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Brasil

Festas Coloniais

Publicado: Terça, 24 de Janeiro de 2017, 13h02 | Última atualização em Sexta, 26 de Janeiro de 2018, 18h01

  • Beatriz Catão Cruz Santos

     

    “Os historiadores costumam encontrar apenas aquilo que procuram”. O comentário feliz é do historiador da arte Jorge Coli,[1] que busca explicar por que a carta de Pero Vaz de Caminha ficou encerrada durante séculos na Torre do Tombo. A carta só veio a público em 1817, na Corografia Brasílica, de Aires de Casal. A partir deste momento, o documento seria publicado inúmeras vezes transformando-se de carta do achamento em “diploma natalício lavrado à beira do berço de uma nacionalidade futura”, conforme as palavras de Capistrano de Abreu, em O descobrimento do Brasil (1883). O fato é que, desde este momento, a carta é um documento essencial da História do Brasil e, sobretudo, da historiografia brasileira.A partir de hoje, por iniciativa do Arquivo Nacional, diferentes documentos sobre festas da sociedade colonial (séculos XVI ao XIX) vão passar a circular melhor entre historiadores, antropólogos, estudantes e todos aqueles que se interessarem pelo tema.

    Todavia, nem sempre este foi um tema da nossa historiografia. Pode-se tomar como marco inicial destas ocupações o trabalho realizado pelos viajantes, memorialistas, literatos e folcloristas em fins do XIX. Muitos deles buscavam os fundamentos e as especificidades da nacionalidade brasileira. Entre tantos, vale mencionar Festas e Tradições populares do Brasil (1888), de Mello Morais Filho. Memorialista para uns, folclorista para outros realizou uma obra em que é possível encontrar um relato vívido de festas religiosas, populares e tipos de rua que remontam à 1850, no Rio de Janeiro, Bahia e em Sergipe num gênero acessível, persuasivo ao historiador interessado em cultura popular. Mello Morais destacava-se na época, por associar positivamente as manifestações populares e religiosas à nacionalidade, incluindo nas nossas tradições a herança africana, a exemplo do registro da Coroação de um rei negro, em 1748. Como vários escritos do XIX, ajudaram, segundo Martha Abreu, a inventar uma das maiores tradições da cidade do Rio de Janeiro - a festa do Divino - e serviu de referência para Vieira Fazenda, Luiz Edmundo e Gilberto Freyre, autores que também se dedicaram às festas.Pode-se acrescentar a este breve histórico da investigação sobre festas os chamados estudos de comunidade dos anos 40/50. Num tempo em que as fronteiras institucionais eram menos rígidas, a contribuição de autores como Antônio Galvão, em Santos e Visagens (1955) é reveladora do interesse da Antropologia por práticas religiosas ‘tradicionais’, entre elas, as festas. Na esteira do brasilianista Charles Wagley (Uma comunidade amazônica. 1957), Galvão, como outros cientistas sociais de seu tempo, caiu na armadilha de opor rural a urbano, classificando as festas por meio das diferenças entre as freguesias e as cidades. Na primeira, haveria a religião da comunidade, que se expressa no culto aos santos. As festas de Santo exerceriam uma função integradora que tende a desaparecer num contínuo inexorável de progresso e diferenciação social. Contudo, como destaca Alba Zaluar, os estudos de comunidade realizaram “descrições completas das localidades focalizadas”[2] à diferença dos estudos folclóricos. A meu ver, cercaram comunidades e atribuíram importância às festas de Santo. Estas, herdeiras da cultura ibérica do século XVI, que junto à contribuição do índio, comporiam a religião do caboclo amazônico, para usar os seus termos. Estes estudos ficaram, por vezes, invisíveis aos historiadores ou vedados na academia, mas constituem referências fundamentais para obras, com as quais os historiadores continuam a dialogar.

    Este é o caso de O messianismo no Brasil e no mundo (1965), de Maria Isaura Pereira de Queiroz, que também lida com rituais. Considerando-se num momento de sistematização da sociologia, propõe-se a buscar a lógica dos movimentos messiânicos na sociedade brasileira. A Dança de São Gonçalo do Amarante, um de seus temas desde os anos 50, se inscreve entre os “movimentos messiânicos rústicos”. É uma manifestação da “cultura rústica”, uma cultura que emergiu do encontro entre o colono, o índio e o africano nos tempos coloniais e permanece no interior do país nos anos 50. É nos anos 1970 que a historiografia descobre a festa. Para não correr o risco de simplificar demais a discussão, remeto o leitor à bibliografia selecionada sobre o assunto[3]. Na época, os fenômenos festivos passam a configurar um campo específico de interesse da nouvelle histoire, que apesar de abrigar diferentes perspectivas reafirmaram a presença da historiografia francesa entre nós. Observa-se, em termos gerais, a influência dos Annales nos estudos brasileiros, mas certamente o diálogo inclui a produção anglo-saxônica e a micro-historia italiana. A coletânea editada por Jean Jacquot[4] é apenas um indício do crescente número de pesquisadores interessados em festa, cujos estudos ganham em escala e diversidade nos anos 80. No registro do inventário, a publicação de Festa: cultura e sociabilidade na América portuguesa (2001), resultante do seminário ocorrido na década de 90 na Universidade de São Paulo, é hoje uma das principais referências da historiografia em produção no Brasil sobre o tema na sociedade colonial.

    Depois destas pinceladas históricas sobre os estudos, vamos às festas na sociedade colonial. Em artigo da Gazeta de Notícias (1881), Capistrano de Abreu, diferenciando-se daquele que fora seu mestre e um dos pais da historiografia da Nação, reconhece a importância das festividades do período colonial, numa passagem irresistível:“Quem lê uma história do Brasil, mesmo a melhor que é a de Varnhagen, não pode suspeitar a importância de um fato que todos os historiadores omitem: os festejos. E entretanto nada há mais freqüente, mais típico, o mais notável durante todo o período de nossa dependência”. O Brasil naquele tempo era uma festa quase interrompida.”[5] A partir da observação, Capistrano identifica os inúmeros motivos geradores de festa: dias santos, acontecimentos relacionados à família real, chegadas de governadores e bispos, e ainda ensaia uma classificação, ao assinalar os festejos de “caráter particular”, como batizados, aniversários e benzimentos de engenhos. Contudo, reconhece que historiadores omitem e estão para estudar o significados das festividades.

    Entre as hipóteses arroladas por Capistrano, cuja formação se confunde com a gestação de uma História do Brasil estaria uma “sociabilidade instável e imperfeita”. Curiosa observação! Certamente, não vamos compreendê-la por inteiro, mas ela pode ser relacionada à precária vida civil dos membros da sociedade colonial. Colonos, colonizados e colonizadores estavam em graus diversos constrangidos às instituições (Igreja/ Monarquia), normas e valores do Antigo Regime.A historiografia mais recente também identifica a recorrência das festas no período colonial, inclusive pelo número feriados que em muito ultrapassam os do nosso calendário. Porém, reconhece que mesmo os rituais motivados pelas autoridades coloniais, proprietários e padres são tomados por outros agentes como ocasião de divertimento, exercício de liberdade, acesso à distinções e dignidades numa sociedade hierárquica e escravista.Este é o caso da festa e procissão do Corpo de Deus na América portuguesa, cerimônia religiosa apropriada pela Monarquia portuguesa, cuja organização mais geral cabia às Câmaras. No entanto, engana-se aquele que nela veja tão somente uma festa da Câmara, dos cidadãos, pois estava sujeita a intervenções da Igreja, irmandades e ofícios.

    No século XVIII, o Corpo de Deus era uma das cerimônias mais solenes e célebres do reino português, mas continha aspectos ‘populares’ fornecidos pelos ofícios, como as figuras, danças, gigantes e representações.Pelo dito e por meio de uma consulta aos documentos sobre festas, que ora o Arquivo Nacional expõe através da base de dados Roteiro de fontes do Arquivo Nacional para a história luso-brasileira tem-se uma amostra da variedade de festas na sociedade colonial. Há aquelas relacionadas à família real como casamentos, batismos, aniversários, funerais e até pela notícia do “feliz parto da princesa Nossa Senhora”, que é celebrado com luminárias e “Te Deum” pelo Senado do Rio de Janeiro, em 1800. Há diversas cerimônias que através do calendário religioso, tornam-se dos súditos da Monarquia, como Corpus Christi e Semana Santa. Há registros de festas realizadas por irmandades, como a Festa e o Círio de Nossa Senhora da Penha, de 1819-20 Neles, se evidencia a preocupação das autoridades da Corte em ordenar o “arraial”, que reunia “imenso povo”. Assim como festas que reafirmariam a união do reino português, sob a égide da monarquia, como as aclamações, a posse de um vice-rei e a comemoração pela restituição de Pernambuco organizada pela Câmara de Parati, em 1817.

    Enfim, pode-se dizer que as festas na sociedade colonial escapam às tipologias e às classificações, como aquela que opõe festas oficiais às populares ou civis às religiosas. E que os ‘novos’ documentos sejam um convite a interpretações atualizadas das festas!

