredo da Real Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação ao inspetor e diretor da Casa da Pólvora, o tenente coronel João Gomes da Silveira e Mendonça. A Real Junta envia-lhe sementes e mudas de várias árvores que foram trazidas de Portugal, para que fossem semeadas no "Jardim Botânico da Real Fábrica de Pólvora na Lagoa de Freitas". E que tendo delas mudas e sementes, posteriormente, estas fossem distribuídas para que a sua cultura fosse difundida por todo Estado.
    Data do documento: 14 de abril de 1815
    Local: Rio de Janeiro
    Folha (s): 34 e 34v

    Conjunto documental: Correspondência da Corte com o Vice-Reinado
    Notação: códice 67, vol. 23
    Datas-limite: 1798
    Título do fundo: Secretaria de Estado do Brasil
    Código do fundo: 86
    Argumento de pesquisa: Jardim Botânico
    Ementa: ofício de d. Rodrigo de Sousa Coutinho, ministro da Marinha e dos Negócios Ultramarinos a D. José Luís de Castro, 2º conde de Resende e vice-rei do Brasil comunicando o desejo de S. Majestade de que se construísse, com a menor despesa possível, um jardim botânico na Capitania do Rio de Janeiro, a exemplo do horto da capitania do Pará. O ofício é acompanhado de um catálogo impresso onde constam todas as espécies existentes no horto do Pará e que deveriam ser igualmente cultivadas no futuro jardim botânico do Rio de Janeiro. A recomendação régia é de que se dê atenção especial às árvores cujas madeiras podem ser utilizadas em construções.
    Data do documento: 19 de novembro de 1798
    Local: Palácio de Queluz - Lisboa
    Folha (s): 248, 249 e 249v

    Conjunto documental: Registro dos ofícios expedidos da Real Junta do Comércio
    Notação: códice 47, vol. 1
    Datas-limite: 1811-1816
    Título do fundo: Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação
    Código do fundo: 7X
    Argumento de pesquisa: Jardim Botânico
    Ementa: provisão do príncipe regente d. João VI à Mesa de Inspeção da Bahia, em observância da carta régia de vinte e cinco de julho de mil oitocentos e doze, expedida ao governador da capitania da Bahia, criando a cadeira de professor de agricultura. Nomeia Domingos Borges de Barros para a cadeira, e também, para diretor do Jardim Botânico desta capitania, "que já havia aí mandado também estabelecer".
    Data do documento: 17 de julho de 1812
    Local: Rio de Janeiro
    Folha (s): 29 e 29v

    Conjunto documental: Catálogos cronológicos de avisos, provisões, cartas régias e alvarás que existem na Secretaria de Estado do Reino de Angola
    Notação: códice 543
    Datas-limite: 1600-1882
    Título do fundo: Negócios de Portugal
    Código do fundo: 59
    Argumento de pesquisa: Jardim Botânico
    Ementa: catálogo cronológico de todas as ordens régias, que existem na Secretaria do Estado e Reino de Angola. Ordenado por José da Silva Costa, coronel do Regimento de Milícias da cidade de São Paulo de Assunção de Luanda, e secretário do Estado e Reino de Angola, no ano de 1802. Aviso do dia 2 de Janeiro de 1797, "em que se pedem para o Jardim Botânico sementes de todas as plantas deste Reino, em que se conhecer alguma utilidade médica, ou econômica; e para o Real Museu, todos e quaisquer produtos naturais, ou sejam animais ou minerais, ou da indústria dos negros (Livro 15, fl. 11)".
    Data do documento: 2 de janeiro de 1797
    Local: Angola
    Folha (s): 258

    Conjunto documental: Secretaria de Estado do Ministério do Reino
    Notação: códice 68, vol. 17
    Datas-limite: 1801
    Título do fundo: Negócios de Portugal
    Código do fundo: 59
    Argumento de pesquisa: Jardim Botânico
    Ementa: carta de d. Rodrigo de Souza Coutinho descrevendo como são lucrativas as atividades de cultura de gênero e concedendo autorização para o plantio de linho cânhamo, uma vez que não são reconhecidos empecilhos que provem o contrário. A linhaça foi recebida de Manoel de Souza, Mestre da Nau Princesa da Beira e o beneficiado foi o Horto Botânico do Colégio.
    Data do documento: 29 de março de 1801
    Local: Rio de Janeiro
    Folha (s): 64

    Conjunto documental: Registro da correspondência do Vice-reinado com diversas autoridades
    Notação: códice 70, vol. 22
    Datas-limite: 1801-1808
    Título do fundo: Secretaria de Estado do Brasil
    Argumento de pesquisa: Jardim Botânico
    Ementa: carta de d. Fernando José de Portugal à D. João Manoel de Menezes. Informa que as sementes e plantas que solicitou para o "Horto Botânico dessa Vila" ao seu antecessor, o conde de Rezende, e novamente requereu em ofício de cinco de março, que acompanha a relação das ditas sementes e plantas, serão remetidas "logo que estiverem prontas" e "pelo melhor modo que for possível".
    Data do documento: 18 de junho de 1802
    Local: Rio de Janeiro
    Folha (s): 16

    Conjunto documental: Generalidades - Gabinete do ministro
    Notação: IG1 8
    Datas-limite: 1819-1827
    Título do fundo: Série Guerra
    Código do fundo: DA
    Argumento de pesquisa: Jardim Botânico
    Ementa: carta de José de Brito Inglês, encarregado da inspeção interina dos estabelecimentos reais do Pará, à Thomaz Antônio de Vilanova Portugal, ministro e secretário de Estado. Informa que sairá em comissão do Pará para a capitania do Rio Negro por ordem de Sua Majestade e que assim tem pouco tempo no Pará para cuidar com mais eficiência do viveiro e do jardim de Sua Majestade que estão muito danificados. Fala que o longo período de governo interino e o contágio de bexigas contribuíram para a sua decadência. Compara o viveiro às Quintas Reis em Caiena, dizendo que não o considera botânico, mas sim um estabelecimento rural devido ao seu caráter comercial. E que sendo assim não precisa de conhecimentos nesta "arte e cultura" e sim uma agricultura e administração livres de interesses.
    Data do documento: 28 de junho de 1820
    Local: Quartel do Pará
    Folha (s): último documento do envelope de 1820, 6 páginas

    Conjunto documental: Registro da correspondência do vice-reinado para a corte
    Notação: códice 69, vol. 5
    Datas-limite: 1790-1795
    Título do fundo: Secretaria de Estado do Brasil
    Código do fundo: 86
    Argumento de pesquisa: Jardim Botânico
    Ementa: carta do médico Manoel Joaquim de Souza Ferraz para o conde de Resende, d. José Luiz de Castro. O médico explica sua proposta, composta de três artigos, para a construção de um jardim botânico no Rio de Janeiro, sua função e a necessidade de instituir uma aula de botânica no dito lugar para o ensino da utilidade das plantas medicinais e suas aplicações para o combate de enfermidades. Argumenta que a falta de conhecimento das plantas nacionais e de suas aplicações causam prejuízos à monarquia, já que se tem utilizado ervas velhas, adulteradas e dispendiosas vindas da Europa. Para liderar essa empreitada, o médico se oferece, justificando que tem formação acadêmica e experiência suficiente, além de ter trabalhado com Vandelli e na Academia Real de Ciências de Lisboa.
    Data do documento: dezembro de 1795
    Local: Rio de Janeiro
    Folha (s): 263 a 264v

    Conjunto documental: Registro da correspondência do vice-reinado para a corte
    Notação: códice 69, vol. 5
    Datas-limite: 1790-1795
    Título do fundo: Secretaria de Estado do Brasil
    Código do fundo: 86
    Argumento de pesquisa: Jardim Botânico
    Ementa: carta do conde de Resende, D. José Luiz de Castro ao senhor Luiz Pinto de Souza, propondo o estabelecimento de um jardim botânico no Rio de Janeiro. A proposta tem por objetivo estimular a agricultura e o comércio com o fim de aumentar o patrimônio Real, de modo que corresponda às despesas que a coroa absorve para a conservação e defesa de sues domínios. O conde de Resende conclui que seja necessário enviar profissionais experientes para explorarem os distritos desta capitania para descobrirem e registrarem vegetais e minerais, fato que invalidaria os argumentos utilizados pelos boticários e professores para importarem ervas e raízes estrangeiras. Desse modo, sugere que o médico Manoel Joaquim de Souza Ferraz, correspondente da Academia Real de Ciências de Lisboa e de Montpellier seja aprovado para estabelecer a construção do jardim botânico no Rio de Janeiro.
    Data do documento: 11 de dezembro de 1795
    Local: Rio de Janeiro
    Folha (s): folha 260 a 262

