Ir direto para menu de acessibilidade.
Página inicial > Brasil > Alimentação na América Portuguesa
Início do conteúdo da página
Brasil

Alimentação na América Portuguesa

Publicado: Terça, 06 de Fevereiro de 2018, 19h15 | Última atualização em Terça, 06 de Fevereiro de 2018, 19h15

  • História da alimentação na América portuguesa

    Leila Mezan Algranti
    Universidade Estadual de Campinas


    O estudo da alimentação desponta na historiografia de forma mais sistematizada no final dos anos 1960, vinculado à escola dos Annales e sua proposta de interdisciplinaridade. Foi aprofundado pela Nova História, quando se observou um crescente interesse pelos estudos sobre o cotidiano, a vida privada, a transmissão dos saberes e tantas outras esferas da vida material, social e econômica, nas quais a alimentação ganhou destaque [1]. Como disse Fernand Braudel: "A vida material são os homens e as coisas, as coisas e os homens." Para Braudel, estudar a alimentação, a habitação, a moda, em suma, tudo aquilo que o homem utiliza, é uma maneira de valorizar sua existência cotidiana. Somente nos anos 1990, contudo, é que poderíamos dizer que a alimentação deixou de ser um tema complementar e adjacente na história para se tornar um campo de estudos específicos [2].

    Nesse novo campo - já que eram novas tanto as abordagens como as fontes - abriu-se um leque muito diversificado de objetos de estudo, tratando das mais distintas sociedades em termos de tempo e de espaço, e que abriga desde a dieta e a culinária, e os hábitos à mesa, até os equipamentos, os diferentes modos de fazer e a circulação dos produtos. A história da alimentação contempla ainda o estudo de determinados alimentos e comidas, como aqueles dedicados ao pão, à farinha de mandioca, ao tomate, à batata, ou à aguardente e ao vinho, bem como o de segmentos específicos, como, por exemplo, as bebidas, os temperos e as carnes. Por outro lado, se no início eram os níveis de calorias e consumo de alimentos o que mais interessava aos historiadores que se detinham na economia, atualmente chamam a atenção, para aqueles que se debruçam sobre a cultura, o valor simbólico dos alimentos, as sociabilidades em torno da comida e as práticas alimentares. A história da alimentação apresenta, portanto, uma dimensão de análise tanto material como imaterial.

    Na historiografia sobre a América portuguesa, o tema da alimentação não é exatamente novo, pois foi contemplado em estudos clássicos, como os de Capistrano de Abreu, Gilberto Freyre, Caio Prado Junior e Sergio Buarque de Holanda [3]. Com ênfases distintas, esses autores abordaram a questão em termos do consumo interno de alimentos, da produção de víveres ou no que toca aos produtos para exportação. Entre os anos de 1970 e 1980, porém, mesmo se tratando de um aspecto fundamental para a sobrevivência dos colonos, o tema praticamente se retirou da pauta dos historiadores da Colônia, pois o debate historiográfico privilegiou os modos de produção econômica [4]. Na década de 1990, a alimentação voltou a interessar aos historiadores, sendo abordada em vários estudos dedicados a outras temáticas sobre a América portuguesa. Mas é a partir dos anos 2000 que se observa um crescente interesse pelo assunto, o qual se expressa em estudos acadêmicos específicos, como monografias, dissertações e teses [5].

    Embora o termo "alimentação" abrigue mais do que meramente "comida", não se pode negar que a questão do consumo de alimentos e a preocupação com o abastecimento das vilas e cidades tenham sido uma tônica bastante presente na documentação colonial. A correspondência de governadores e vice-reis, por exemplo, está repleta de dados importantes para os historiadores da alimentação, quer seja sobre a carestia de alimentos ou sobre o intercâmbio de produtos entre as várias capitanias, ou entre essas e as demais partes do Império português. Afinal, desde o início da colonização, a circulação de produtos esteve na base do processo de conquista e povoamento da América portuguesa. A transplantação e aclimatação de plantas e animais de criação entre os dois lados do Atlântico foi uma constante entre os séculos XVI e XIX, e envolveu tanto saberes específicos, como técnicos especializados.