     

     

    [1] COLI, Jorge.“Primeira Missa e Invenção da Descoberta”. in: NOVAES, Adauto. (Org.) A Descoberta do Homem e do Mundo.São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

    [2] ZALUAR, Alba. Os homens de Deus, um estudo dos santos e das festas no catolicismo popular. Rio de Janeiro: Zahar, 1983

    [3] JANCSÓ, István; KANTOR, Íris (org). “Falando de festas”. in: Festa: cultura e sociabilidade na América portuguesa. São Paulo: Hucitec/Edusp/Fapesp/Imprensa Oficial, 2001. 2 v; SILVA, Maria Manuela de Souza e. “A historiografia descobre a “festa” in: Hélade, 1 (1), 2000. p. 38-52.

    [4] JACQUOT, Jean. Les fêtes de la Renaissaince. Paris, CNRS, 1975. 3v.

    [5] ABREU, Capistrano de. Ensaios e Estudos. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1976.

  • Consulta sobre a representação da comarca da cidade de Mariana narrando sobre o imenso júbilo em que a dita cidade ficou ao saber da elevação do Estado do Brasil á Reino Unido de Brasil e Algarves. Assim a comarca começou a prestar ações de graças a Deus “por tão grande benefício”.

     

    Conjunto documental: Tribunal do Desembargo do Paço. Registro de consultas da Secretaria.
    Notação: Códice 17, vol. 4
    Datas – limite: 1813-1817
    Título do fundo: Mesa do Desembargo do Paço
    Código do fundo: 4K
    Argumento de pesquisa: festas oficiais
    Ementa: consulta sobre a representação da comarca da cidade de Mariana narrando sobre o imenso júbilo em que a dita cidade ficou ao saber da elevação do Estado do Brasil á Reino Unido de Brasil e Algarves. Assim a comarca começou a prestar ações de graças a Deus “por tão grande benefício”. É relatado ainda que com assistência do cabido, clero, cidadãos, nobreza e povo, iluminou-se toda a cidade por três noites seguidas nas quais ocorreram vários festejos.
    Data do documento: 16 de março de 1816.
    Local: Mariana
    Folha (s): 195, 195v. e 196

    Conjunto documental: Marquês do Lavradio
    Notação: AP-41
    Datas – limite: 1768-1769
    Título do fundo: Marquês do Lavradio
    Código do fundo: RD
    Argumento de pesquisa: festas oficiais
    Ementa: carta do marquês do Lavradio a José Joaquim de Miranda relatando a cerimônia Te Deum realizada em virtude de sua posse como vice-rei do Brasil.
    Data do documento: 8 de março de 1769.
    Local: Bahia
    Folha (s): Carta 51

    Conjunto documental: Livro de Casamentos e Batizados de Membros da Família Real e Imperial
    Notação: Códice 263
    Datas – limite: 1810-1845
    Título do fundo: Casa Real e Imperial
    Código do fundo: 0O
    Argumento de pesquisa: festas oficiais
    Ementa: correspondência do príncipe regente para os governadores do reino de Portugal e do Algarve na qual informa sobre o casamento da princesa dona Maria Teresa com o infante dom Pedro Carlos. Ordena que os governadores informem a notícia aos tribunais e demais estações visando festejos com “demonstrações festivas de aplauso e alegria” e que isso era esperado de “tão bons e fiéis vassalos.”
    Data do documento: 13 de maio de 1810
    Local: Palácio do Rio de Janeiro
    Folha (s): 3v

    Conjunto documental: Livro de Casamentos e Batizados de Membros da Família Real e Imperial
    Notação: Códice 263
    Datas – limite: 1810-1845
    Título do fundo: Casa Real e Imperial/ Mordomia Mor
    Código do fundo: 0O
    Argumento de pesquisa: festas oficiais
    Ementa: correspondência do conde de Aguiar para o marquês de Bellas na qual informa que o príncipe regente decidiu que a cerimônia de casamento entre a princesa dona Maria Teresa com o infante dom Pedro Carlos iria se realizar em sua real capela. Ordena também que o marquês de Bellas organize um esquema de escolta com os soldados da guarda real visando a segurança das autoridades reais.
    Data do documento: 9 de maio de 1810
    Local: Rio de Janeiro
    Folha (s): 2

    Conjunto documental: Registro de avisos e portarias da Junta da Fazenda – Real Erário – Tesouro Público. Com índice alfabético.
    Notação: Códice 142, vol. 7
    Datas – limite: 1817-1822
    Título do fundo: Ministério da Fazenda
    Código do fundo: 40
    Argumento de pesquisa: Festas oficiais
    Ementa: aviso para o barão de São Lourenço enviado pelo conde da Barca em nome do rei ordenando que o erário régio comparecesse na capela real dia 5 de junho ás 10 horas da manhã para acompanhar a procissão do corpo de Deus.
    Data do documento: 3 de junho de 1817.
    Local: Rio de Janeiro
    Folha (s): 4 e 4v.

    Conjunto documental: Registro de avisos e portarias da Junta da Fazenda – Real Erário – Tesouro Público. Com índice alfabético.
    Notação: Códice 142, vol. 7
    Datas – limite: 1817-1822
    Título do fundo: Ministério da Fazenda
    Código do fundo: 40
    Argumento de pesquisa: Festas oficiais
    Ementa: aviso ao barão de São Lourenço enviado por Thomaz Antônio de Villanova Portugal em que o rei convida os membros que formavam a Mesa do Real Erário e os contadores gerais para a sua coroação no dia 6 de fevereiro ás 4 horas da tarde.
    Data do documento: 3 de fevereiro de 1818
    Local: Paço
    Folha (s): 13v.

    Conjunto documental: Registro de avisos e portarias da Junta da Fazenda – Real Erário – Tesouro Público. Com índice alfabético.
    Notação: Códice 142, vol. 7
    Datas – limite: 1817-1822
    Título do fundo: Ministério da Fazenda
    Código do fundo: 40
    Argumento de pesquisa: festas oficiais
    Ementa: aviso ao senhor João Paulo Bezerral enviado por Thomaz Antônio de Villanova Portugal em que o rei ordena que durante três dias haja luminárias em toda corte e se suspenda o despacho dos tribunais em virtude da chegada da princesa real Carolina Josefa Leopoldina.
    Data do documento: 11 de outubro de 1817.
    Local: Paço
    Folha (s): 9 e 9v.

    Conjunto documental: Secretaria de Estado do Ministério do Reino
    Notação: Caixa 735, pct 01
    Datas – limite: 1735 - 1813
    Título do fundo: Negócios de Portugal
    Código do fundo: 59
    Argumento de pesquisa: festas oficiais
    Ementa: documento que descreve como deveria se realizar a cerimônia de batismo do senhor príncipe da Beira.
    Data do documento: 28 de março de 1795
    Local: Lisboa
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Secretaria de Estado do Ministério do Reino
    Notação: Caixa 735, pct 01
    Datas – limite: 1735 - 1813
    Título do fundo: Negócios de Portugal
    Código do fundo: 59
    Argumento de pesquisa: festas oficiais
    Ementa: documentos que tratam do funeral do senhor rei dom José I. Nestes foram descritas todas as medidas tomadas, desde a roupa a se vestir até como se realizar a solenidade. Relata a elaboração do todo o cerimonial, dando instruções do papel a ser desempenhado por cada membro participante do funeral.
    Data do documento: 23 de fevereiro de 1777
    Local: Real Palácio de Nossa Senhora da Ajuda
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Secretaria de Estado do Ministério do reino
    Notação: Caixa 735, pct 01
    Datas – limite: 1735 - 1813
    Título do fundo: Negócios de Porugal
    Código do fundo: 59
    Argumento de pesquisa: festas oficiais
    Ementa: exposição, declarada pelo real decreto do príncipe d. João, da medalha em memória da sua regência, com seus respectivos símbolos. Dentro do documento os símbolos são enumerados, para explicar o significado de cada um deles.
    Data do documento: 15 de setembro de 1799
    Local: Palácio de Queluz
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Secretaria de Estado do Ministério do Reino
    Notação: Caixa 735, pct 01
    Datas – limite: 1735 - 1813
    Título do fundo: Negócios de Portugal
    Código do fundo: 59
    Argumento de pesquisa: festas oficiais
    Ementa: documento seqüenciado composto de decretos e avisos para a Aclamação do senhor rei d. José. Dentre as ordens dadas encontram-se uma homenagem a seu pai d. João V. Conta também com uma  pequena descrição de como deveria ocorrer a cerimônia de Aclamação.
    Data do documento: 28 de agosto de 1750
    Local: Lisboa
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Secretaria de Estado do Ministério do Reino
    Notação: Caixa 735, pct 01
    Datas – limite: 1735 - 1813
    Título do fundo: Negócios de Portugal
    Código do fundo: 59
    Argumento de pesquisa: festas oficiais
    Ementa: documento seqüenciado composto de diversos decretos e avisos para a Aclamação da rainha d. Maria I. Decreta que fosse realizada homenagem ao seu pai, d. José I, e avisa quando ocorrerá sua cerimônia de Aclamação, bem como relata toda a sua realização.
    Data do documento: 10 de maio de 1777
    Local: Lisboa
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Secretaria de Estado do Ministério do Reino
    Notação: Caixa 735, pct 01
    Datas – limite: 1735 - 1813
    Título do fundo: Negócios de Portugal
    Código do fundo: 59
    Argumento de pesquisa: festas oficiais
    Ementa: documento que fala das ordens dadas para a realização do funeral da rainha dona Mariana de Áustria, mulher do rei d. João V.
    Data do documento: 2 de Novembro de 1757
    Local: Paço de Belém
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Secretaria de Estado do Ministério de Reino
    Notação: Caixa 735, pct 01
    Datas – limite: 1735 - 1813
    Título do fundo: Negócios de Portugal
    Código do fundo: 59
    Argumento de pesquisa: festas oficiais
    Ementa: formulário sobre o funeral do infante d. João, descrevendo como seria a cerimônia e o que deveria ser feito para realizá-la.
    Data do documento: 10 de outubro de 1763
    Local: Lisboa
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Livro de Casamentos e Batizados de Membros da Família Real e Imperial
    Notação: Códice 263
    Datas – limite: 1810-1845
    Título do Fundo: Casa Real e Imperial
    Código do fundo: 0O
    Argumento de pesquisa: festas oficiais
    Ementa: portaria ao preste do serviço do Paço, Luiz Antônio de Faria Souza Lobato para que avisasse a todos os moços da câmara, que no dia 13 de maio, pelas 4 horas da tarde, deveriam se achar no Paço para acompanhassem o príncipe regente até sua real capela, onde iria assistir ao casamento entre a princesa dona Maria Thereza e o Infante d. Pedro Carlos. Também informa que estes moços deveriam segurar tochas, para o regresso das altezas reais até o Paço.
    Data do documento: 9 de maio de 1810
    Local :Palácio do Rio de Janeiro
    Folha (s): 2v