    Conjunto documental: Hospitais
    Notação: IG6 1
    Datas-limite: 1808-1816
    Título do fundo: Série Guerra
    Código do fundo: 9S
    Argumento de pesquisa: Jardim Botânico
    Ementa: carta de d. Rodrigo de Souza Coutinho à d. Fernando José de Portugal solicitando que este escreva à Junta da Fazenda para que não seja feito o arrendamento da chácara do Hospital Real dos Exércitos. Diz que recebeu uma representação do cirurgião mor dos Exércitos, Custódio de Campos e Oliveira, dizendo ser a chácara propriedade do Hospital, e que desde o governo do Marques do Lavradio estabeleceu-se ali uma horta e um Jardim Botânico para uso dos doentes e provimento da botica.
    Data do documento: 2 de abril de 1808
    Local: Rio de Janeiro
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Capitania do Rio de Janeiro
    Notação: caixa 746, pct. 01
    Datas-limite: 1700-1808
    Título do fundo: Vice-Reinado
    Código do fundo: D9
    Argumento de pesquisa: Jardim Botânico
    Ementa: carta de Domingos Vandelli, diretor do Real Jardim Botânico da Ajuda, para a rainha Maria I, em 1797, em Lisboa, pedindo regulamentos econômicos e científicos e buscando uma reforma do Jardim, Museu e Aula com o aumento do ordenado daqueles que tem maiores conhecimentos e trabalho. Segundo Vandelli, "esse Jardim necessita de mais que mil e trezentos espécies, quando os jardins mais inferiores têm três e até quatro mil". Além disso, "teria que haver nele uma coleção de plantas medicinais e econômicas, como (...) tenho proposto". Com a conservação de muitos gêneros e espécies novas de animais, no Museu, "que seria interessante que se fizesse destas exatas descrições, como já dei princípio nos peixes, e que se publicasse tudo o que for desconhecido do naturalista, o que seria um aumento da História Natural, e de glória a este feliz Reinado".
    Data do documento: 1797
    Local: Lisboa
    Folha (s): 160, datilografado para imprensa

    Conjunto documental: Capitania do Pará, Minas Gerais e Colônia do Sacramento
    Notação: caixa 747, pct.1
    Datas-limite: 1764-1815
    Título do fundo: Vice-Reinado
    Código do fundo: D9
    Argumento de pesquisa: Jardim Botânico
    Ementa: carta de d. Rodrigo de Souza Coutinho, para d. Francisco de Souza Coutinho, governador da capitania do Pará, em 31 de Julho de 1799, do Palácio de Queluz. Agradece, em nome da rainha Maria I, ao governador do Pará, as informações (ofício 343) "sobre a árvore, em cuja Casca se supõem virtudes análogas à Quina(...) sendo um grande remédio para a hidropisia". Aguardando o remédio, "para se mandarem fazer as convenientes experiências nos Hospitais, e se avaliar a utilidade, de que podem ser à Humanidade. E, através do ofício 348, acompanhado por um mapa, segundo D. Rodrigo de Souza Coutinho, a rainha ficou ciente do estado do Jardim Botânico no Pará. Ordena que o governador paraense deixe disposto o modo, por que se hão de ir sempre aumentando particularmente as espécies preciosas, quais árvores: a Pão, Caneleira, Pimenteiras, Cravo da Índia, Árvores de Café, árvores de construção, e como desse viveiro se hão de ir distribuindo para as outras capitanias".
    Data do documento: s.d.
    Local: Palácio de Queluz
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Capitania do Pará, Minas Gerais e Colônia do Sacramento
    Notação: caixa 747, pct. 1
    Datas-limite: 1764-1815
    Título do fundo: Vice-Reinado
    Código do fundo: D9
    Argumento de pesquisa: Jardim Botânico
    Ementa: carta de d. Rodrigo de Souza Coutinho para o governador do Pará, d. Francisco de Souza Coutinho, em 13 de Abril de 1798, do Palácio de Queluz. Aprova a tentativa do governador do Pará de descobrir a Quina e pede que se "remeta todas as cascas e frutos, em que se conhecerem virtudes medicinais, para se experimentarem no Hospital da Marinha". Lembra também que sua Majestade recomenda "que se mande as sementes de todas as plantas dessa capitania do Pará, com os nomes do País para aqui se cultivarem, e se lhe aplicar o nome botânico. E, também algumas plantas vivas em caixas serão aqui muito interessantes para o Jardim Botânico"(do Pará).
    Data do documento: 13 de abril de 1798
    Local: Palácio de Queluz
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Capitania do Pará, Minas Gerais e Colônia do Sacramento
    Notação: caixa 747, pct. 1
    Datas-limite: 1764-1815
    Título do fundo: Vice-Reinado
    Código do fundo: D9
    Argumento de pesquisa: Jardim Botânico
    Ementa: carta de d. Rodrigo de Souza Coutinho para o governador do Pará, d. Francisco de Souza Coutinho, em 31 de Julho de 1798, do Palácio de Queluz. Segundo d. Rodrigo de Souza Coutinho, a rainha Maria I "viu com sumo gosto os úteis esforços com que conseguiu transplantar para essa colônia, o cravo da Índia, a Árvore a Pão, e o Caneleiro, assim como os esforços que continuava para conseguir a Pimenta e a Noz-Moscada. Além de louvar o estabelecimento do Jardim Botânico, e de plantações de que a mesma senhora espera os maiores frutos a benefício dos seus povos. Esperando que, o governador do Pará, "faça que esse Jardim( Botânico) sirva de modelo a todos os outros, que se devem estabelecer nas outras capitanias do Brasil, e que lhe dê uma extensão, que do mesmo possam ir para as outras capitanias as plantas exóticas, e indígenas, cultivadas no Pará".
    Data do documento: 31 de julho de 1798
    Local: Palácio de Queluz
    Folha(s): -

    Conjunto documental: Registro de avisos e ofícios da Corte. Livro 1o da Corte.
    Notação: IJJ1 155
    Datas-limite: 1808-1809
    Título do fundo: Série Interior
    Código do fundo: A6
    Argumento de pesquisa: Jardim Botânico
    Ementa: carta de d. Fernando José de Portugal para d. Rodrigo de Souza Coutinho sobre a representação anterior do cirurgião-mor dos exércitos frei Custódio de Campos e Oliveira, que mandou realizar a obra para a construção de um jardim botânico e uma sala de anatomia na chácara que os extintos jesuítas usavam para horta.
    Data do documento: 5 de maio de 1808
    Local: Rio de Janeiro
    Folha(s): 36 e 36v

    Conjunto documental: Ministério do Reino. Pernambuco. Correspondência do presidente da Província
    Notação: IJJ9 241
    Datas-limite: 1785-1820
    Título do fundo: Série Interior
    Código do fundo: AA
    Argumento de pesquisa: Jardim Botânico
    Ementa: carta do secretário José Carlos Marins da Silva Ferrão para o senhor Caetano Pinto de Miranda Montenegro, do Conselho Real e governador e capitão general da capitania de Pernambuco. Remete quatro caixas com dezesseis mil matrizes de girofle (cravo da Índia) para o Jardim Real dessa capitania (de Pernambuco). Além, "da explicação do modo com que devem ser tiradas das capitanias plantadas".
    Data do documento: 21 de novembro de 1814
    Local: Caiena
    Folha(s): 15

    Conjunto documental: Correspondência do vice-reinado para a Corte - Original
    Notação: códice 68, vol. 18
    Datas-limite: 1801-1803
    Título do fundo: Negócios de Portugal
    Código do fundo: 59
    Argumento de pesquisa: Jardim Botânico
    Ementa: ofício de d. Fernando José de Portugal para o visconde de Anadia mencionando o envio de diversas espécies de aves indígenas da capitania do Rio de Janeiro e também de sementes oriundas de diversas partes do Brasil para a Real Quinta de Belém, conforme os pedidos feitos em ofícios datados de 19 de novembro e 3 de dezembro de 1800.
    Data do documento: 11 de novembro de 1801
    Local: Rio de Janeiro
    Folha (s): 9

  • Jardim botânico no Rio de Janeiro

    Carta do Príncipe Regente d. João ao vice-rei e capitão-general de mar e terra do Estado d. Fernando José de Portugal, determinando o aperfeiçoamento e ampliação de algumas culturas na capitania do Rio de Janeiro, tais como pimenta, canela, árvores de pão, entre outras especiarias. Neste documento, d. João deixa claro que muito poderia contribuir a criação “de um econômico jardim botânico”, seguindo o modelo do horto do Pará, acrescentando que o mesmo deveria ser feito seguindo os princípios das experiências inglesas e francesas nas Antilhas. 