    Os mercadores, contudo, não trocavam apenas mercadorias e dinheiro, mas também usos e costumes referentes aos modos de cozinhar. Eles permaneciam muitos anos longe de seus locais de origem e levavam consigo uma memória gustativa, produtos e formas de cozinha. Quando retornavam para casa, tinham aprendido muitas coisas, entre elas, novos modos de fazer a cozinha e novos tipos de alimentos. Os historiadores admitiram, portanto, que esse intercâmbio alimentar definiu o consumo a partir de Colombo, provocando uma verdadeira revolução alimentar. No entanto, o tema é muito mais complexo, uma vez que o choque entre o Velho e o Novo Mundo não teve as mesmas consequências alimentares para as duas sociedades. As transferências de produtos e hábitos operaram sobre bases culturais diversas, e a temporalidade foi distinta. Na América, como enfatizou Antonio Garrido Aranda, o impacto foi mais rápido e afetou de maneira desigual os corpos sociais [6]. Quanto à incorporação dos produtos das conquistas na dieta europeia, esta só se tornou importante após longo período de contato. Os casos da batata e do milho, no século XVIII, são exemplos disso.

    Com relação ao abastecimento, cabe lembrar ainda a necessidade de enviar víveres aos fortes e demais edificações nas regiões de fronteira, aspecto indispensável para a defesa das possessões americanas. Além disso, antes da partida dos navios para o Reino, era preciso cuidar do embarque dos produtos a serem exportados e daqueles destinados à sobrevivência da tripulação ao longo da viagem. Sem falar, é claro, nos produtos encomendados por autoridades do governo e pela ucharia real, como, por exemplo, no século XVIII, o arroz, o chocolate ou as ervas aromáticas e medicinais, todos bastante desejados pelo mercado europeu.

    Outro tipo de documentação importante para o estudo da alimentação são as atas das câmaras coloniais, pois trazem múltiplas informações sobre o abate de animais, o controle dos preços de gêneros de primeira necessidade, a carestia ou abundância de certos produtos, permitindo ao leitor identificar o que comiam os habitantes da América em diferentes momentos e contextos históricos.
    No universo da vida doméstica, a alimentação destaca-se, ainda, não só na cozinha, mas também na botica, devido à sua importância na manutenção da saúde e no tratamento de doenças. Nesses dois domínios do conhecimento - culinária e medicina - os historiadores se interessam pelas receitas e modos de preparação dos alimentos, bem como por suas virtudes e propriedades gustativas ou terapêuticas. Uma mesma erva, por exemplo, poderia ser utilizada tanto como tempero de um prato, quanto na confecção de elixires ou emplastros por boticários, cirurgiões e curiosos.
    Os cronistas e memorialistas da América, sejam espanhóis ou portugueses, deram especial atenção a todas essas questões ligadas à sobrevivência nas conquistas. Seus relatos são, ainda hoje, uma fonte excepcional para o estudo da alimentação e demais intercâmbios culturais entre o Novo e o Velho Mundo.

    A história da dietética e das práticas alimentares na América portuguesa é, portanto, algo muito vasto e pouco desvendado pela historiografia brasileira. O Arquivo Nacional possui sob sua guarda diversos fundos documentais que representam um estímulo a novos estudos sobre essas temáticas. Uma amostra do que pode ser explorado encontra-se nas ementas apresentadas nesse sítio.