    Conjunto documental: Livro de Casamentos e Batizados de Membros da Família Real e Imperial
    Notação: Códice 263
    Datas – limite: 1810-1845
    Título do Fundo: Casa Real e Imperial
    Código do fundo: 0O
    Argumento de pesquisa: festas oficiais
    Ementa: O príncipe regente anuncia a realização, no dia 13 de maio de 1810, do casamento de sua filha, a princesa dona Maria Thereza, com seu sobrinho, o infante dom Pedro Carlos. Devido à cerimônia ordena que tivesse luminárias espalhadas pela corte nos três dias seguintes ao casamento, e que por quatro dias se suspendessem os despachos dos tribunais.
    Data do documento: 9 de maio de 1810
    Local: Palácio do Rio de Janeiro
    Folha (s): 1

    Conjunto documental: Livro de Casamentos e Batizados de Membros da Família Real e Imperial
    Notação: Códice 263
    Datas – limite: 1810-1845
    Título do Fundo: Casa Real e Imperial
    Código do fundo: 0O
    Argumento de pesquisa: festas oficiais
    Ementa: correspondência do conde de Aguiar para o bispo capelão mor na qual informa que o príncipe regente o escolheu para a realização da cerimônia de casamento entre a princesa dona Maria Thereza com o infante dom Pedro Carlos. Pede ainda, que as portas principais permaneçam fechadas, com o intuito de se impedir a entrada de outras pessoas além das que fossem do serviço da mesma capela, os fidalgos, os ministros, tribunais, os prelados das maiores religiões e oficiais de guerra que tiverem patente de sargento mor para cima.
    Data do documento: 9 de maio de 1810
    Local: Paço
    Folha (s): 1v

    Conjunto documental: Senado da Câmara do Rio de Janeiro 
    Notação: Caixa 500, pct. 2
    Datas – limite: 1800-1808
    Título do fundo: Vice-reinado
    Código do fundo: D9
    Argumento de pesquisa: festas oficiais
    Ementa: carta enviada ao vice-rei pelo Senado da Câmara confirmando o recebimento das ordens de colocar luminárias durante três dias e que no terceiro dia ocorrerá um solene “Te Deum” em comemoração pela notícia do “feliz parto da princesa Nossa Senhora”. Data do documento: 28 de julho de 1800
    Local: Rio de Janeiro
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Inspeção do Arsenal da Côrte
    Notação: VM-9
    Datas – limite: 1820-1820
    Título do fundo: Série Marinha
    Código do fundo: AX
    Argumento de pesquisa: festas oficiais
    Ementa: orientações do conde dos Arcos a respeito das comemorações da Páscoa. Dizia que na sexta-feira da Paixão ás oito da manhã os navios deveriam “largar suas bandeiras” e no domingo de Páscoa todos os navios deveriam içar suas bandeiras e dar uma salva após o último tiro da Ilha das Cobras.
    Data do documento: 29 de março de 1820
    Local: Quartel General da Marinha
    Folha (s): 37

    Conjunto documental: Ministério dos Negócios do Brasil. Ministério dos Negócios do Reino. Ministério dos Negócios do Reino e Estrangeiros. Ministério dos Negócios do Império e Estrangeiros. Correspondência das províncias.
    Notação: SB-410
    Datas – limite: 1813-1814
    Título do fundo: Diversos GIFI
    Código do fundo: OI
    Argumento de pesquisa: festas religiosas
    Ementa: ofício da câmara de Parati para o ministro e secretário de Estado dos Negócios do Reino, Tomas Antônio Vilanova Portugal. A Câmara informa sobre as comemorações realizadas em função da restituição de Pernambuco ao reino português. Em anexo, nota na qual a Câmara descrevia as comemorações realizadas, como o “Te Deum”, cantado na igreja matriz, sendo este reproduzido na nota.
    Data do documento: 12 de julho de 1817
    Local: vila de Parati
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Ministério dos Negócios do Brasil. Ministério dos Negócios do Reino. Ministério dos Negócios do Reino e Estrangeiros. Ministério dos Negócios do Império e Estrangeiros. Correspondência das províncias.
    Notação: SB-410
    Datas – limite: 1813-1814
    Título do fundo: Diversos GIFI
    Código do fundo: OI
    Argumento de pesquisa: festas religiosas
    Ementa: ofício do juiz, vereadores e procurador da câmara da vila de Parati para o marquês de Aguiar, ministro e secretário do Estado dos Negócios do Reino do Brasil. A câmara informa sobre a realização de um solene “Te Deum”, em ações de graças pela elevação do Brasil à graduação de Reino, fazendo parte do Reino Unido de Portugal e do Brasil e Algarves.
    Data do documento: 3 de janeiro de 1816
    Local: vila de Parati
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Ministério dos Negócios do Brasil. Ministério dos Negócios do Reino. Ministério dos Negócios do Reino e Estrangeiros. Ministério dos Negócios do Império e Estrangeiros. Correspondência das províncias.
    Notação: SB-410
    Datas – limite: 1813-1814
    Título do fundo: Diversos GIFI
    Código do fundo: OI
    Argumento de pesquisa: Festas religiosas
    Ementa: representação do coronel e comandante da vila de Parati, Francisco Alvarez da Cunha Castelo Branco ao ministro e secretário de Estado dos Negócios do Reino, Tomás Antonio de Vilanova Portugal. O coronel informa sobre o ofício expedido pela câmara de Parati que impossibilitava a continuação dos festejos comemorativos pelo aniversário de d. João, realizados desde 1808. Tais festejos englobavam um “Te Deum” na igreja matriz e salvas de artilharia, descargas de mosqueteria, continência e vivas em praça pública. Argumenta que tal comemoração não poderia acabar, justificando que a despesa usada não era excessiva.
    Data do documento: 23 de junho de 1820
    Local: vila de Parati
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Ministério dos Negócios do Brasil. Ministério dos Negócios do Reino. Ministério dos Negócios do Reino e Estrangeiros. Ministério dos Negócios do Império e Estrangeiros. Correspondência das províncias.
    Notação: SB-410
    Datas – limite: 1813-1814
    Título do fundo: Diversos GIFI
    Código do fundo: OI
    Argumento de pesquisa: Festas religiosas
    Ementa: ofício da câmara da vila de nossa senhora da Conceição de Angra dos Reis da Ilha Grande, no qual informava sobre a realização de festejos no dia 13 de maio. Em função de tal dia ser o nascimento da neta de sua Majestade, a princesa da Beira, foram realizadas comemorações, como a celebração de “Te Deum”, em ação de graças. Em anexo, ofício ao brigadeiro comandante do distrito, Francisco Claudio Alvares de Andrade, no qual a Câmara informara sobre os festejos e solicitara assistência para a realização do mesmo. O anexo é datado de 17 de abril de 1819.
    Data do documento: s.d.
    Local: s.l.
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Ministério dos Negócios do Brasil, Ministério dos Negócios do Reino, Ministério dos Negócios do Reino e Estrangeiros, Ministério dos Negócios do Império e Estrangeiros. Negócios Eclesiásticos.
    Notação: 6J-82
    Datas – limite: 1812-1821
    Título do fundo: Diversos GIFI
    Código do fundo: OI
    Argumento de pesquisa: Festas oficiais
    Ementa: carta enviada a Thomaz Antonio Villanova Portugal sobre os festejos em virtude do nascimento da princesa da Beira que aconteceram nos dias de “s. João e s. Pedro”. Conta que no dia 24, depois de se ter louvado a Deus, ocorreram cavalhadas sérias, burlescas, bailes, danças, comédias que se repetiram no dia de “s. Pedro”. Há também um anexo narrando por extenso os festejos.
    Data do documento: 5 de julho de 1819.
    Local: Campamento da Real Bragança
    Folha (s): 295

    Conjunto documental: Ministério dos Negócios do Brasil, Ministério dos Negócios do Reino, Ministério dos Negócios do Reino e Estrangeiros, Ministério dos Negócios do Império e Estrangeiros. Negócios Eclesiásticos.
    Notação: 6J-82
    Datas – limite: 1812-1821
    Título do fundo: Diversos GIFI
    Código do fundo: OI
    Argumento de pesquisa: Festas oficiais
    Ementa: relato escrito pelo tenente-coronel Manuel Carneiro da Silva sobre os festejos ocorridos nos dias 24 e 29 de junho em homenagem ao rei, príncipe real e ao nascimento da princesa da Beira.
    Data do documento: 4 de julho de 1819.
    Local: s.l
    Folha (s): 296 a 297v.