    Conjunto documental: Correspondência da Corte com o vice reinado.
    Notação: códice 67, vol. 26
    Datas-limite: 1800-1801
    Título do fundo ou coleção: Secretaria de Estado do Brasil
    Código do fundo: 86
    Argumento de pesquisa: História Natural
    Data do documento: 8 de julho de 1800
    Local: Palácio de Queluz (Lisboa)
    Folhas: 1v a 16 

    "Dom Fernando Jozé de Portugal1 vice rei e capitão general de Mar e Terra do Estado do Brasil, amigo. Eu o príncipe regente2 vos envio muito saudar. Havendo tomado na minha real consideração os bons serviços, e distinto préstimo, com que tende procurado desempenhar sempre os importantes deveres de governador3 e capitão general4 da capitania da Bahia5 ... houve por bem nomear-vos vice rei6 ....
    Com a mesma atividade, e inteligência procurareis aperfeiçoar e ampliar as culturas já existentes nesta capitania do Rio de Janeiro, e animar as novas que tenho mandado recomendar ao vosso predecessor, quais a da pimenta7, canela8, árvore de pão9, cravo da Índia10, e das outras especiarias11, a do linho cânhamo12, e o cacto da Coxonilha13 sic, para cujo efeito muito pode contribuir a erecção de um econômico jardim botânico14, já principiado pelo dito vosso predecessor a imitação do que mandei estabelecer na capitania do Pará15, podendo no mesmo jardim botânico praticarem-se primeiro em pequeno as culturas daquelas plantas, que hajam depois de estender-se a toda a capitania. Entre estas culturas, devem merecer-vos muito particular atenção as que dizem respeito à subsistência do homem, como por exemplo a mandioca16, preciosa planta, e que cada dia o será mais, logo que se cultive debaixo de princípios e com inteligência, como os ingleses e os franceses praticam nas Antilhas17, e como também agora se observa no Pará, desterrando-se o prejuízo de que esta planta só pode cultivar-se em capoeiras18, e depois de cruéis derrubadas de árvores preciosas, à que se dá sic fogo....
    Escrita no Palácio de Queluz19 em oito de Julho de mil oitocentos // Príncipe // Para Dom Fernando Jozé de Portugal.”

    1 Primeiro conde e segundo marquês de Aguiar, d. Fernando José de Portugal e Castro (1752-1817) foi  governador e capitão-general da Bahia durante quatorze anos. Entre 1804 e 1806, exerceu o cargo de Vice-rei do Brasil, ao final do qual retornou a Portugal, regressando ao Brasil em 1808 junto com a corte portuguesa. Entre as funções que exerceu destacam-se: a presidência do Conselho Ultramarino, o cargo de conselheiro de Estado e ministro do reino, presidente do erário real, membro do conselho da Fazenda e da Junta do comércio e provedor das obras da casa real.
    2 Trata-se de d. João VI (1767-1826), Rei de Portugal, Brasil e Algarves.  Filho de d. Maria I e d. Pedro III, assumiu a regência do Reino em 1792, no impedimento da mãe que foi considerada louca.  Foi sob o governo do então Príncipe Regente d. João, que Portugal enfrentou sérios problemas com a França de Napoleão Bonaparte, sendo invadido pelos exércitos franceses em 1807.  Como decorrência da invasão francesa em Portugal, a família real e corte lisboeta partiram para o Brasil em novembro daquele ano, aportando em salvado em janeiro de 1808. Dentre as medidas tomadas por d. João em relação ao Brasil estão:  a abertura dos portos às nações amigas; liberação para criação de manufaturas; criação do Banco do Brasil; fundação da biblioteca pública nacional; criação de escolas e academias, e uma série de outros estabelecimentos dedicados ao ensino e à pesquisa, representando um  importante fomento para o cenário cultural e social brasileiro. Em 1821, o então d. João VI, retornou com a corte para Portugal, deixando seu filho d. Pedro  como regente. Deu-se, ainda, sob o seu governo o reconhecimento da independência do Brasil no ano de 1825.
    3 Pessoa responsável pela administração de uma praça, província ou capitanias.
    4 Era responsável pelo governo de uma região na época das conquistas, e tinha um cargo inferior ao do vice-rei.
    5 Província situada na região Nordeste do Brasil, onde fundeou a frota de Pedro Álvares Cabral em 1500 (Porto Seguro). Sua capital, Salvador, foi fundada por Tomé de Souza, primeiro governador-geral do Brasil. Foi sede do governo-geral da colônia até 1763, quando da transferência da sede do governo para o Rio de Janeiro por questões econômicas e estratégicas. O Governo-geral foi criado em 1548 com a finalidade de "dar favor e ajuda" aos donatários e centralizar administrativamente a organização da Colônia. A partir de 1720 os governadores receberam o título de vice-rei, persistindo o cargo até a vinda da família real para o Brasil em 1808. 
    6 Governador de um reino (ou grande província) dependente de outro reino.
    7 Produto “raro e caro” no mercado, a pimenta era líder do comércio oriental das especiarias, devido às condições alimentares da época. São várias as espécies de pimentas existentes, tais como a malagueta, a pimenta-de-cheiro, dedo-de-moça, cambuci e a cumari. A pimenta de caiena é de uma espécie muito picante, derivada das malaguetas secas de um pimento vermelho. As pimentas, usadas com moderação, possuem funções medicinais tais como ativar a digestão e o metabolismo, e servem sobretudo para realçar e dar sabor aos alimentos. De um modo geral, as pimentas têm boas doses de vitaminas A, B e C, cálcio, fósforo e ferro.
    8 No período colonial, o plantio foi por muito tempo proibido no Brasil, para não concorrer com o Oriente. Utilizada em paus ou moída é proveniente da casca de uma planta natural do Ceilão. De gosto adocicado, a canela era empregada na culinária, fazendo parte, ainda hoje, da cozinha lusa  no preparo de doces e mingaus. Possui também propriedades medicinais. Algumas espécies brasileiras fornecem madeira de lei.
    9 Trata-se da castanheira, árvore de grande porte, produtora de frutas comestíveis (castanhas) e preciosas madeiras. Era utilizado na alimentação dos homens e dos animais, atuando como o “pão” dos mais desfavorecidos, gerando a expectativa, desempenhasse um  papel similar  ao da batata.
    10 Produto oriental utilizado amplamente pelos chineses e indicado como condimento, remédio, adorno culinário, perfumes especiais e incensos aromáticos. No século XVI, os portugueses dominaram o comércio do cravo-da-índia, aumentando seu valor no mercado internacional. Apenas no século XIX, a França venceu definitivamente este monopólio, pois a planta já era cultivada em grande escala em muitas regiões tropicais. No Brasil, o cravo-da-índia é cultivado em regiões quentes. 
    11 A palavra ESPECIARIAS é proveniente do termo latim ‘especia’ = substância. Tem o sentido de substâncias raras e caras, usadas em pequenas quantidades, para fins de perfumaria (cosmética), remédio (drogas que curam doenças), e condimento (temperos usados principalmente na técnica de conservação dos alimentos, para disfarçar e/ou suavizar os sabores). Eram, em sua maioria importadas do Oriente e foram um dos fatores importantes no surto e na evolução dos Descobrimentos. A noz-moscada; o gengibre; a canela; o cravo-da-índia; a pimenta (líder absoluta da preferência das importações); e, por algum tempo, o açúcar são alguns exemplos de especiarias apreciadas pelos europeus na Idade Moderna. O açúcar deixa de ser considerado uma especiaria com o início de seu consumo em massa, a partir da monocultura açucareira fomentada pelos portugueses.  Data desta época a expressão “caro como pimenta”.
    12 De origem asiática, é uma erva alta da família das moráceas. Foi amplamente cultivada em diversas partes do mundo  e seu caule possui fibras industrialmente importantes como cânhamo.
    13 Inseto da família dos coccídeos, a cochonilha vive numa planta chamada nopal, típica da região do atual México.  O nopal era cultivado para a criação do inseto, cuja intenção era a obtenção de uma substância corante vermelha produzida pelas fêmeas.  Esse corante natural, também chamado cochonilha, é utilizado ainda hoje.
    14 Em 1796, foi criado o primeiro jardim botânico na colônia, instalado em Belém na capitania do Pará, seu nome era horto público de São José.  Criado para servir de modelo “a todos os outros que  viessem a se constituir na América Portuguesa”, o jardim botânico destinava-se ao cultivo e adaptação de árvores exóticas e plantas medicinais indígenas, obedecendo à perspectiva utilitarista da Ilustração luso-brasileira que visava à exploração das potencialidades da colônia. A partir da vinda da corte para o Brasil (1808), houve um incentivo a criação deste tipo de estabelecimento, entre os quais pode-se citar o Horto Real, no Rio de Janeiro, em 1810 e o real jardim de plantas de Olinda. 
    15 Província do Brasil situada entre as atuais regiões do Amazonas e de Roraima. Sua fundação reporta-se a instalação do Forte do Presépio (1616), fruto da preocupação da coroa portuguesa em evitar a penetração  de corsários, sobretudo franceses, em seus domínios pelo rio Amazonas. Esse forte deu origem a cidade de Belém, capital do atual Estado do Pará. Foi através dessa província que, na década de 1720, foi introduzido o café no Brasil. 
    16 Raiz tropical, também conhecida como aipim, ficou conhecida pelos portugueses no Brasil, e foi levada para a África e demais domínios portugueses. A mandioca era uma das mais importantes culturas dos povoadores da costa do Brasil e de seus escravos.
    17 Arquipélago que separa o oceano Atlântico do mar das Antilhas, formado ao Norte pelas Grandes Antilhas (Cuba, Haiti, Jamaica, Porto Rico) e a Leste e Sul pelas pequenas Antilhas.  Estão também subdivididas em ilhas de barlavento (Guadalupe, Martinica, Barbados, República Dominicana, Haiti, Trinidad e Tabajo, além dos territórios insulares da comunidade britânica) e em ilhas de sotavento (em parte neerlandesas: Curaçau). Foram colonizadas por espanhóis, franceses e ingleses.
    18 Palavra de origem indígena, designa um tipo de costume de preparo do terreno para o cultivo de plantas onde o mesmo era roçado e/ou queimado. Designa também a vegetação que cresce nessas regiões. 
    19 Região de Lisboa que abrigou o antigo castelo real, construído no século XVIII.