    [1] Sobre a relação entre a história da alimentação e o movimento dos Annales, ver Maurice Aymard, Pour l'histoire de l'alimentation: quelques remarques de méthode, Annales - Économies, Sociétés, Civilisations, n. 2-3, 1975; Fernand Braudel, Retour aux enquêt, Annales - Économies, Sociétés, Civilisations, n. 1-3, p. 421-424, 1961.
    [2] Sobre a questão, ver o balanço historiográfico de Ulpiano T. Bezerra de Meneses, A história da alimentação: balizas historiográficas, Anais do Museu Paulista - História e Cultura Material, São Paulo, v. 5, p. 10-11, jan.-dez. 1997.
    [3] Capistrano de Abreu, Três séculos depois, in: Capítulos de história colonial, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira; MEC, 1976, p. 189-213; Gilberto Freyre, Casa grande & senzala, 16. ed., Rio de Janeiro, Livraria José Olympio, 1973, p. 40-44, 454-461; Caio Prado Junior, Formação do Brasil contemporâneo, 12. ed., São Paulo, Brasiliense, 1972, p. 163, 159-161; Sergio Buarque de Holanda, Monções, 1. ed., São Paulo, Alfa-Ômega, 1976, p. 111-113, e Caminhos e fronteiras, São Paulo, Companhia das Letras, 1994, p. 156, 185 (1944).
    [4] Alguns estudos, porém, deram maior atenção às questões culturais, abordando inclusive a temática da alimentação. Ver, por exemplo, Maria Beatriz Nizza da Silva, Cultura e sociedade no Rio de Janeiro (1808-1822), São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1978, p. 3-20; Evaldo Cabral de Mello, Olinda restaurada: guerra e açúcar no Nordeste, 1630-1654, 2. ed., Rio de Janeiro, TopBooks, 1998, p. 269-271 (1975).
    [5] A alimentação aparece como tema complementar em alguns estudos, como, por exemplo, os de Glória Kok, O Sertão itinerante: expedições da capitania de São Paulo, século XVIII, São Paulo, Hucitec, 2005, p. 76, e Pedro Puntoni, A Guerra dos Bárbaros, São Paulo, Hucitec, 1998, p. 210-223.
    [6] Antonio Garrido Aranda, La revolución alimentaria del siglo XVI em América y Europa, in: Antropología y cocina: gastronomia de ida y vuelta, Jaén (Espanha), Dipuation de Jaén, 2005, p. 43-44.

  • Requerimento das quitandeiras sobre a proibição do juiz de fora de vender suas quitandas (gêneros vindo das hortas e das roças), em frente da casa da Câmara...

    Conjunto documental: Coleção de memórias e outros documentos sobre vários objetos
    Notação: códice 807, vol. 19
    Datas-limite: 1647-1880
    Título do fundo: Diversos códices - SDH
    Código do fundo: NP
    Argumento de pesquisa: produtos coloniais
    Ementa: requerimento das quitandeiras sobre a proibição do juiz de fora de vender suas quitandas (gêneros vindo das hortas e das roças), em frente da casa da Câmara, defronte ao mar, uma vez que anualmente tiram licença no Senado e pagam o devido foro para exercer suas atividades. De acordo com as requerentes, tal proibição lhes causaria gravíssimo prejuízo considerando não terem "outro lugar mais suficiente".
    Data do documento: 29 de maio de 1776
    Local: -
    Folha(s): -

    Conjunto documental: Cópia de cartas do Governador do Pará, João Pereira Caldas a Luís de Albuquerque de Melo Pereira Cáceres
    Notação: códice 100
    Datas-limite: 1771-1779
    Título do fundo: Secretaria de governo da capitania do Pará
    Código do fundo: 89
    Argumento de pesquisa: abastecimento
    Ementa: cálculo demonstrativo dos gêneros alimentares que circulavam na fronteira entre a América hispânica e as capitanias do Grão-Pará e Mato Grosso.
    Data do documento: 1772
    Local: s.l.
    Folha(s): 16v e 17

    Conjunto documental: Registro de cartas régias, provisões, alvarás, ordens régias, decretos e atos relativos ao Grão-Pará
    Notação: códice 101, vol. 01
    Datas-limite: 1769-17798
    Título do fundo: Junta da Real Fazenda da capitania do Pará
    Código do fundo: 4A
    Argumento de pesquisa: abastecimento
    Ementa: carta do mestre da Ribeira das Naus, José Clavine, enviada ao marquês de Angeja, homem da Câmara, pedindo ferramentas, materiais e víveres para terminar a construção de um navio, no porto de Belém do Pará. Entre os víveres solicitados constavam um barril de manteiga, dezoito queijos flamengos, uma canastra de aletria, uma arroba de açúcar, quatro alqueires de milho e seis quintais de bacalhau.
    Data do documento: 12 de novembro de 1778
    Local: Grão-Pará
    Folha(s): 138 a 140v