    Conjunto documental: Registros de ofícios expedidos da polícia para o governo das armas da corte, marinha e mais patentes militares e ordenanças.
    Notação: Códice 326,vol. 03.
    Datas – limite: 1818-1822.
    Título do fundo: Polícia da Corte
    Código do fundo: 0E 
    Argumento de pesquisa: festas religiosas.
    Ementa: ofício expedido ao comandante do distrito da Ilha do Governador pelo intendente geral da Polícia, Paulo Fernandes Viana. Nesse documento o autor comunica ao comandante que é costume serem realizadas aos domingos de novembro o terço de nossa Senhora em procissão na Ilha do Governador e que muitas pessoas em virtude do consumo de bebidas “espirituosas” faltavam com o respeito dentro e fora da igreja. O intendente ordena que o comandante desse distrito mande uma patrulha acompanhar a procissão, sendo que aqueles que desrespeitassem o ato religioso deveriam ser presos e remetidos a intendência geral da Polícia.
    Data do documento: 9 de novembro de 1818.
    Local: Rio de Janeiro.
    Folha(s):7v.

    Conjunto documental: registros de ofícios expedidos da polícia para o governo das armas da corte, marinha e mais patentes militares e ordenanças.
    Notação: Códice 326,vol. 03.
    Datas – limite: 1818-1822.
    Título do fundo: Polícia da Corte
    Código do fundo: 0E 
    Argumento de pesquisa: festas religiosas
    Ementa: carta de Paulo Fernandes Viana, intendente geral da Polícia, para o comandante do distrito de Irajá. Nesse documento o intendente afirmava que nos meses de setembro ou outubro seriam realizadas festas e um Círio em homenagem a Nossa Senhora da Penha “como se fazia em Portugal”. Para o sucesso das festas, as estradas do distrito deveriam sofrer alterações para o melhor fluxo de “imenso povo, das seges e cavalos”. Todas as alterações deveriam estar prontas dentro de um mês.
    Data do documento: 6 de setembro de 1819.
    Local: Rio de Janeiro.
    Folha(s): 50.

    Conjunto documental: Registros de ofícios expedidos da polícia para o governo das armas da corte, marinha e mais patentes militares e ordenanças.
    Notação: Códice 326,vol. 03.
    Datas – limite: 1818-1822.
    Título do fundo: Polícia da Corte
    Código do fundo: 0E 
    Argumento de pesquisa: festas religiosas
    Ementa: carta de Paulo Fernandes Vianna, intendente geral da Polícia, para o comandante do distrito de Irajá, tenente coronel Joaquim Marianno de Oliveira Muniz. Nesse documento Paulo Fernandes afirma ser preciso adiantar os serviços da estrada da Penha e o “conserto” da ladeira da capela para que o povo tivesse facilidade para subir. A festa do Círio aconteceria entre os dias 23 e 25 de setembro. Para as despesas do conserto da ladeira, o comandante deveria procurar o juiz da irmandade de nossa senhora da Penha. Também afirma que o diretor da festa não hesitará em ajudar e que para o tráfego de seges e carros, deve-se desviá-los para os lados de modo a ficar trinta metros de estrada livre.
    Data do documento: 16 de setembro de 1819.
    Local: Rio de Janeiro.
    Folha(s): 51v.

    Conjunto documental: Registros de ofícios expedidos da polícia para o governo das armas da corte, marinha e mais patentes militares e ordenanças.
    Notação: Códice 326,vol. 03.
    Datas – limite: 1818-1822.
    Título do fundo: Polícia da Corte.
    Código do fundo:0E 
    Argumento de pesquisa: festas religiosas
    Ementa: carta de Paulo Fernandes Viana, intendente geral da Polícia, para o comandante do distrito de Irajá, tenente coronel Joaquim Marianno de Oliveira Muniz. O remetente recomenda que as barracas que fossem feitas para a festa do Círio deveriam ficar nos lados da praça, construída para a festa com os fundos para os sítios de Angélica Maria da Silva e Justiniano Manuel da Paixão. Assim as barracas não tirariam a beleza da praça. No fim da mesma as barracas não seriam permitidas; desse modo o tráfego de seges e cavalos não seria dificultado. O autor também afirma que no dia 22 do mesmo mês, ele mandaria para esse arraial uma guarda de cavalaria de polícia para a realização de rondas no local e que como quartel seria usada uma das casas da irmandade de nossa senhora da Penha.
    Data do documento: 18 de setembro de 1819.
    Local: Rio de Janeiro.
    Folha(s): 54v e 55.

    Conjunto documental: Registros de ofícios expedidos da polícia para o governo das armas da corte, marinha e mais patentes militares e ordenanças.
    Notação: Códice 326,vol. 03.
    Datas – limite: 1818-1822.
    Título do fundo: Polícia da Corte
    Código do fundo: 0E 
    Argumento de pesquisa: festas religiosas
    Ementa: carta de Paulo Fernandes Viana para o tenente coronel Joaquim Marianno de Oliveira Muniz. O autor afirmava que a festa do Círio de nossa senhora da Penha sairia da cidade a não ser que os preparativos ficassem prontos até 15 de setembro. Dentre os preparativos, dever-se-ia evitar barracas perto da ladeira e dos lados das casa dos romeiros. Também seria necessário “aprontar” as estradas do arraial até o sítio de Jozé Bento para o melhor trânsito de seges e carros.
    Data do documento: 19 de agosto de 1820.
    Local: Rio de Janeiro.
    Folha(s): 76v.

    Conjunto documental: Ordens do dia da Guarda Real da Polícia da Corte
    Notação: Códice 749
    Datas – limite:1809 - 1817
    Título do fundo: Polícia da Corte
    Código do fundo: 0E 
    Argumento de pesquisa: festas religiosas
    Ementa: ordem para que todos os regimentos de Linha das Milícias pegassem em armas para acompanhar a procissão do corpo de Deus.
    Data do documento: 24 de maio de 1815
    Local: Quartel General da Polícia da Corte
    Folha(s): 69

    Conjunto documental: Ordens do dia da Guarda Real da Polícia da Corte
    Notação: Códice 749
    Datas – limite:1809 - 1817
    Título do fundo: Polícia da Corte
    Código do fundo: 0E 
    Argumento de pesquisa: festas religiosas
    Ementa: ordem para que no sábado de Aleluia os músicos dos três regimentos de Infantaria e Artilharia se apresentassem ao Coronel Francisco Manuel Mello para que fosse determinado onde deveriam tocar.
    Data do documento: 18 de abril de 1810
    Local: Quartel General da Polícia da Corte
    Folha(s): 6

    Conjunto documental: Ordens do dia da Guarda Real da Polícia da Corte
    Notação: Códice 749
    Datas – limite:1809 - 1817
    Título do fundo: Polícia da Corte.
    Código do fundo: 0E 
    Argumento de pesquisa: festas religiosas
    Ementa: ordem para que o regimento de Linha fosse para a porta da igreja do convento do Carmo para acompanhar a procissão do Santíssimo Sacramento.
    Data do documento: 21 de outubro de 1810
    Local: Quartel General da Polícia da Corte
    Folha(s): 17

    Conjunto documental: Ordens do dia da Guarda Real da Polícia da Corte
    Notação: Códice 749
    Datas – limite:1809 - 1817
    Título do fundo: Polícia da Corte
    Código do fundo: 0E 
    Argumento de pesquisa: festas religiosas
    Ementa: ordem para que os regimentos de Linha de Artilharia e Infantaria pegassem em armas e marchassem para o largo do Real Paço no dia da festa de Corpus Christi, para acompanhar a procissão organizada pela Real Capela.
    Data do documento: 19 de junho de 1811
    Local: Quartel General da Polícia da Corte
    Folha(s): 31v

    Conjunto documental: Culto Público. Ministério do Império. São Paulo. Correspondência
    Notação:IJJ 11 27
    Datas – limite: 1803-1868
    Título do fundo: Série Interior
    Código do fundo: A2
    Argumento de pesquisa: festas religiosas
    Ementa: carta do bispo de São Paulo d. Matheus ao ministro do Reino, conde de Aguiar. Na carta o bispo comunica ao ministro a ordem que recebeu do príncipe regente para que se fizesse os sufrágios pela alma da infanta Maria Anna com toda a solenidade conforme o costume.
    Data do documento: 3 de julho de 1813
    Local: São Paulo
    Folha(s): 616

    Conjunto documental: Culto Público. Ministério do Império. São Paulo. Correspondência
    Notação: IJJ 11 27
    Datas – limite: 1803-1868
    Título do fundo: Série Interior
    Código do fundo: A2
    Argumento de pesquisa: festas religiosas
    Ementa: carta do bispo d. Matheus ao ministro do reino conde de Aguiar na qual o bispo acusa o recebimento do ofício em que o ministro dava instruções sobre o que deveria ser feito com relação a celebração do jubileu da chegada da corte real no Brasil.
    Data do documento: 18 de setembro de 1809
    Local: São Paulo
    Folha(s): 73