     

    Sugestões de uso em sala de aula:
    Utilização(ões) possível(is):
    - No eixo temático do ensino fundamental do 3º Ciclo “História das relações sociais da cultura e do trabalho”
    - Ao trabalhar o tema transversal “Meio ambiente” 

     Ao tratar dos seguintes conteúdos:
    - A sociedade colonial: culturas naturais
    - Economia colonial
    - Brasil colonial: riquezas naturais
    - Negócios ultramarinos

    Amostras da flora do Rio de Janeiro

    Carta de d. Rodrigo de Souza Coutinho para o vice-rei e capitão general de mar e terra do Estado do Brasil, d. Fernando José de Portugal, anunciando a intenção do príncipe regente d. João de uma publicação completa da Flora Geral do Brasil e de todos os seus vastos domínios. Dessa forma,  pretendia –se contribuir promover a botânica, considerada uma importante área do conhecimento dada suas aplicações medicinais, e contribuir para a ampliação do Real Jardim Botânico da Ajuda.

    Conjunto documental: Correspondência da Corte com o Vice-Reinado
    Notação: Códice 67, volume 26
    Datas-limite: 1800-1801
    Título do fundo ou coleção: Secretaria do Estado do Brasil
    Código do fundo: 86
    Argumento de pesquisa: Jardim Botânico
    Data do documento: 12 de novembro de 1801
    Local: Palácio de Mafra
    Folha(s): 194v e 195
    Leia esse documento na íntegra

    "O Príncipe Regente1 Nosso Senhor havendo tomado na sua Real Consideração a importância do aumento do Real Jardim Botânico cuja inspeção tem confiado ao Presidente do Real Erário2, ministro e secretário de Estado dos Negócios da Fazenda, e querendo tão bem para adiantamento da Botânica, que se publique uma Flora completa, e geral do Brasil, e de todos os vastos domínios de S.A.R. ... para estes fins ordena a V.Sª que usando de alguns herborista ou jardineiro perito proceda a formar uma coleção de sementes de todas as plantas que vegetam nessa Capitania, as quais V. Sª irá remetendo por todas as vias que se lhe oferecerem sucessivamente conservadas em papel dentro de areia, advertindo que cada papel deve trazer o respectivo nome que às plantas se dá no país, exceto quando ele não constar, e nesta generalidade hão de ser compreendidas não só as sementes das plantas que se extraírem das terras cultivadas, mas também as dos bosques, e das partes totalmente incultas; o que participo a V. Sª  para assim o executar, dando mensal, e anualmente conta do resultado desta diligência. Estas sementes de plantas secas deverão ser dirigidas ao Diretor do Jardim Botânico da Ajuda3 com o seu catálogo, e uma duplicata do catálogo será dirigida sempre pelo Presidente do Real Erário, para ser presente a S.A.R. Deus guarde a V. Sª. Mafra em 12 de novembro de 1801.//D. Rodrigo de Souza Coutinho4// Snr. Vice-Rei e Capitão General de Mar e Terra do Estado do Brasil5.”

    1 Trata-se de d. João VI (1767-1826), segundo filho de d. Maria I e d. Pedro III, que se tornou herdeiro da Coroa com a morte do primogênito d. José em 1788.   Assumiu a regência do Reino em 1792, no impedimento da mãe que foi considerada louca.  Foi sob o governo do então príncipe regente d. João, que Portugal enfrentou sérios problemas com a França de Napoleão Bonaparte, sendo invadido pelos exércitos franceses em 1807.  Como decorrência da invasão francesa em Portugal, a família real e corte lisboeta partiram para o Brasil em novembro daquele ano, aportando em Salvador em janeiro de 1808. Dentre as medidas tomadas por d. João em relação ao Brasil estão:  a abertura dos portos às nações amigas; liberação para criação de manufaturas; criação do Banco do Brasil; fundação da real biblioteca; criação de escolas e academias, e uma série de outros estabelecimentos dedicados ao ensino e à pesquisa, representando um  importante fomento para o cenário cultural e social brasileiro. Em 1816,  com a morte de d. Maria I, tornou-se d. João VI, rei de Portugal, Brasil e Algarves. Em 1821, retornou com a corte para Portugal, deixando seu filho d. Pedro  como regente. Deu-se, ainda, sob o seu governo, o reconhecimento da independência do Brasil no ano de 1825.
    2 Órgão da administração pública responsável pela administração e fiscalização de tributos de propriedade do soberano.
    3 Considerado o primeiro jardim botânico de Portugal, o Jardim Botânico da Ajuda foi fundado em 1768. Projetado pelo naturalista italiano Domingos Vandelli, a pedido do rei d. José, este espaço destinava-se à educação dos príncipes portugueses. Esta instituição propunha-se a estudar e  a colecionar plantas provenientes de outros continentes, como a América, a Ásia e a África, muito embora Lisboa também abrigasse diversos hortos com coleções vegetais dessas regiões. Para se ter uma idéia aproximada da sua dimensão e importância, o Jardim Botânico da Ajuda chegou a possuir 5000 espécies de plantas. Dentre as pessoas que atuaram nesta instituição, destacou-se a figura de  Felix Avelar Brotero, o autor de Flora Lusitana.
    4 D. Rodrigo Domingos de Souza Coutinho Teixeira de Andrade Barbosa, 1º conde de Linhares (1755-1812), era afilhado do marquês de Pombal. Estadista português que exerceu diversos cargos políticos até a sua vinda para o Brasil em 1808 (junto com a corte real), quando foi nomeado ministro da Guerra e dos Negócios Estrangeiros. Considerado “um homem das Luzes”, dentre os seus projetos figurou a idéia de construção de um império luso-brasileiro.  Sob o seu governo, o Brasil adquiriu novos contornos com a anexação da Guiana Francesa (1809) e da Banda Oriental do Uruguai (1811).  Preocupado com o desenvolvimento econômico e cultural, bem como com a defesa do território, foi responsável pelo Tratado de Aliança e Comércio com a Inglaterra (1810) e a criação da Real Academia Militar (1810). Sobre sua extensa titulação, destacou-se como: 1º senhor de Paialvo (1789); inspetor geral do Gabinete de História Natural e do Jardim Botânico da Ajuda; inspetor da biblioteca pública de Lisboa; inspetor da junta econômica, administrativa e literária da Impressão régia, da junta dos provimentos de boca do exército; conselheiro de Estado; Grã-Cruz das Ordens de Avis e da Torre-e-espada; ministro da corte de Turim; presidente Real Erário e secretário de Estado da Marinha.
    5 Primeiro conde e segundo marquês de Aguiar, d. Fernando José de Portugal e Castro (1752-1817) foi  governador e capitão-general da Bahia durante quatorze anos. Entre 1801e 1806, exerceu o cargo de vice-rei do Brasil, ao final do qual retornou a Portugal, regressando ao Brasil junto com a corte portuguesa em 1808. Entre as funções que exerceu destacam-se: a presidência do Conselho Ultramarino, o cargo de conselheiro de Estado e ministro do reino, presidente do Erário Real, membro do Conselho da Fazenda e da Junta do Comércio e provedor das obras da Casa Real.