    Conjunto documental: Cópia de Postura do Senado da Câmara da Bahia
    Notação: códice 90
    Datas-limite: 1716-1716
    Título do fundo: Câmara de Salvador
    Código do fundo: 8G
    Argumento de pesquisa: alimentação.
    Ementa: postura do Senado da Câmara da Bahia que, dentre vários itens, determinava a quantidade e o preço de uma série de alimentos, como arroz, banana, laranja, carneiro, galinha, leite, peru, pombo, dentre outros; além de indicar as penas previstas nos casos de desrespeito a cada uma das determinações.
    Data do documento: 1785
    Local: Salvador
    Folha(s): -

    Conjunto documental: Registro de cartas régias, provisões, alvarás, ordens régias, decretos e atos relativos ao Grão-Pará
    Notação: códice 101, vol. 01
    Datas-limite: 1769-17798
    Título do fundo: Junta da Real Fazenda da capitania do Pará
    Código do fundo: 4A
    Argumento de pesquisa: produtos coloniais, sal
    Ementa: registro de aviso feito pelo deputado da Marinha e Armazéns Reais, d. Francisco de Souza Coutinho, em que manda espalhar cartazes em locais públicos informando sobre a venda de sal, promovida pela Fazenda Real, a 550 réis o alqueire.
    Data do documento: 21 de maio de 1791
    Local: Pará
    Folha(s): 196v e 197

    Conjunto documental: Ministério do Império - Casa Imperial - Fazenda de Santa Cruz
    Notação: caixa 507, pct. 01
    Datas-limite: 1783-1800
    Título do fundo: Fazenda Nacional de Santa Cruz
    Código do fundo: EM
    Argumento de pesquisa: produtos coloniais
    Ementa: relatório trienal dos alimentos que foram produzidos na fazenda de Santa Cruz e distribuídos para as capitanias e para seus moradores.
    Data do documento: 1791-1793
    Local: Rio de Janeiro
    Folha(s): -

    Conjunto documental: Registro de cartas régias, provisões, alvarás, ordens régias, decretos e atos relativos ao Grão-Pará
    Notação: códice 101, vol. 01
    Datas-limite: 1769-1778
    Título do fundo: Junta da Real Fazenda da capitania do Pará
    Código do fundo: 4A
    Argumento de pesquisa: produtos coloniais, charque
    Ementa: registro do ouvidor geral mandando embarcar para a vila de Chaves cem alqueires de sal e vinte e cinco salitres, sob o comando do alferes João de Medina Azevedo. Os produtos, a serem entregues ao diretor da vila, Lourenço de Almeida, se destinavam à fabricação de carne seca e salgada para sustentar as guarnições das embarcações, os destacamentos e a guarda da fronteira.
    Data do documento: 13 de outubro de 1794
    Local: Pará
    Folha(s): 225

    Conjunto documental: Registro da correspondência do vice-reinado para a Corte
    Notação: códice 69, vol. 08
    Datas-limite: 1798-1798
    Título do fundo: Secretaria de Estado do Brasil
    Código do fundo: 86
    Argumento de pesquisa: abastecimento
    Ementa: ofício do conde de Resende ao ministro e secretário de Estado dos Negócios da Marinha e Domínios Ultramarinos, d. Rodrigo de Souza Coutinho, sobre a falta de carne de vaca na cidade do Rio de Janeiro, devido à chegada da Esquadra da América, (enviada ao Brasil e comandada por Antônio Januário do Vale) e destacando a dificuldade em se adquirir tal gênero. Apresenta um projeto para melhorar essa situação, que consistia na compra e no beneficiamento das carnes no Rio Grande e em Santa Catarina, mostrando as vantagens que tal projeto traria para a Coroa, uma vez que essas duas províncias seriam as fornecedoras de carnes para a Armada Real e para a Esquadra, quando esta atracasse no porto do Rio de Janeiro.
    Data do documento: 6 de janeiro de 1798
    Local: Rio de Janeiro
    Folha(s): 2 e 2v