    Conjunto documental: Culto Público. Ministério do Império. São Paulo. Correspondência
    Notação: IJJ 11   27
    Datas – limite: 1803-1868
    Título do fundo: Série Interior
    Código do fundo: A2
    Argumento de pesquisa: festas religiosas
    Ementa: requerimento do bispo de São Paulo d. Matheus ao rei em que reclamava da condição dos paramentos da sua Sé. Pedia ao rei novos paramentos para que os cultos e festas estivessem à altura digna do ministério divino.
    Data do documento: 5 de janeiro de 1821
    Local: São Paulo
    Folha(s): 37

    Conjunto documental: Mesa da Consciência e Ordens
    Notação: caixa 291, Pct. 02
    Datas – limite:1809-1826
    Título do fundo: Mesa da Consciência e Ordens
    Código do fundo:4J
    Argumento de pesquisa: Festas religiosas
    Ementa: requerimento em nome dos irmãos da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte da vila de Taubaté feito pelo confrade provedor José Lourenço Rebelo pedindo ao bispo de São Paulo d. Matheus providências com relação aos paramentos das festividades da Santa protetora da Irmandade.
    Data do documento: 27 de setembro 1820
    Local: São Paulo
    Folha(s):14

    Conjunto documental: Compromisso da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário da vila de Nossa Senhora da Vitória, comarca do Espírito Santo
    Notação: Códice 835, vol. 01
    Datas – limite: 1790-1790
    Título do fundo: Diversos Códices - SDH
    Código do fundo:NP
    Argumento de pesquisa: festas religiosas
    Ementa: o documento trata da criação de um regulamento interno de obrigações dos irmãos da Confraria do Santíssimo Rosário. Este regulamento foi criado pelo frei Antônio Maria e começava com uma carta dele aos confrades em que se falava da necessidade de construção de uma capela para a virgem Maria do Santíssimo Rosário. Após a esta construção deveria ser feita uma festa solene e decente  no primeiro domingo de outubro contendo os seguintes componentes rituais: missa cantada, sermão e o Santíssimo Sacramento exposto até a hora da procissão, que levaria a imagem de Nossa Senhora.
    Data do documento: s.d.
    Local: s.l.
    Folha(s):6 a 10

  • Batismo no Brasil colonial

    Carta do conde de Aguiar para o Bispo Capelão Mor informando sobre o batismo do infante, filho de dona Maria Teresa com o infante d. Pedro Carlos. Informava também algumas medidas de segurança que deveriam ser seguidas para impedir a entrada de pessoas não convidadas. O documento apresenta a ordem litúrgica e a importância das celebrações cristãs na nobreza luso-brasileira.


    Conjunto documental: Livro de Casamento e batizados de membros da Família Real e Imperial

    Notação: Códice 263

    Datas – limite: 1810-1845

    Título do fundo: Casa Real e Imperial / Mordomia-mor

    Código do fundo: Ø0

    Argumento de pesquisa: Festas oficiais

    Data do documento: 12 de Novembro de 1811

    Local: -

    Folha (s): 8 e 8v
     

    “Função do Batismo

    Para o Bispo Capelão Mor
    Ex.mo Re.mo Sr  = O Príncipe Regente1 Nosso Senhor, tem feito eleito da pessoa da V.Ex.a para batizar o Sereníssimo Senhor Infante2 com que Deus Nosso Senhor abençoou os desposórios da Sereníssima Senhora Princesa Real Dona Maria Theresa3 com o Sereníssimo Senhor Infante da Espanha dom Pedro Carlos. O Batismo se há de celebrar terça-feira 17 do corrente pelas seis horas da tarde na Real Capela de Nossa Senhora do Monte Carmo. Pelo que pertence á mesma Capela mandará V.Ex.a dispor nela tudo na forma que se costuma praticar em semelhantes atos. Tão bem V.Ex.a  ordenará pela parte que lhe toca, que a água que levarem os reposteiros para se fazer o batismo se benza a tempo, que quando chegar a Corte à capela, esteja tudo pronto da sorte que não haja demora.

    As portas principais e travessas devem estar fechadas, para não entrarem mais pessoas do que aquelas que forem do serviço da mesma capela; os fidalgos4; os ministros dos Tribunais; os prelados maiores das religiões; os oficiais da Guerra que tiverem patente de sargento mor e daí para cima, em ordem, a cujo fim se tem mandado por guardas nas ditas portas: devendo o acompanhamento entrar e sair pela porta principal da referida capela.

    Já V.Ex.a  sabe que neste dia há de haver repiques de sinos, como sempre se praticou em semelhantes ocasiões = Deus guarde a V.Ex.a em 12 de Novembro de 1811 = Conde de Aguiar5.”


    1 Trata-se de d. João VI (1767-1826), segundo filho de d. Maria I e d. Pedro III, que se tornou herdeiro da Coroa com a morte do primogênito José em 1788. Assumiu a regência do Reino em 1792, no impedimento da mãe que foi considerada louca. Foi sob o governo do então príncipe regente d. João, que Portugal enfrentou sérios problemas com a França de Napoleão Bonaparte, sendo invadido pelos exércitos franceses em 1807.  Como decorrência da invasão francesa em Portugal, a família real e corte lisboeta partiram para o Brasil em novembro daquele ano, aportando em Salvador em janeiro de 1808. Dentre as medidas tomadas por d. João em relação ao Brasil estão: a abertura dos portos às nações amigas; liberação para criação de manufaturas; criação do Banco do Brasil; fundação da real biblioteca; criação de escolas e academias, e uma série de outros estabelecimentos dedicados ao ensino e à pesquisa, representando um  importante fomento para o cenário cultural e social brasileiro. Em 1816, com a morte de d. Maria I, tornou-se d. João VI, rei de Portugal, Brasil e Algarves. Em 1821, retornou com a corte para Portugal, deixando seu filho d. Pedro como regente. Deu-se, ainda, sob o seu governo, o reconhecimento da independência do Brasil no ano de 1825.

    2 Infante era o título dado aos filhos dos reis da Espanha e Portugal que não eram herdeiros da Coroa.

    3 Dona Maria Teresa Francisca de Assis Antonia Carlota Joana Josefa Xavier de Paula Micaela Rafaela Isabel Gonzaga de Bragança (1793-1874), era a filha mais velha de d. João e d. Carlota Joaquina. Casou-se com seu primo o infante de Espanha Pedro Carlos Antonio de Bourbon e Bragança, em 1810, no Rio de Janeiro. Com a morte do marido, em 1812, contraiu segundas núpcias com o Infante dom Carlos Maria Isidro, Duque de Madrid e Conde de Montemolin e Molina.

    4 A palavra fidalgo originou-se do termo filho d’algo, indicando aqueles “bem nascidos”, que possuíam foro de nobreza.

    5 Primeiro conde e segundo marquês de Aguiar, d. Fernando José de Portugal e Castro (1752-1817) foi  governador e capitão-general da Bahia durante quatorze anos. Entre 1801e 1806, exerceu o cargo de vice-rei do Brasil, ao final do qual retornou a Portugal, regressando ao Brasil junto com a corte portuguesa em 1808. Entre as funções que exerceu destacam-se: a presidência do Conselho Ultramarino, o cargo de conselheiro de Estado e ministro do reino, presidente do erário real, membro do conselho da Fazenda e da Junta do comércio e provedor das obras da Casa Real.

     

    Sugestões de uso em sala de aula:

    Utilização(ões) possível(is):
    - Ao trabalhar o tema transversal “pluralidade cultural” 
    - No eixo temático sobre a “História das representações e das relações de poder”
     

    Ao tratar dos seguintes conteúdos:

    - O Homem e a Cultura
    - A sociedade colonial: movimentos religiosos e culturais 
    - Brasil colonial: religião e sociedade

    O nascimento da princesa

    Carta enviada a Thomaz Antonio Villanova Portugal sobre os festejos que ocorreram nos dias de São João e São Pedro, em virtude do nascimento da princesa da Beira. Conta que no dia 24, depois de se ter louvado a Deus, ocorreram cavalhadas sérias, borlescas, bailes, danças, comédias que se repetiram no dia de “São Pedro”. O documento apresenta de que maneira a tradição cristã e a cultura popular misturavam-se nos festejos coloniais. 

     

    Conjunto documental: Ministério dos Negócios do Brasil, Ministério dos Negócios do Reino, Ministério dos Negócios do Reino e Estrangeiros, Ministério dos Negócios do Império e Estrangeiros. Negócios Eclesiásticos.

    Notação: 6J-82

    Datas – limite: 1812-1821

    Título do fundo: Diversos GIFI

    Código do fundo: OI

    Argumento de pesquisa: Festas oficiais

    Data do documento: 5 de julho de 1819.

    Local: Campamento da Real Bragança

    Folha (s): 295

     

    “Em cumprimento da ordem, que me foi intimada, passo a relatar pelo modo que me é possível o festejo1, que a Coluna tributou ao Nome de S. Majestade2, e do Sereníssimo Senhor Príncipe Real3 nos dias 24 e 29 de junho4 do corrente ano.