     

    Sugestões de uso em sala de aula:
    Utilização(ões) possível(is):
    - No eixo temático sobre a “História das Relações Sociais da Cultura e do Trabalho”
    - No sub-tema “as relações sociais, a natureza e a terra”
    - Ao trabalhar o tema transversal “Meio Ambiente”  

    Ao tratar dos seguintes conteúdos:
    - Brasil colonial: riquezas naturais
    - A economia colonial
    - A sociedade colonial: culturas naturais
    - Viagens científicas

    Benefícios do Horto do Pará

    Carta de d. Rodrigo de Souza Coutinho para d. Francisco de Souza Coutinho, governador da capitania do Pará. Entre os diversos assuntos abordados, explicita a necessidade da manutenção dos investimentos científicos no Horto do Pará. O documento expressa a importância das espécies vegetais tropicais, consideradas “preciosas” para as ciências, em particular  para a medicina.


    Conjunto documental: Capitania do Pará, Minas Gerais e Colônia do Sacramento
    Notação: Caixa 747, pct.1
    Datas-limite: 1764-1815
    Título do fundo ou coleção: Vice-Reinado
    Código do fundo: D9
    Argumento de pesquisa: Jardim Botânico
    Data do documento: 31 de julho de 1799
    Local: Palácio de Queluz (Lisboa)
    Folha(s): -
     
    “Para Dom Francisco de Souza Coutinho1
    Tendo levado à Real Presença do Príncipe Regente2 Nosso Senhor as cartas, que V. Sª me dirigiu ultimamente ... e principiando a comunicar a V. Sª as Reais Ordens, que tenho recebido a respeitos dos diferentes objetos de que elas tratam, se me oferece dizer-lhe, que foram muito agradáveis a S. A. Real todas as informações que V. Sª dá no ofício nº 343, seja sobre a árvore, em cuja casca se supõe virtudes análogas à Quina3, seja sobre a árvore, cuja casca, madeira e folhas oferecem um grande remédio para a hidropisia4, seja sobre a carne em pó e a geleia, para suprirem tabletas de caldo; e o mesmo Augusto Senhor, fica esperando pelas remessas  das árvores, que têm a virtude da Quina e o remédio contra a hidropisia, para se mandarem fazer as convenientes experiências nos hospitais, e se avaliar a utilidade de que podem ser a humanidade .... Pelo ofício nº 348 e mapa que o acompanha, fica S. A. Real ciente do estado do Jardim Botânico nessa Cidade5; e o mesmo Augusto Senhor manda louvar muito V. S° pelos esforços, com que tem criado e aumentado o mesmo Jardim, de que para o futuro se hão de seguir os melhores efeitos, os quais ainda que ao princípio sejam vagarosos, com o tempo e com o efeito lento mas necessário da razão, hão de fazer-se úteis e palpáveis; e para este fim ordena S. A. Real, que V. Sª deixe disposto o modo, por que se hão de ir sempre aumentando particularmente as espécies preciosas, quais árvore a Pão6, Caneleiras7, pimenteiras8, cravo-da-índia9, árvores de café10, árvores de construção; e como desse viveiro se hão de ir distribuindo para as outras Capitanias, V. Sª de oferecê-las aos seus respectivos governadores, logo que as tenha em maior abundância .... Deus guarde a V. Sª. Palácio de Queluz11 em 31 de julho de 1799// D. Rodrigo de Souza Coutinho12.”

     
    1 Governador da província do Grão- Pará, entre 1790 e 1803, era irmão de d. Rodrigo de Souza Coutinho.
    2 Trata-se de d. João VI (1767-1826), segundo filho de d. Maria I e d. Pedro III, que se tornou herdeiro da Coroa com a morte do primogênito d. José em 1788.  Assumiu a regência do Reino em 1792, no impedimento da mãe que foi considerada louca.  Foi sob o governo do então príncipe regente d. João, que Portugal enfrentou sérios problemas com a França de Napoleão Bonaparte, sendo invadido pelos exércitos franceses em 1807.  Como decorrência da invasão francesa em Portugal, a família real e corte lisboeta partiram para o Brasil em novembro daquele ano, aportando em Salvador em janeiro de 1808. Dentre as medidas tomadas por d. João em relação ao Brasil estão:  a abertura dos portos às nações amigas; liberação para criação de manufaturas; criação do Banco do Brasil; fundação da real biblioteca; criação de escolas e academias, e uma série de outros estabelecimentos dedicados ao ensino e à pesquisa, representando um  importante fomento para o cenário cultural e social brasileiro. Em 1816,  com a morte de d. Maria I, tornou-se d. João VI, rei de Portugal, Brasil e Algarves. Em 1821, retornou com a corte para Portugal, deixando seu filho d. Pedro  como regente. Deu-se, ainda, sob o seu governo, o reconhecimento da independência do Brasil no ano de 1825.
    3 Designação ordinária para várias plantas nativas cuja casca amarga pode ser utilizada no tratamento de febres e malária.
    4 Acumulação de soro sangüíneo em alguma cavidade do corpo ou no tecido celular. É algo semelhante a um edema.
    5 Em 1796, foi criado o primeiro jardim botânico do Brasil, instalado em Belém na capitania do Pará, batizado de Horto Público de São José.  Criado para servir de modelo “a todos os outros que  viessem a se constituir na América Portuguesa”, o jardim botânico destinava-se ao cultivo e adaptação de árvores exóticas e plantas medicinais indígenas, obedecendo à perspectiva utilitarista da Ilustração luso-brasileira que visava à exploração das potencialidades da colônia. A partir da vinda da corte para o Brasil (1808), houve um incentivo a criação deste tipo de estabelecimento, entre os quais se pode citar o Horto Real (1808), no Rio de Janeiro, e o Real Jardim de Plantas de Olinda.
    6 Trata-se da castanheira, árvore de grande porte, produtora de frutas comestíveis (castanhas) e preciosas madeiras. Era utilizado na alimentação dos homens e dos animais, atuando como o “pão” dos mais desfavorecidos, desempenhando um  papel similar  ao da batata.
    7 No período colonial, o plantio da canela foi por muito tempo proibido no Brasil, para não concorrer com o Oriente. Utilizada em paus ou moída é proveniente da casca de uma planta natural do Ceilão. De gosto adocicado, a canela era empregada na culinária, fazendo parte, ainda hoje, da cozinha lusa  no preparo de doces e mingaus. Possui também propriedades medicinais. Algumas espécies brasileiras fornecem madeira de lei.
    8 Produto “raro e caro” no mercado, a pimenta era líder do comércio oriental das especiarias, devido às condições alimentares da época. São várias as espécies de pimentas existentes, tais como a malagueta, a pimenta-de-cheiro, dedo-de-moça, cambuci e a cumari. A pimenta de caiena é de uma espécie muito picante, derivada das malaguetas secas de um pimento vermelho. Usadas com moderação, as pimentas possuem funções medicinais tais como ativar a digestão e o metabolismo, e servem sobretudo para realçar e dar sabor aos alimentos. De um modo geral, as pimentas têm boas doses de vitaminas A, B e C, cálcio, fósforo e ferro.
    9 Produto oriental utilizado amplamente pelos chineses e indicado como condimento, remédio, adorno culinário, perfumes especiais e incensos aromáticos. No século XVI, os portugueses dominaram o comércio do cravo-da-índia, aumentando seu valor no mercado internacional. Apenas no século XIX, a França venceu definitivamente este monopólio, pois a planta já era cultivada em grande escala em muitas regiões tropicais. No Brasil, o cravo-da-índia é cultivado em regiões quentes.
    10 Planta da família das rubiáceas, nativa das montanhas etíopes, onde era consumido em pasta. Na Árabia do Sul,  foi introduzido o costume de se torrar os grãos do café e acrescentar água fervente ao pó,  produzindo assim uma bebida quente. Sua importância na economia portuguesa encontra-se pelo gosto ocidental de consumo desta bebida. No Brasil, esta cultura foi introduzida por Francisco de Melo Palheta, após sua expedição à Guiana na década de 1720. Desenvolvido inicialmente com importância secundária, tem seu auge no século XIX, movimentando até setenta por cento do volume de exportações do Império Brasileiro.
    11 Região de Lisboa que abrigou o antigo castelo real, construído no século XVIII.
    12 D. Rodrigo Domingos de Souza Coutinho Teixeira de Andrade Barbosa, 1º conde de Linhares (1755-1812), era afilhado do marquês de Pombal. Estadista português que exerceu diversos cargos políticos até a sua vinda para o Brasil em 1808 (junto com a corte real), quando foi nomeado ministro da Guerra e dos Negócios Estrangeiros. Considerado “um homem das Luzes”, dentre os seus projetos figurou a idéia de construção de um império luso-brasileiro.  Sob o seu governo, o Brasil adquiriu novos contornos com a anexação da Guiana Francesa (1809) e da Banda Oriental do Uruguai (1811).  Preocupado com o desenvolvimento econômico e cultural, bem como com a defesa do território foi responsável pelo Tratado de Aliança e Comércio com a Inglaterra (1810) e a criação da Real Academia Militar (1810). Sobre sua extensa titulação, destacou-se como: 1º senhor de Paialvo (1789); inspetor geral do Gabinete de História Natural e do Jardim Botânico da Ajuda; inspetor da biblioteca pública de Lisboa; inspetor da junta econômica, administrativa e literária da Impressão régia, da junta dos provimentos de boca do exército; conselheiro de Estado; Grã-Cruz das Ordens de Avis e da Torre-e-espada; ministro da corte de Turim; presidente Real Erário e secretário de Estado da Marinha.