    Conjunto documental: Registro da correspondência do vice-reinado para a Corte
    Notação: códice 69, vol. 08
    Datas-limite: 1798-1798
    Título do fundo: Secretaria de Estado do Brasil
    Código do fundo: 86
    Argumento de pesquisa: produtos coloniais, sal
    Ementa: ofício do conde de Resende ao Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Marinha e Domínios Ultramarinos, d. Rodrigo de Souza Coutinho, em que informa acerca do estado em que se encontram os moradores da capitania do Rio de Janeiro e das outras centrais, devido à falta do sal, e os prejuízos decorrentes. Solicita a quebra do monopólio do sal para se instalar em Cabo Frio salinas, ressaltando os benefícios que a Coroa teria, assim como os colonos, e os motivos pelos quais o sal não estava chegando a esta capitania. Pede o envio de dois oficiais para tratar desses problemas, alegando que já era intenção da Coroa romper com o contrato do sal, uma vez que esta enviou Alexandre Inácio da Silveira para colher amostras de sal de todo o país.
    Data do documento: 28 de abril de 1798
    Local: Rio de Janeiro
    Folha(s): 36 a 38v

    Conjunto documental: Registro da correspondência do vice-reinado para a Corte
    Notação: códice 69, vol. 08
    Datas-limite: 1798-1798
    Título do fundo: Secretaria de Estado do Brasil
    Código do fundo: 86
    Argumento de pesquisa: produtos coloniais, sal
    Ementa: ofício no qual o conde de Resende informa ao Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Marinha e Domínios Ultramarinos, d. Rodrigo de Souza Coutinho, o envio ao governo do Rio Grande, no dia 16 de dezembro de 1798, da relação das carnes necessárias para alimentar a Esquadra da América, assim como da remessa de sal para salgá-las. No dia 4 de setembro de 1798 chegaram 25 barris e no dia 11 do mesmo mês 205 barris e uma barrica de carne, que foram estocados nos armazéns da Intendência da Marinha. No dia 21 do corrente mês foi constatado pelo chefe de Esquadra e Intendência da Marinha, José Caetano de Lima, que as carnes haviam entrado em putrefação, devendo ser lançadas ao mar o mais rápido possível. Adverte a necessidade de redigir relatório sobre o fato para o governo do Rio Grande que deveria tomar as medidas necessárias para corrigir as novas remessas. O conde se eximiu de culpa, pois visava o melhor para Coroa.
    Data do documento: 4 de novembro de 1798
    Local: Rio de Janeiro
    Folha(s): 82v a 83v

    Conjunto documental: Arsenal de Pernambuco
    Notação: XIIM-253
    Datas-limite: 1798-1809
    Título do fundo: Série Marinha
    Código do fundo: AX
    Argumento de pesquisa: abastecimento
    Ementa: portaria do intendente da Marinha, expedida ao escrivão-chefe do almoxarifado, Joaquim José Ramos, pedindo a padronização da pesagem dos gêneros secos, como feijão, arroz, farinha e qualquer vasilha que viesse com gêneros comprados. Esta portaria tinha por objetivo regularizar a armazenagem dos alimentos e a arrecadação da Fazenda nas novas intendências.
    Data do documento: 22 de abril de 1800
    Local: s.l.
    Folha(s): 9v e 10

    Conjunto documental: Arsenal de Pernambuco
    Notação: XIIM-253
    Datas-limite: 1798-1809
    Título do fundo: Série Marinha
    Código do fundo: AX
    Argumento de pesquisa: abastecimento
    Ementa: relação da Contadoria do Real Serviço, elaborada pelo escrivão Maximiano Francisco Duarte, dos gêneros necessários para a ilha de Fernando de Noronha: farinha de mandioca, azeite de carrapato, farinha do reino.
    Data do documento: 18 de julho de 1804
    Local: s.l.
    Folha(s): 90