    (...) Com efeito na noite do dia 23 que principiavam os festejos, o Campo de Milícias do Rio Pardo havendo acendido uma regular iluminação, concorreram a ela de todas as pessoas de diferentes classes, onde a diversidade de fogos, que haviam preparado (...) se não o mais rico espetáculo a vista, ao menos o mais afetuoso ao objeto adorável de todas as oblações, respeito. O Ex.mo.  tenente general tendo aqui assistido e concluído este ato de júbilo, se dirigiu a Praça dando pela Legião de São Paulo foram oferecidas várias contra-danças, e cavalhadas5 burlescas, que aos repetidos estrondos das Salsas publicaram a maior satisfação e prazer. Toda via o dia 24 o mais lindo, que tem raiado neste horizonte fez o cúmulo do geral, e perfeito contentamento. Ás 9 horas do dia se celebrou missa cantada, seguida de uma oração que bem desempenhou o caráter virtuoso do nosso Amabilíssimo Soberano. Neste mesmo dia as duas horas da tarde uma Companhia de Caçadores da Divisão de Voluntários Reais d’El Rei (...) executaram todas aquelas delicadas manobras, que se deviam esperar de tropa tão disciplinada; diferentes formas de combate tanto na ordem unida, como estendida ali se viram executar com satisfação de todos os militares (...)

    Ao serrar da noite nosso espetáculo aparece ascendendo outra vez o mesmo júbilo, um teatro6 ataviado se não com mais rico aparato pelo menos com os enfeites de mimoso gosto e elegante perspetiva (?) (...) nele se pôs em cena o ato de Taciel, se bem que impróprio de um dia de tanta gala; porém único achado neste Campo e desempenhado por indivíduos do Regimento dos Dragões (...)

    O dia 29 de junho o nome de S. Alteza o Sereníssimo Senhor Príncipe Real D. Pedro influindo igualmente o ânimo de toda a tropa, e vassalos de tão Augusto Senhor induziu a repetição da peça de Taciel, que então melhor ensaiada apareceu em cena com todo esplendor das preciosas idéias do deu compositor admirável (...)

    É de minha grande obrigação confessar que o tenente general comandante com o seu admirável exemplo cooperou com maior desvelo e incansável atividade para o arranjamento de tal execução. Sua autoridade acompanhada dos sobrantes desejos que manifestou abriu todas as portas às maiores dificuldades.

    Campamento da Real Bragança 4 d’julho de 1819.

    O Ten.Cor.el. Manuel Carneiro da Silva e (ilegível)

    Ajud.e  de Ordens de (ilegível)”

    1 No primeiro século da colonização, as festividades seguiam os rituais religiosos do calendário cristão e movimentavam toda a população, caracterizando-se por uma europeização dos costumes nas terras americanas. Uma das razões possíveis para a realização dos festejos era a necessidade de conter os impulsos pagãos em terras “bárbaras”, como se dizia à época. No século XVII, as camadas mais baixas da sociedade, antes meros espectadores, foram gradativamente sendo integradas às solenidades religiosas, as quais assumiram uma nova feição através da dramatização de situações bíblicas. Aos poucos, as festividades foram abrindo espaços para o lúdico e o profano, seduzindo cada vez mais a população e tornando-se um dos poucos eventos coloniais que congregavam as diferentes camadas sociais em um mesmo espaço físico. Entre as principais manifestações estavam as festas do calendário religioso, (abarcando cerca de um terço do ano), as congadas negras e as cavalhadas dos brancos luso-brasileiros (representação da rivalidade entre portugueses e holandeses).

    2 Trata-se de d. João VI (1767-1826), segundo filho de d. Maria I e d. Pedro III, que se tornou herdeiro da Coroa com a morte do primogênito José em 1788. Assumiu a regência do Reino em 1792, no impedimento da mãe que foi considerada louca.  Foi sob o governo do então príncipe regente d. João, que Portugal enfrentou sérios problemas com a França de Napoleão Bonaparte, sendo invadido pelos exércitos franceses em 1807.  Como decorrência da invasão francesa em Portugal, a família real e corte lisboeta partiram para o Brasil em novembro daquele ano, aportando em Salvador em janeiro de 1808. Dentre as medidas tomadas por d. João em relação ao Brasil estão: a abertura dos portos às nações amigas; liberação para criação de manufaturas; criação do Banco do Brasil; fundação da real biblioteca; criação de escolas e academias, e uma série de outros estabelecimentos dedicados ao ensino e à pesquisa, representando um  importante fomento para o cenário cultural e social brasileiro. Em 1816,  com a morte de d. Maria I, tornou-se d. João VI, rei de Portugal, Brasil e Algarves. Em 1821, retornou com a corte para Portugal, deixando seu filho d. Pedro  como regente. Deu-se, ainda, sob o seu governo, o reconhecimento da independência do Brasil no ano de 1825.

    3 Batizado como Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon, d. Pedro I (1798-1834) era filho de d. João VI e de d. Carlota Joaquina. Tornou-se herdeiro da Coroa portuguesa, após a morte do primogênito Antônio, recebendo o título de príncipe real no mesmo ano da elevação de d. João a rei de Portugal (1816). Casou-se duas vezes: com Carolina Josefa Leopoldina, arquiduquesa da Áustria (1816) e com a duquesa alemã Amélia Augusta (1829), sendo também conhecido o seu romance com Domitila de Melo Castro e Canto, marquesa de Santos. Com o retorno da família real a Portugal, em 1821, d. Pedro tornou-se príncipe regente do Brasil. Os planos políticos que as cortes de Lisboa destinavam ao Brasil levou d. Pedro a romper definitivamente com Portugal, proclamando a independência do Brasil em setembro de 1822, sendo sagrado e coroado imperador e defensor perpétuo do Brasil. O reinado de d. Pedro I (1822-1831) foi marcado por inúmeros acontecimentos como: convocação e dissolução da Assembléia Constituinte; outorga da primeira constituição do Brasil (1824); a criação do Conselho de Estado, responsável pela elaboração da constituição de 1824; a instalação da Câmara e do Senado vitalício (1826); e a Guerra Cisplatina (1825-1828). Em 1831, d. Pedro abdicou do trono em favor do seu filho Pedro de Alcântara, então com cinco anos, diante da perda de apoio das elites e da popularidade, agravadas pelo fracasso militar na campanha da Cisplatina. Regressando a Portugal, assumiu a liderança nas lutas contra seu irmão d. Miguel pelo trono português. Em Portugal teve o título de Pedro IV. Amante da música e da boemia, d. Pedro I compôs o hino da Carta (posteriormente adotado como hino nacional português até 1910) e o hino da independência do Brasil. Morreu tuberculoso em 1834.

    4 As datas indicam a comemoração respectivamente das festas juninas cristãs em homenagem aos Santos João e Pedro. Estas festas, de origem religiosa, foram gradativamente se popularizando. A elaboração dos festejos contava com diversos ingredientes tais como farta comida, fogueiras – conforme a tradição indicando o nascimento de São João -, danças típicas e folguedos tais como o pau-de-sebo, o quebra-pote e o trança-fita.

    5 Trata-se de um folguedo popular que envolvia uma espécie de justa ou torneio. Constituindo um grande festejo, do qual participavam os fazendeiros que podiam desfilar animais ricamente enfeitados, a cavalhada apresentava um tema religioso cuja finalidade era transmitir a lição cristã de que o bem vence o mal. Para tanto, dispunha de duas partes: uma encenação teatral; e a “brincadeira”. Nessa primeira parte, era encenado o confronto entre o bem e o mal - representados, respectivamente, pelos cristãos e pelos mouros -, tendo como figura central o rei cristão Carlos Magno. Para enfatizar essa eterna luta, os cristãos vestiam-se de azul, simbolizando o céu; enquanto os mouros vestiam-se de vermelho, simbolizando o inferno. Quanto à segunda parte, esta se compunha de jogos atléticos, nos quais os participantes deveriam mostrar sua perícia como cavaleiros. O principal jogo era o da argolinha que, exigindo velocidade e destreza dos participantes, resultava na conquista de uma argolinha de ouro, prenda oferecida à namorada, noiva ou esposa. Atualmente, poucas são as cidades brasileiras que conservam a tradição da cavalhada.

    6 O teatro teve sua origem na Grécia antiga, sendo decorrente das manifestações em louvor a Dionísio, o Deus do vinho. Com o advento do Império romano, o teatro espalhou-se pelo mundo. A despeito das diversas épocas que atravessou e dos variados estilos que desenvolveu, o teatro tornou-se um relevante veículo de divulgação de idéias, fossem elas religiosas ou políticas. No Brasil colonial, o teatro foi introduzido pelos primeiros colonos, que encenaram, nas igrejas, alguns autos à moda lusitana. O Auto de Santiago é considerado a primeira peça apresentada no Brasil, em 1564, na Bahia. Desde o início, o teatro representou mais do que arte e entretenimento, revelando-se um importante instrumento de auxílio na conversão dos infiéis, adquirindo um viés mais pedagógico ao ensinar aos pagãos algumas noções como, por exemplo, pecado e arrependimento. Dessa forma, atuou como veículo de pregação e convencimento. 
     