    Sugestões de uso em sala de aula:
    Utilização(ões) possível(is):
    - No eixo temático sobre a “História das relações sociais da cultura e do trabalho”
    - No sub-tema “as relações sociais, a natureza e a terra”
    - Ao trabalhar o tema transversal “Meio ambiente” 

    Ao tratar dos seguintes conteúdos:
    - Brasil colonial: riquezas naturais
    - A economia colonial 
    - A sociedade colonial: culturas naturais
    - Viagens científicas

    Ervas nacionais

    Carta do conde de Resende, d. José Luiz de Castro a Luiz Pinto de Souza, onde propõe o estabelecimento de um Jardim Botânico no Rio de Janeiro. A proposta tem por objetivo estimular a agricultura e o comércio com o fim de aumentar o patrimônio Real, de modo que corresponda às despesas que a coroa absorve para a conservação e defesa de seus domínios. Consta ainda a indicação feita pelo conde de Resende para que o médico Manoel Joaquim de Souza Ferraz, correspondente da Academia Real de Ciências de Lisboa e de Montpellier, seja aprovado para estabelecer a construção desse Jardim Botânico, uma vez que era necessário o envio de profissionais experientes para explorar as riquezas naturais desta capitania. A argumentação expressa no documento representa uma valorização do estabelecimento desse gênero de instituições científicas na colônia.


    Conjunto documental: Registro da correspondência do vice reinado para a Corte.

    Notação: Códice 69, vol. 5
    Datas-limite: 1790-1795
    Título do fundo ou coleção: Secretaria de Estado do Brasil
    Código do fundo: 86
    Argumento de pesquisa: Jardim botânico
    Data do documento: 11 de dezembro de 1795
    Local: Rio de Janeiro
    Folhas: 260 a 262

    “Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor. Procurando eu por todos os meios possíveis e proporcionados as forças deste Governo sujeitas a minha disposição promover os diferentes ramos de Agricultura e Comércio assim para despertar e animar a frouxidão destes povos lisonjeando a sua ambição com a esperança dos avultados lucros do seu trabalho, que ao mesmo tempo os preserva da corrupção dos costumes que é conseqüência infalível das ociosidades; como principalmente para fomentar o aumento do Patrimônio Real, afim de se tirarem deste rico e vastíssimo continente interesses correspondentes às prodigiosas despesas que S. Magestade1 é obrigada a fazer para a conservação e defesa destes seus Domínios; tenho há muito tempo conhecido a grande vantagem que devera resultar do descobrimento, cultura e comércio dos infinitos óleos, bálsamos, gomas e vegetais de que abunda este país, como é notório pela notícia dos habitantes, e uso que fazem as pessoas curiosas e experimentadas no curativo de todo o gênero de moléstias já nos sertões e nos diferentes Distritos desta cidade2, e já nos lugares em que se acham alguns professores; e pela narração dos naturalistas3 e viajantes4 que descrevem grande parte daquelas drogas e vegetais, e juntamente as suas virtudes e propriedades. Do que se pode coligir com toda a probalidade que não só estas Províncias e todo esse Reino, receberam em considerável proveito da cultura de coisas tão estimáveis e esquisitas na parte que diz respeito aos ganhos provenientes do seu comércio; mas também todos estes povos conseguiram um real e inexplicável benefício do perfeito conhecimento e uso dos mesmos vegetais nas muitas e várias enfermidades assim epidêmicas, como endêmicas que cada vez mais se multiplicam, talvez por se desprezarem as ervas e raízes próprias do país, frescas e cheias de suco para se substituírem outras alienígenas que por velhas e faltas de substância não acreditam a quem as aplica nem aproveitam aos enfermos ou talvez por fazerem misteriosa a sua Arte não tanto os professores de medicina e cirurgia, como principalmente os boticários5 que terão grandes avanços da importação das drogas pouco vulgares apesar do prejuízo dos povos, e do conhecimento que eles têm da virtude de algumas ervas que desprezam, atribuindo melhor efeito as que mandam vir de fora a fim de não se diminuírem os seus interesses.
    Negando porém a mesma atenção a esses respeitos e prejuízos, tenho aplicado todo o esforço preciso para que em uma horta chamada do Colégio, que é de S.M. e está contigua ao Hospital Militar6 se cuide na plantação de muitas ervas para uso da Botica do mesmo hospital, as quais tem-se descoberto serem conhecidamente profícuas, e ao mesmo tempo concorrerem para a diminuição da  despesa que a Fazenda Real7 é obrigada a fazer na compra de outras ervas, e raízes estrangeiras.
    ... E porque o que se tem descoberto nesta matéria, mais se deve ao acaso, e às tradições ou notícias comunicadas pelos índios, do que as regulares diligências de naturalistas, e homens peritos, que se tenham encarregado de indagação tão útil a humanidade, fica-me lugar de concluir que destinando-se uma ou mais pessoas dotadas de gênio, estudo, e experiência para discorrerem pelos Distritos desta Capitania não só descobrirão maior número de vegetais, e ainda minerais além dos conhecidos, mas também autenticando as singularidades e efeitos daqueles, de que se tem notícia farão desaparecer a razão que alegam os professores e boticários de não usarem desses inventos antes de se manifestar a sua analogia como os outros remédios, que comumente se aplicam.
    Quando premeditava em propor a V. Excelência a execução deste projeto que julgo não ser indiferente pelas razões que tenho exposto, casualmente chegou a esta cidade Manoel Joaquim de Souza Ferrás, Doutor em Medicina e correspondente do Número da Academia Real das Ciências de Lisboa8 e de Montpellier, munido de documentos que atestam da sua habilidade ... O Plano que propõem o sobredito médico, e que eu tenho a honra de enviar a V. Excelência, consta de três artigos todos de fácil execução, e de insignificante despesa em comparação das vantagens que se prometem pois ainda a respeito do Jardim Botânico9 que se deve estabelecer, pode destinar-se para esse ministério a horta acima referida, sem outro despendio que de uma casa para aula de botânica.
    Eu fico também esperançado na aprovação de S. M. por não deixar de anuir as representações de V. Excelência em objeto de tanta ponderação que entro a conceber um particular gosto de ter procurado o estabelecimento de uma Arte e de um Comércio útil a todo o Reino e a estes povos (...) Deus Guarde  a V. Excelência. Rio 11 de dezembro de 1795. Conde de Rezende10. Senhor Luiz Pinto de Souza11.”