    Conjunto documental: Arsenal de Pernambuco
    Notação: XIIM-253
    Datas-limite: 1798-1809
    Título do fundo: Série Marinha
    Código do fundo: AX
    Argumento de pesquisa: abastecimento
    Ementa: portaria da Junta da Real Fazenda ao Intendente da Marinha sobre os gêneros que são necessários para o abastecimento do presídio de Fernando de Noronha: 1 prensa grande com todos os seus pertences para a feitura de farinha; 1 dita pequena para a fatura de leite; 4 pilões de sucupira que sejam largos na circunferência; 2 barris de leite de peixe; 4 camadas de vinho tinto; 4 ditas de leite doce; 12 pratos e tigelas do Porto; 5 tigelas de barro.
    Data do documento: 31 de outubro de 1804
    Local: Recife
    Folha(s): 92

    Conjunto documental: Francisco Antônio de Almeida
    Notação: caixa 3633, proc. 19
    Datas-limite: 1805-1806
    Título do fundo: Inventários
    Código do fundo: 3J
    Argumento de pesquisa: habitação, utensílios de cozinha
    Ementa: inventário requerido por Luíza Maria dos bens de seu falecido marido Francisco Antônio de Almeida, onde, além de pratarias como garfos, facas e colheres, são divididos entre a viúva e os sete filhos os rendimentos pela venda de gêneros molhados, dentre os quais se destacam as 135 ditas de vinho no valor de 59$940 e duas pipas de aguardente com o valor de 32$000. A soma dos rendimentos pelos gêneros molhados foi de 293$525.
    Data do documento: 28 de agosto de 1805
    Local: Rio de Janeiro
    Folha(s): -

    Conjunto documental: Arsenal de Pernambuco
    Notação: XIIM-253
    Datas-limite: 1798-1809
    Título do fundo: Série Marinha
    Código do fundo: AX
    Argumento de pesquisa: abastecimento
    Ementa: requerimento de Joaquim José da Silva, mestre da sumaca Bonfim, de compra de vinte e três alqueires de farinha para o sustento da guarnição da referida embarcação.
    Data do documento: 12 de abril de 1806
    Local: Recife
    Folha(s): 111 e 111v

    Conjunto documental:Antônio José e Luzia Bernarda
    Notação: maço 119, proc. 2345
    Datas-limite: 1809 - 1834
    Título do fundo: Inventários
    Código do fundo: 3J
    Argumento de pesquisa: habitação, utensílios; produtos coloniais, aguardente
    Ementa: inventário feito por José Antônio da Motta Guimarães e Joaquim Francisco de Andrade, a pedido de Manuel José da Cunha, herdeiro de Antônio José e Luiza Bernarda. No balanço realizado na venda de Antônio José, os gêneros alimentícios encontrados foram: cento e trinta e cinco medidas de vinho, somando 76.680 réis; vinte e cinco ditas de cachaça, somando 5.825 réis; sete ditas de concertada no valor de 1.911 réis; meio quartilho de azeite, somando 150 réis; um quartilho de aguardente do reino por 320 réis; três ditas de vinagre por 1.200 réis; duas libras e meia de manteiga a 600 réis; quatro ditas de açúcar mascavo, somando 1.320 réis; um saco de farinha, somando 2.560 réis; uma dita de milho avaliada em 640 réis; meio quartilho de feijão a 150 réis; duas arrobas e meia de carne seca por 3.000 réis; cinco libras e meia de banha, somando 5.807 réis; doze libras de toucinho por 960 réis; dez queijos minas a 2.200 réis; dezessete réstias de alho, somando 620 réis; cigarros, café, cebola, limão, sabão totalizando 686 réis; um quarto de sal, somando 200 réis; um barril servido de manteiga de 80 réis; pão de 300 réis; uma dita de sal de 200 réis.
    Data do documento: 21 de fevereiro de 1809
    Local: Rio de Janeiro
    Folha(s): -