    Sugestões de uso em sala de aula:

    Utilização(ões) possível(is):

    - O trabalhar o tema transversal “pluralidade cultural”
    - No eixo temático sobre a “História das representações e das relações de poder”
     

    Ao tratar dos seguintes conteúdos:

    - O Homem e a Cultura
    - A sociedade colonial: movimentos religiosos e culturais
    - Brasil colonial: religião e sociedade

    Funerais de D. José I

    Os funerais do rei dom José I foram descritos nesses documentos, desde o vestuário até a realização da solenidade. Relata a elaboração do todo o cerimonial, dando instruções do papel a ser desempenhado por cada membro participante do funeral. A partir deste documento é possível dimensionar a importância marcante do ritual que acompanhava toda a trajetória dos indivíduos na colônia. As funções – o que se reflete na ordem a ser seguida na procissão – foram objeto de regulamentação nas Câmaras, delegadas a cada membro da cerimônia, possuíam um simbolismo que demarcava a posição hierárquica de poder e prestígio dos súditos reais.

     

    Conjunto documental: Secretaria de Estado do Ministério do Reino

    Notação: Caixa 735, pct 01

    Datas – limite: 1735 - 1813

    Título do fundo: Negócios de Portugal

    Código do fundo: 59

    Argumento de pesquisa: festas oficiais

    Data do documento: 23 a 25 de Fevereiro de 1777.

    Local: Lisboa.

    Folha (s): -

     

    Leia esse documento na íntegra

      “Para o marquês de Tancos

    Forma de Acompanhamento do Corpo do Augustíssimo Senhor d. José I1

     

    1º O Corpo do Augustíssimo Senhor Rei d. José I há de ser sepultado na Igreja de São Vicente de Fora2.

    2º Há de sair do Paço ... e dirigir-se á Ponte de Alcântara: dela à Esperança: daí pela Boa Vista ao Arsenal: daí pela Ribeira ao Cais do Carvão: dele ao Cais dos Moiros, e Praça do Arsenal Real do Exército: dele subindo pela calçada nova ás Portas da Cruz: delas pela Estrada tão bem ultimamente aberta ao Campo de Santa Clara, e por ele ao Largo da Igreja de S. Vicente de Fora.

    3º Em primeiro lugar hão de ir seis Porteiros da Cana a Cavalo com suas canas.

    4º Em segundo lugar os dois Corregedores do Crime da Corte.

    5º Logo se seguirão os Títulos Oficiais da Casa do Augustíssimo senhor rei d. José I, defunto, em duas alas; os títulos a mão direita, e os Oficiais a Esquerda com declaração, que os Oficiais da mesma Casa que levam insígnias hão de ir no meio das duas alas.

    6º Depois se seguirão os clérigos da Basílica Patriarcal da Santa Igreja de Lisboa.

    7º Segure-se á o coche com o corpo, entre os moços da Câmara, a pé, com as suas tochas acesas: E virão também os Moços da Estribeira a pé, no lugar que lhes toca, mas sem tochas.

    8º Adiante do coche irá V. Ex.as , com o Mordomo Mór, com a sua insígnia; seguindo-se o marquês de Angeja, que vai servindo de Reposteiro Mór.

    9º A ilharga do mesmo coche há de ir o marquês Estribeiro Mór: tendo advertência que o pescoço do cavalo, em que for, há de ir junto á última roda do coche.

    10 Logo se seguirá o Coche de Respeito, e irá coberto com um pano de veludo preto, na mesma forma, em que há de ir coberto o coche em que vai o Corpo.

    11 Os Capitães da Guarda Real, o conde de Resende3, e o conde de Pombeiro, hão de ir atrás do Estribeiro Mór separados dele.

    12 As duas Companhias da Guarda dos Arqueiros hão de ir formadas no lugar onde lhes toca, acompanhando desde o Paço até a Igreja de São Vicente de Fora.

    13 Os Presidentes dos Tribunais, Conselheiros e Fidalgos, que não forem Títulos, e quiserem acompanhar, o farão indo a cavalo com os mais nos lugares que costumam Ter em semelhantes acompanhamentos.

    14 Procurar-se-á que o acompanhamento vá composto nesta forma em duas alas, por não haver confusão; e que as Religiões, e Cleros estejam arrumados, para que pelo meio possa passar o Enterro.

      

    Para o Patriarca Eleito de Lisboa

    Em.mo e R mo Snr.

     

    Sua Majestade é servida que V. Em.cia ordene ao Cura da Santa Igreja de Lisboa4, ou a quem seu cargo servir, que no dia hoje haja de transportar particularmente os Intestinos do Augustíssimo senhor rei dom José 1º que Deus chamou á Sua Santa Glória á sobredita Igreja: E que nela ache aberta e pronta, a cova em que os referidos Intestinos hão de ser sepultados: sendo tirados do coche e levados a ela, pelos Clérigos Beneficiados, que V. Emcia nomear. E ao marquês Estribeiro Mor se avisa para que mande logo aprontar o coche em que se deve fazer a dita condução.

    Deus Guarde a V.Em.cia Paço em 24 de fevereiro de 1777.

    //Ayres de Sá Mello//

     Termo

    Da Entrega do Cadáver do Augustíssimo Senhor Rei d. José Primeiro

     

    Aos vinte e seis dias do mês de Fevereiro do Ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil setecentos e setenta e sete, nesta Santa Igreja Patriarcal, citando ali os presentes o marquês de Tancos dom Duarte Antônio da Câmara, do Conselho de Guerra, Gentil-homem da Câmara de Sua Mag.e , e Tenente General dos seus Exércitos, que foi nomeado pela rainha nossa senhora para exercitar o cargo de Mordomo Mor nos Atos Cerimoniais do Acompanhamento e Enterro do corpo do Augustíssimo senhor rei dom José 1º que Deus chamou á Bem Aventurança. O senhor dom João, do Conselho de Estado, Mordomo Mor da casa da sereníssima senhora rainha mãe, e Capitão General dos Galeões de Alto Borto do Mar Oceano. O marquês de Penalva Manoel Telles da Silva, do Conselho de Sua Mag.e , e Deputado da Junta dos Três Estados; o marquês de Fronteira dom Jozé Luis Mascarenhas, do Conselho de Sua Mag.e , e Veador da Casa da Rainha Nossa Senhora; o marquês de Pombal Sebastião José de Carvalho e Mello5, dos Conselhos de Estado e Gabinete, Inspetor Geral do Real Erário, e nesse lugar Tenente junto á Real Pessoa de El Rei Nosso Senhor, e seu Plenipotenciário, Visitador e Lugar Tentente a sua Real Pessoa na Fundação da Universidade de Coimbra6; o marquês das Minas d. Lourenço José dos Brotos e Lancastre, do Conselho de Sua Mag.e , Gentil-homem de sua Câmara, e Marechal de Campo dos seus Exércitos; o conde de Redondo Fernando de Souza Coutinho Castello Branco e Menezes, do Conselho de Sua Mag.e e Marechal de Campo de seus Exércitos; o conde de Val Reis Lourenço Filippe de Mendonça e Moura do Conselho de Sua Mag.e  Estribeiro Mor da Sereníssima Senhora Rainha-Mãe; o conde de S. Lourenço Antonio Maria César de Mello e Silva, do Conselho de sua Mag.e e Tenente Coronel do Regimento da Cavalaria do Cais; o visconde de Villa Nova da Cerveira d. Thomas de Lima, do Conselho de Sua Mag.e e Veador da Casa da Sereníssima Senhora Rainha-Mãe: E achando-se também presente d. Fernando de Souza da Silva, Principal Vigário Capitular, e Patriarca Eleito da Santa Igreja de Lisboa: logo pelo referido marquês de Tancos Mordomo Mor, foi entregue ao dito Patriarca Eleito um caixão guarnecido por fora de veludo negro liso, com uma grande Cruz de lustrina de oiro branca em cima; cercado com galões de oiro, e cravado com pregos dourados; com três fechaduras todas da mesma parte; e com dez argolas douradas, tudo uniformemente fabricado, e forrado por dentro o sobredito caixão de ilhama branca de prata; em que disse ele marquês de Tancos, e jurou aos Santos Evangélicos, em que pôs as mãos, que se achava fechado outro caixão de chumbo, que guardava o Corpo do Muito Alto, e Muito Poderoso senhor rei dom José 1º o qual em o dia vinte e três do corrente mês de Fevereiro, aos vinte e três minutos depois da meia-noite, faleceu da vida o presente no Palácio de Nossa Senhora D’Ajuda7: E que ele dito marquês de Tancos, o vira, e o reconhecera ao fechar do mesmo Caixão; havendo consigo as chaves dele, e acompanhando-o sempre junto dele, sem perder de vista, com as mais pessoas acima nomeadas: E pelo mesmo Patriarca Eleito da Santa Igreja de Lisboa foi dito que ele se dava por entregue do dito Caixão e Corpo nele depositado; e se obrigou por si e seus ilegível} no lugar, a dar sempre conta do mesmo Augusto Cadáver, ou dos Ossos dele; ficando em seu poder uma das chaves do mesmo caixão, e as outras na mão dele marquês de Tancos, para se guardarem onde pertencerem. Do que eu, Ayres de Sá Mello, por especial Ordem de Sua Mag.e , fiz lavrar dois termos deste mesmo teor; um para se remeter ao Real Arquivo da Torre do Tombo8, e outro para ficar na Secretaria d´Estado: e ambos foram assinados por todos os acima nomeados: com a declaração porém que em lugar do marquês de Pombal, que se escusou por moléstia, e pegou e assinou o conde de Soure, d. João Antonio Francisco d.ingo Bento da Costa Carvalho Patalim, do Conselho de Sua Mag.e , Tenente General dos seus Exércitos, e Provedor das Obras dos Paços Reais. Feito tudo na Santa Igreja Patriarcal, e no mesmo dia, mês e ano que fica declarado, e no principio deste termo escrito.