    1 Trata-se de d. João VI (1767-1826), segundo filho de d. Maria I e d. Pedro III, que se tornou herdeiro da Coroa com a morte do primogênito d. José em 1788.   Assumiu a regência do Reino em 1792, no impedimento da mãe que foi considerada louca.  Foi sob o governo do então príncipe regente d. João, que Portugal enfrentou sérios problemas com a França de Napoleão Bonaparte, sendo invadido pelos exércitos franceses em 1807.  Como decorrência da invasão francesa em Portugal, a família real e corte lisboeta partiram para o Brasil em novembro daquele ano, aportando em Salvador em janeiro de 1808. Dentre as medidas tomadas por d. João em relação ao Brasil estão:  a abertura dos portos às nações amigas; liberação para criação de manufaturas; criação do Banco do Brasil; fundação da real biblioteca; criação de escolas e academias, e uma série de outros estabelecimentos dedicados ao ensino e à pesquisa, representando um  importante fomento para o cenário cultural e social brasileiro. Em 1816,  com a morte de d. Maria I, tornou-se d. João VI, rei de Portugal, Brasil e Algarves. Em 1821, retornou com a corte para Portugal, deixando seu filho d. Pedro  como regente. Deu-se, ainda, sob o seu governo, o reconhecimento da Independência do Brasil no ano de 1825.
    2 Fundada em 1565, por Estácio de Sá, a cidade do Rio de Janeiro tornou-se sede do governo colonial em 1763,  adquirindo grande importância no cenário sócio-político do Brasil. O comércio marítimo entre o Rio de Janeiro, Lisboa e os portos africanos da Guiné, Angola e Moçambique constituía a principal fonte de lucro das Capitanias. As lavouras tradicionais da região eram o açúcar, o algodão e o tabaco. Com a chegada da Corte, em 1808, a cidade do Rio de Janeiro e regiões próximas sofreram inúmeras transformações, com vários melhoramentos urbanos, tornando-se referência para as demais regiões. Entre as mudanças figuram: a transferências dos órgãos da Administração Pública e da Justiça e a criação de academias, hospitais e quartéis. Importantíssimo negócio foi o tráfico de escravos trazidos, aos milhares, em navios negreiros e vendidos aos fazendeiros e comerciantes. O Rio de Janeiro foi um dos principais portos negreiros e de comércio do país.
    3 Especialista em história natural, o naturalista dedicava-se ao estudo científico dos reinos da natureza e das leis que a regem. 
    4 Homens dedicados ao estudo das ciências que foram encarregados das chamadas “viagens científicas”. A partir da segunda metade do século XVIII, o Estado português promoveu expedições com o intuito de conhecer as riquezas e as potencialidades do território ultramarino, especialmente, da colônia americana. Estas viagens expressavam uma época de preocupação em promover os estudos da ciência da natureza, visando sua aplicação na indústria e na medicina. Por isso, privilegiavam sobretudo áreas como a botânica, a zoologia e a geografia. Estas expedições contribuíram para o estudo da história natural através do envio de amostras de espécies da flora e fauna típicas das regiões estudadas, propiciando a formação de importantes coleções em estabelecimentos científicos e museus. Renderam ainda importantes frutos como uma “literatura de viagens”, fonte de informação sobre o cotidiano da população, sua cultura, hábitos e costumes. A partir de 1808, as viagens científicas no Brasil passaram a ser promovidas também por iniciativa e coordenação de outros países europeus.
    5 Pessoa que se dedicava à manipulação de substâncias, trabalhando nas boticas, que eram os lugares onde se preparavam e vendiam medicamentos, bem como “se aviavam receitas médicas”.  Seria o farmacêutico de manipulação de hoje.
    6 Criado em 1702, o Hospital Militar do Rio de Janeiro destinava-se ao tratamento de militares e, em alguns casos, de indivíduos que a Coroa fosse obrigada a assistir. Até a sua criação, a responsabilidade dos cuidados com os enfermos militares recaía sobre os hospitais da misericórdia, que recebiam para isso um pagamento da Fazenda Real. Ao longo de sua existência, a instituição teve sede em diversos locais. A partir de 1808, houve uma série de mudanças na sua organização, entre as quais se pode citar a nomeação de um boticário e ajudantes para o preparo de remédios na própria instituição, recebendo uma nova regulamentação dois anos depois. Em 1820, o decreto de regulamentação dos hospitais regimentais, ocasionou a descentralização do atendimento exclusivo aos soldados.
    7 Órgão da administração pública real responsável por arrecadar, distribuir e fiscalizar os bens do reino.
    8 Fundada por aviso régio em dezembro de 1779, foi instalada, em 1833, no Convento de Jesus da Ordem Terceira de São Francisco, onde permanece ainda hoje. A Academia de Ciências de Lisboa insere-se em um momento de efervescência das academias e sociedades científicas e literárias, caracterizadas pelo maior apreço às letras e às ciências. Foi uma tentativa de incentivar o progresso científico e cultural de Portugal através da divulgação de conhecimentos que tivessem uma aplicação prática no desenvolvimento econômico do país.
    9 Inicialmente chamado de Jardim de Aclimação, foi fundado no Rio de Janeiro em 1808 por d. João VI, com o intuito de aclimatar as especiarias do Oriente. Ainda no mesmo ano, passou a ser conhecido por Horto Real, abrigando diversas espécies de vegetais. As primeiras mudas foram provenientes das
    ilhas Maurício, do Jardim La Pamplemousse, oferecidas por Luiz de Abreu Vieira e Silva a d. João VI.
    10 José Luis de Castro, 2º conde de Rezende (1744-1819). Foi nomeado vice-rei do Brasil entre 1789 e 1801,tendo sido o último vice-rei do século XVIII, enfrentando a conjuração mineira, assumindo a responsabilidade de cumprir as decisões julgadas nos autos da devassa. Como governante, procurou melhorar as finanças e condições sanitárias do Rio de Janeiro. Em suas primeiras realizações, prolongou o cais do Largo do Paço, completou o aterro do pantanal de Pedro Dias (iniciado pelo Marquês do Lavradio), aterrou o Campo de Santana  transformando-o no maior rossio da cidade, que veio a se  tornar a nova atração para o povo, em ocasiões como a festa do Divino de Santana. Foi responsável também pelo fechamento e a devassa da sociedade literária do Rio de Janeiro acusada de sedição. Passou o governo ao seu sucessor d. Fernando José de Portugal.
    11 Luiz Pinto de Sousa Coutinho, ministro dos Negócios Estrangeiros e da Guerra.


    Sugestões de uso em sala de aula:
    Utilização(ões) possível(is):
    - No eixo temático sobre a “História das relações sociais da cultura e do trabalho”
    - No sub-tema “as relações sociais, a natureza e a terra”
    - Ao trabalhar o tema transversal “Meio ambiente” 

    Ao tratar dos seguintes conteúdos:
    - Brasil colonial: riquezas naturais
    - A economia colonial
    - A sociedade colonial: culturas naturais 
    - Viagens científicas

    Flora medicinal brasileira

    Carta do médico Manoel Joaquim de Souza Ferraz para o conde de Resende, d. José Luiz de Castro. O médico apresenta sua proposta para a construção de um Jardim Botânico no Rio de Janeiro, explicitando a importância desta instituição. Acredita também, que o sítio deveria proporcionar aulas de botânica para o ensino da utilidade das plantas medicinais e suas aplicações para o combate de enfermidades. O documento apresenta a preocupação dos chamados “homens de ciência” em estudar e conhecer as plantas nacionais e  suas aplicações, tendo em vista os prejuízos causados à monarquia pela utilização de ervas vindas da Europa.
     
    Conjunto documental: Registro da correspondência do vice reinado para a Corte.

    Notação: Códice 69, vol. 5
    Datas-limite: 1790-1795
    Título do fundo ou coleção: Secretaria de Estado do Brasil
    Código do fundo: 86
    Argumento de pesquisa: Jardim Botânico
    Data do documento: dezembro de 1795
    Local: s. l.
    Folhas: 263 a 264v
     

    “Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor conde de Rezende1. Sendo o cuidado da saúde pública a primeira Lei do Estado social; e vendo eu que desgraçadamente são inertes e insuficientes os meios que empenha a este fim a arte saudável no fértil e aprazível continente do Brasil, servindo-se de drogas velhas corruptas, e adulteradas, que por grande preço se mandam vir da Europa, podendo-se aliás fazer uso com indizível proveito e vantagem das maravilhosas e mui virtuosas plantas de que a benigna providência enriqueceu esta famosa Província da Índia Ocidental2, como consta pela geral autoridade dos botânicos3 e viajantes4 do Orbe, e pelas curas estupendas que vulgarmente aqui operam os curiosos empíricos e selvagens administrando remédios eficazes tirados dos vegetais indígenas; estando eu persuadido e certificado do que acabo de referir pelas informações que tenho buscado, pelas observações e experiências de que tenho usado e pelas digressões botânicas que tenho feito nos subúrbios desta cidade, faltaria o meu dever como patriota e bom vassalo, e a obrigação do meu ministério, como botânico e médico, se agora não fizesse estas representações a V. Excelência ... observando a causa primária de todos estes inconvenientes a qual é certamente a falta de conhecimento das plantas indígenas ou nacionais, e das suas virtudes, isto é a ignorância da ciência botânica aprovando os meios que vou propor a este respeito.
    Primeiro- Que se estabeleça um Jardim Médico Botânico nesta capital para onde se hajam de transplantar e cultivar as árvores e plantas medicinais do país, encarregando-se os Generais Governos de mandá-las diligenciar por pessoas inteligentes, e remetendo-as ao dito Jardim, cuja edificação e tratamento se propõem fazer com mui tênue despesa.
    Segundo- Que se institua no dito Jardim uma aula de botânica onde sistematicamente se ensine a ciência das plantas, as suas virtudes e modo de as aplicar às diversas enfermidades sendo todos os boticários5 e cirurgiões6 futuros obrigados a freqüentarem assiduamente o dito curso, onde serão primeiramente aprovados pelo Professor para depois serem licenciados, para o exercício das suas profissões.
    Terceiro- Obrigando-se os boticários atuais a substituírem plantas indígenas às européias inertes e corruptas de que abundam as suas oficinas, vigiando sobre isto o professor de botânica autorizado a condená-los, uma vez, que não se conformem a estas determinações ao menos quanto for possível ... Julgando-se sic finalmente S. M. com assaz de zelo para fomentar no Brasil os progressos desta ciência, e reformar as oficinas de farma; e com Luzes suficientes para ocupar melhor que outrém no Brasil esta nova cadeira pelas informações sic que a este respeito ser-me-á fácil obter de ilegível Lente7 de botânica e agricultura na Universidade de Coimbra8 a quem dei provas da minha aplicação no decurso de quatro anos que pratiquei a medicina na cidade do Porto9, e me entreguei ao estudo e aquisição na flora do Minho, de dom Vandelli10, lente de prima jubilado em Lisboa; e da Real Academia das Ciências11, onde há bem poucos anos recitei uma Memória sobre a necessidade de se adiantarem os conhecimentos de Botânica em Portugal e no Brasil, onde a natureza se mostra quase pródiga nas suas produções; sobre os erros em que se tem precipitado a Medicina por falta de Luzes Botânicas e sobre as vantagens do médico botânico; eu me ofereço para exercer este importante ministério em todo o zelo e diligência de que é capaz um vassalo12 honrado e amigo do bem público fazendo algumas digressões para descobrir e indagar as plantas medicinais comprovando pela experiência a sua eficácia quanto permitirem as minhas tênues forças e fraca (sic) saúde, e isto por qualquer remuneração que determinar S.M. Deus Guarde V. Excelência. Para felicidade nossa e glória dos seus ilegível dezembro de 1795. ilegível dito Manoel Joaquim de Souza Ferrás.”