    Conjunto documental: Junta do comércio. Importação e exportação. Mapas de colônias portuguesas (Brasil e domínios) e de cônsules estrangeiros para Portugal.
    Notação: caixa 448, pct. 01
    Datas-limite: 1802-1822
    Título do fundo: Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação.
    Código do fundo: 7X
    Argumento de pesquisa: produtos coloniais, sal
    Ementa: mapa das importações e das exportações do porto de Santos, elaborado pelo juiz da Alfândega desta capitania, João de Souza Pereira Bueno, referente ao ano de 1810. Consta no documento a relação das mercadorias, quantidade e valor, negociadas nos portos do Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Rio Grande de São Pedro, entre outros nacionais, Porto, Ilha da Madeira e outros internacionais. Destacam-se a importação de 47.849 alqueires de sal, a maior parte vinda da Bahia e do Rio de Janeiro; e a exportação de 109.764 arrobas de açúcar, a maior parte vendida para o Rio de Janeiro e Rio Grande de São Pedro.
    Data do documento: 16 de maio de 1811
    Local: Santos
    Folha(s): 1 a 10

    Conjunto documental: Generalidades
    Notação: IJJ1 702
    Datas-limite: 1811-1811
    Título do fundo: Série Interior - gabinete do ministro
    Código do fundo: A6
    Argumento de pesquisa: alimentação
    Ementa: tradução da carta escrita por lorde Strangford ao conde de Linhares, solicitando permissão para Guilherme Fidoe comprar e matar anualmente um determinado número de cabeças de gado e carneiro para consumo dos ingleses que residiam no Rio de Janeiro.
    Data do documento: 26 de novembro de 1811
    Local: - Rio de Janeiro
    Folha(s): - 38

    Conjunto documental: Junta do comércio. Importação e exportação. Mapas de colônias portuguesas (Brasil e domínios) e de cônsules estrangeiros para Portugal.
    Notação: caixa 448, pct. 01
    Datas-limite: 1802-1822
    Título do fundo: Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação.
    Código do fundo: 7X
    Argumento de pesquisa: produtos coloniais, farinha
    Ementa: mapa das importações e das exportações da capitania de Pernambuco, elaborado pelo juiz da Alfândega, José de Pinho Borges, referente ao ano de 1811, em que consta a relação das mercadorias, quantidade e valor, negociadas nos portos do Rio de Janeiro, Bahia, Santos, Rio Grande do Sul, entre outros nacionais. Destacam-se a importação de 119.000 arrobas de carne seca, vindas do Rio Grande do Sul e 57.138 alqueires de farinha de pão, a maior parte vinda do Rio Real, Caravelas, Rio de Janeiro e Santos; e a exportação de 33.900 alqueires de sal, a maior parte vendida para o Rio Grande do Sul.
    Data do documento: 1 de março de 1812
    Local: Pernambuco
    Folha(s): -

    Conjunto documental: Ministério do Reino. Minas Gerais. Ofícios dos presidentes
    Notação: IJJ9 468
    Datas-limite: 1806-1813
    Título do fundo: Série Interior
    Código do fundo: AA
    Argumento de pesquisa: pecuária
    Ementa: ofício do conde de Palma dirigido ao conde de Aguiar notificando sobre a falta de gêneros de primeira necessidade em decorrência do "monopólio dos fazendeiros" ou "a se haverem afrouxado as Tropas" devido às más condições das estradas durante o rigoroso inverno.
    Data do documento: 19 de abril de 1813
    Local: Vila Rica
    Folha(s): doc. 20

    Conjunto documental: Registro de ordens e ofícios expedidos da Polícia aos ministros criminais dos bairros e comarcas da Corte e ministros eclesiásticos
    Notação: códice 329, vol. 02
    Datas-limite: 1812-1815
    Título do fundo: Polícia da Corte
    Código do fundo: ØE
    Argumento de pesquisa: produtos coloniais, charque
    Ementa: registro do ofício expedido a Manoel Pedro Gomes, juiz do crime do bairro da Sé, em que é mandado proceder, imediatamente, a um exame nas lojas para averiguar se o charque do Rio Grande se encontra em falta.
    Data do documento: 21 de julho de 1813
    Local: Rio de Janeiro
    Folha(s): 102