    //Ayres de Sá e Mello//

     

    Marquês de Tancos//Marquês de Penalva// Marquês das Minas//Conde de Santiago//Conde de S. Lourenço//Visconde de Villa Nova da Cerviera//D. João// Marquês de Fronteira//Conde de Redondo//

    Conde de Val de Reis//Conde de Soure//F. Patriarca Eleito//

     Para o marquês de Lavradio9

    Ill.mo e Ex.mo Snr.

     

    Em a noite do dia de ontem, pela meia-noite e 23 minutos, chamou Deus á Sua Santa Glória o Augustíssimo senhor rei dom José 1º depois de muitos e fervorosos atos de católica resignação. E a rainha nossa senhora manda participar V. Ex.a esta infanta notícia, para que V. Ex.a concorra pela sua parte, e pelo que lhe pertence, para as demonstrações do justo sentimento de tão grande perda: ordenando que nas Praças e Terras desse Governo mande V. Ex.a fazer todas as honras fúnebres que se costumam fazer em semelhantes ocasiões: E o luto geral que a mesmo Senhora mandou que se tomasse, há de ser por tempo de um ano; seis meses rigorosos, e seis aliviados; não obstante o cap.o 17 da Pragmatica de 24 de Maio de 1749. O que V. Ex.a fará assim executar.

    Deus Guarde a V. Ex.a Palácio Nossa Senhora D’Ajuda em 25 de Fevereiro de 1777.

    //Martinho de Mello e Castro10//

    1 d. José I, o “reformador” (1714-1777). Sucessor de d. João V, foi o único Rei de Portugal com este nome. Ficou conhecido, entre outras coisas, por ter reconstruído a parte baixa de Lisboa, atingida por um terremoto em 1755, e pela atuação do seu primeiro-ministro marquês de Pombal, que liderou uma série de reformas em Portugal.

    2 A igreja de São Vicente de Fora, localizada em Lisboa, foi construída por ordem de d. Afonso Henriques (1109-1185), em 1147, em consagração ao santo de quem era devoto. A igreja foi reedificada, em 1629, e, junto a ela, encontra-se a Capela de Santo Antônio, construída no mesmo local onde foram encontrados os ossos da mão de São Vicente.

    3 José Luis de Castro, 2º conde de Rezende (1744-1819). Foi nomeado vice-rei do Brasil entre 1789 e 1801,tendo sido o último vice-rei do século XVIII, enfrentando a conjuração mineira, assumindo a responsabilidade de cumprir as decisões julgadas nos autos da devassa. Como governante, procurou melhorar as finanças e condições sanitárias do Rio de Janeiro. Em suas primeiras realizações, prolongou o cais do Largo do Paço, completou o aterro do pantanal de Pedro Dias (iniciado pelo Marquês do Lavradio), aterrou o Campo de Santana transformando-o no maior rossio da cidade, que veio a se  tornar a nova atração para o povo, em ocasiões como a festa do Divino de Santana. Foi responsável também pelo fechamento e a devassa da sociedade literária do Rio de Janeiro acusada de sedição. Passou o governo ao seu sucessor d. Fernando José de Portugal.

    4 Trata-se do vigário da Santa Igreja de Lisboa.

    5 Marquês de Pombal (1699-1782) – Sebastião José de Carvalho e Mello, conde de Oeiras (1759) e depois marquês de Pombal (1777). Estadista português nascido em Lisboa, que se destacou como principal ministro no governo de d. José I. No cenário luso-brasileiro, foi o responsável por uma série de medidas importantes adotadas, dentre elas:expulsão dos jesuítas de todo reino português (1759); a transferência da capital brasileira de Salvador para o Rio de Janeiro (1763) e a reforma do ensino em que se destaca a da Universidade de Coimbra (1772).

    6 Fundada por d. Dinis, em 1º de março de 1290, era a responsável pela formação dos membros da elite portuguesa e colonial. Alcançou grande importância e influência após as reformulações sofridas em 1772, durante a governação pombalina. Entre as modificações feitas, destaca-se a criação de duas novas faculdades (filosofia e matemática) e com elas a implantação de novos métodos de estudo e investigação. A partir de então, a reformada Universidade de Coimbra passou a ser referência e modelo para as instituições de ensino existentes na época e posteriormente criadas.

    7 Construído nos séculos XVIII e XIX, localiza-se em Lisboa, sendo utilizado inicialmente para fins residenciais e administrativos das autoridades portuguesas.

    8 Trata-se do Real Arquivo instituído na Torre do Tombo do Castelo de Lisboa. A Torre do Tombo, durante o Antigo Regime, foi essencialmente composta do arquivo do Rei, ou da Coroa, sendo o lugar onde se guardavam todos os tipos de registros oficiais, tais como: os tombos de registo e demarcação de bens e direitos, os documentos da Fazenda, os capítulos das Cortes, os livros de chancelaria, os registos de instituição de morgados e capelas, os testamentos, os forais, as sentenças do juiz dos feitos da Coroa, as bulas papais, os tratados internacionais, a correspondência régia e outros documentos. Desde 1378, o principal arquivo português se denomina Torre do Tombo, uma vez que os principais documentos que o rei mandava guardar - o Recabedo Regni, ou Livro do Tombo, onde se registavam as suas propriedades e direitos – localizavam-se na torre albarrã, do castelo de São Jorge, em Lisboa. Em 1755, esta torre foi destruída no terremoto que abalou Lisboa, sendo o arquivo transferido, provisoriamente, para o mosteiro São Bento, onde hoje está o edifício da Assembléia da República. Atualmente, o Arquivo Nacional português encontra-se instalado numa parte do Palácio de São Bento, também em Lisboa. Todavia, a denominação de Torre do Tombo conservou-se pela tradição.

    9 Trata-se do 2º marquês do Lavradio e 5º conde de Avintes, d. Luís de Almeida Soares Portugal Alarcão Eça e Melo (1729-1790), militar e político português. Vice-rei e capitão geral de mar e de terra do Brasil, entre os anos de 1769 e 1779, fizeram parte da sua ação governamental: medidas visando à salubridade do Rio de Janeiro, mandando entulhar pântanos e lagoas, e pavimentando ruas; remoção do mercado de escravos para um local mais afastado; desenvolvimento das plantações de café e arroz; introdução da cultura do vinho,  proteção e intensificação da produção de cochonilla e bicho-da-seda; instituição na capital do Brasil regimentos de milícias e fundação da sociedade de ciências naturais.  Entre suas funções, destacou-se como: conselheiro da Guerra, presidente do Desembargo do Paço, inspetor-geral das tropas do Alentejo e Algarve, veador da rainha e conde coroado com a Grã-cruz  da Ordem de Cristo.

    10 Ministro da Marinha e dos Negócios Ultramarinos entre os anos de 1770 e 1795.

     

    Sugestões de uso em sala de aula:

    Utilização(ões) possível(is):

    - Ao trabalhar o tema transversal “pluralidade cultural”
    - No eixo temático sobre a “História das representações e das relações de poder”

     
    Ao tratar dos seguintes conteúdos:

    - O Homem e a Cultura
    - A sociedade colonial: movimentos religiosos e culturais
    - Brasil colonial: sociedade de corte
    - Brasil colonial: religião e sociedade

  • ABREU, Martha. O Império do Divino, festas populares e cultura no Rio de Janeiro, 1830-1900. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; São Paulo: Fapesp,1999.

    ARAÚJO, Emmanuel. O Teatro dos vícios, transgressão e transigência na sociedade urbana colonial. Rio de Janeiro: José Olympio, 1993.CAMURÇA, Marcelo Ayres; PEREIRA, Mabel Salgado. Festa e Religião. Juiz de Fora: Templo Editora, 2003.JANCSÓ, István; KANTOR, Iris (org). Festa: cultura e sociabilidade na América portuguesa.São Paulo: Hucitec/Edusp/Fapesp/Imprensa Oficial, 2001.2v.PRIORE, Mary Del. Festas e utopias no Brasil Colonial. São Paulo: Brasiliense, 1994.SANTOS, Beatriz Catão Cruz.  O Corpo de Deus na América; a festa de Corpus Christi nas cidades da América portuguesa – século XVIII. Niterói: Universidade Federal Fluminense (tese de doutorado), 2000.SILVA, Maria Manuela de Souza e. “A historiografia descobre a “festa” in:  Hélade,  1 (1), 2000. p. 38-52.

    SOARES, Marisa de Carvalho. Devotos da Cor; identidade étnica, religiosidade e escravidão no Rio de Janeiro, século XVIII. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.

    SOUZA, Iara Lis Carvalho. Pátria Coroada; o Brasil como Corpo político autônomo - 1780-1831. São Paulo: UNESP, 1999.

    TINHORÃO, José Ramos. As festas no Brasil colonial.  São Paulo: Editora 34

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