    1 José Luis de Castro, 2º conde de Rezende (1744-1819). Foi nomeado vice-rei do Brasil entre 1789 e 1801,tendo sido o último vice-rei do século XVIII, enfrentando a conjuração mineira, assumindo a responsabilidade de cumprir as decisões julgadas nos autos da devassa. Como governante, procurou melhorar as finanças e condições sanitárias do Rio de Janeiro. Em suas primeiras realizações, prolongou o cais do Largo do Paço, completou o aterro do pantanal de Pedro Dias (iniciado pelo Marquês do Lavradio), aterrou o Campo de Santana  transformando-o no maior rossio da cidade, que veio a se  tornar a nova atração para o povo, em ocasiões como a festa do Divino de Santana. Foi responsável também pelo fechamento e a devassa da sociedade literária do Rio de Janeiro acusada de sedição. Passou o governo ao seu sucessor d. Fernando José de Portugal.
    2 Inicialmente  chamada de Índias Ocidentais  por se acreditar  tratar-se  da Índia, a América foi descoberta por Cristóvão Colombo em 1492, abrindo o continente à conquista européia. Enquanto os portugueses instalavam-se no litoral brasileiro,  os espanhóis conquistavam o México e, de lá, a América Central, o Peru e o Chile.  Quanto à América do Norte, coube aos ingleses e franceses o principal papel:  os ingleses iniciaram a fundação das chamadas treze colônias em 1620 e os franceses ocuparam regiões hoje pertencentes ao Canadá em início do século XVII.    
    Cristóvão Colombo (1451-1506) foi o navegador genovês que a serviço da rainha de Castela – D. Isabel I, “a católica” – descobriu a América  em 1492, aportando em Cuba e no Haiti, batizada de Hispaniola.
    3 Especialista no estudo da morfologia e fisiologia das espécies vegetais. No século XVIII e XIX, foi um profissional valorizado, pois suas habilidades e conhecimentos poderiam contribuir para o enriquecimento dos países europeus, a partir da descoberta e exploração das potencialidades vegetais de suas colônias. 
    4 Homens dedicados ao estudo das ciências que foram encarregados das chamadas “viagens filosóficas”. A partir da segunda metade do século XVIII, o Estado português promoveu expedições com o intuito de conhecer as riquezas e as potencialidades do território ultramarino, especialmente, da colônia americana. Estas viagens expressavam uma época de preocupação em promover os estudos da ciência da natureza, visando sua aplicação na indústria e na medicina. Por isso, privilegiavam sobretudo áreas como a botânica, a zoologia e a geografia. Estas expedições contribuíram para o estudo da história natural através do envio de amostras de espécies da flora e fauna típicas das regiões estudadas, propiciando a formação de importantes coleções em estabelecimentos científicos e museus. Renderam ainda importantes frutos como uma “literatura de viagens”, fonte de informação sobre o cotidiano da população, sua cultura, hábitos e costumes. A partir de 1808, as viagens científicas no Brasil passaram a ser promovidas também por iniciativa e coordenação de outros países europeus.
    5 Pessoa que se dedicava à manipulação de substâncias, trabalhando nas boticas, que eram os lugares onde se preparavam e vendiam medicamentos, bem como “se aviavam receitas médicas”.  Seria o farmacêutico de manipulação de hoje.
    6 Pessoa que pratica a cirurgia, que era a parte da medicina destinada as operações “de abrir e cortar membros do corpo humano”.  Contudo,  na cultura da época, a cirurgia era tida como uma atividade distinta da medicina, sendo mesmo o cirurgião considerado social e culturalmente inferior ao médico.  Aliás, era costume nos séculos XVII e XVIII, agrupar corporativamente os cirurgiões com os barbeiros. No Brasil de inícios do século XIX, a necessidade de médicos não permitiu uma distinção tão rígida,  até porque os cirurgiões tinham que se improvisar médicos.
    7 Professor catedrático.
    8 Foi fundada  por d. Dinis em 1 de março de 1290. Era a responsável pela formação dos membros da elite portuguesa e colonial. Alcançou grande importância e influência após as reformulações sofridas em 1772, durante a governação pombalina. Entre as modificações feitas, destacam-se a criação de duas novas faculdades (filosofia e matemática), e com elas  a implantação de novos métodos de estudo e investigação.  A partir de então, a reformada universidade de Coimbra passou a ser referência e modelo para as instituições de ensino existentes na época e posteriormente criadas.
    9 Localizada à margem direita do rio Douro (que significa rio de ouro), é a segunda maior cidade de Portugal, sendo considerada a capital do Norte do País. O nome Porto deriva da raiz do nome Portugal, que é "porto de cale". A  cidade passou a chamar-se Porto  a partir do século XII.
    10 Trata-se do naturalista italiano Domingos Vandelli, que projetou o jardim botânico da Ajuda fundado em 1768.
    11 Fundada por aviso régio em dezembro de 1779, foi instalada, em 1833, no Convento de Jesus da Ordem Terceira de São Francisco, onde permanece ainda hoje. A Academia de Ciências de Lisboa insere-se em um momento de efervescência das academias e sociedades científicas e literárias, caracterizadas pelo maior apreço às letras e às ciências. Foi uma tentativa de incentivar o progresso científico e cultural de Portugal através da divulgação de conhecimentos que tivessem uma aplicação prática no desenvolvimento econômico do país.
    12 Neste período indica o mesmo que súdito da coroa. A palavra na Idade Média referia-se a uma camada privilegiada que recebia terras do Rei e uma série de benefícios.

     
    Sugestões de uso em sala de aula:
    Utilização(ões) possível(is): 
    - No eixo temático  sobre a “História das relações sociais da cultura e do trabalho”
    - No sub-tema “As relações sociais, a natureza e a terra”
    - Ao trabalhar o tema transversal “Meio ambiente”  

    Ao tratar dos seguintes conteúdos:
    - A sociedade colonial: culturas naturais 
    - Economia colonial
    - Brasil colonial: riquezas naturais
    - Viagens científicas

  • DOMINGUES, Angela. Para um melhor conhecimento dos domínios coloniais: a constituição de redes de informação no Império português em finais do Setecentos. HISTORIA, CIÊNCIAS, SAÚDE: Manguinhos, Rio de Janeiro: v.8, Suplemento, 2001.

    FERREIRA, Alexandre Rodrigues. Viagem ao Brasil: a expedição philosophica pelas capitanias do Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuyabá. s.l.: Kapa Editorial, 2002.

    FERRI, Mário Guimarães. A botânica no Brasil. In: AZEVEDO, Fernando de (org). As ciências no Brasil. São Paulo: Melhoramentos, [s.d].

    JOBIM, Leopoldo Collor. Os jardins botânicos e o fomentismo português no Brasil. São Paulo, Sociedade Brasileira de Pesquisa Histórica, Anais da III Reunião, 1984.

    LAVOR, João Conrado Niemeyer. Histórico do Jardim Botânico do Rio de Janeiro=History of the Rio de Janeiro Botanical Garden. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal, 1983.

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