    Conjunto documental: Ministério do Reino. Maranhão. Correspondência do presidente da província
    Notação: IJJ9 129
    Datas-limite: 1788-1816
    Título do fundo: Série Interior
    Código do fundo: AA
    Argumento de pesquisa: Portugal, azeite
    Ementa: mapa das diversas mercadorias, gêneros e artigos importados pela capitania do Maranhão dos domínios portugueses e de reinos estrangeiros, elaborado pelo administrador da Alfândega Miguel Antonio dos Santos. Nessa relação constam os produtos importados de outras localidades da costa brasileira, como "cocos de comer", peixe seco e salgado, castanhas, cachaça e carne seca. Foram comprados da Europa: farinha de trigo, alho, azeitona, azeite, pimenta, canela licor, macarrão, marmelada, manteiga, biscoitos e cerveja.
    Data do documento: 1813
    Local: Maranhão
    Folha(s): 245
    Transcrito

    Conjunto documental: Registro de ordens e ofícios expedidos da Polícia aos ministros criminais dos bairros e comarcas da Corte e ministros eclesiásticos
    Notação: códice 329, vol. 02
    Datas-limite: 1812-1815
    Título do fundo: Polícia da Corte
    Código do fundo: ØE
    Argumento de pesquisa: abastecimento
    Ementa: registro do ofício expedido ao juiz de fora e presidente da Câmara, João Martins Pena, em que são cobradas providências em relação ao controle sobre o tamanho dos pães vendidos à população, que estavam muito pequenos. A cobrança foi dirigida diretamente à Câmara, responsável pelo envio das tabelas com os pesos e proporções aos padeiros da cidade.
    Data do documento: 6 de março de 1814
    Local: Rio de Janeiro
    Folha(s): 182v

    Conjunto documental: Ministério do Reino. Pernambuco. Correspondência do presidente da província
    Notação: IJJ9 241
    Datas-limite: 1785-1820
    Título do fundo: Série Interior
    Código do fundo: AA
    Argumento de pesquisa: produtos coloniais, frutas
    Ementa: carta de Caetano Pinto de Miranda Montenegro, governador e capitão geral de Pernambuco, enviada a d. Fernando José de Portugal e Castro, marquês de Aguiar, informa sobre o envio de cento e cinqüenta melancias a serem entregues no "quarto" do príncipe regente.
    Data do documento: 13 de janeiro de 1815
    Local: Engenho do Monteiro, Pernambuco
    Folha(s): 4, nº 4

    Conjunto documental: Ministério do Império - Casa Imperial - Fazenda de Santa Cruz
    Notação: caixa 507, pct. 02
    Datas-limite: 1801 - 1817
    Título do fundo: Fazenda Nacional de Santa Cruz
    Código de fundo: EM
    Argumento de pesquisa: comércio Rio de Janeiro
    Ementa: balanço dos rendimentos e despesas da feitoria da Serra em 1815, assinada por João Fernandes da Silva, primeiro administrador da fazenda de Santa Cruz. Entre os rendimentos somam-se alqueires de farinha, feijão, milho, (mamonas), galinhas, porcos, pastagens e ovos. Entre as despesas contam-se alqueires de farinha, feijão, arroz socado, milho, carne fresca, toucinho, sal, galinha, (mamonas), entre outras. O cálculo resulta em 48.345 réis de prejuízo.
    Data do documento: 31 de dezembro de 1815
    Local Rio de Janeiro
    Folha: -

    Conjunto documental: Ministério da Fazenda. Órgãos provinciais e estaduais. Espírito Santo
    Notação: 5F-590
    Datas-limite: 1815 - 1832
    Título do fundo: Diversos GIFI
    Código do fundo: OI
    Argumento de pesquisa: abastecimento
    Ementa: carta de José da Silva Vieira Rios declara que Joaquim Marinho da Silva entregou nos Armazéns Reais, aos cuidados do fiel Francisco da Rocha Fragoso (Tagarro), trinta e três medidas de aguardente para o abastecimento da abertura da estrada para Minas Gerais.
    Data do documento: 13 de janeiro de 1816
    Local: Vitória
    Folha(s): -

    Conjunto documental: Ministério da Fazenda. Órgãos provinciais e estaduais. Espírito Santo
    Notação: 5F-590
    Datas-limite: 1815 - 1832
    Título do fundo: Diversos GIFI
    Código do fundo: OI
    Argumento de pesquisa: abastecimento
    Ementa: carta de Manuel Afonso Muniz declara que vendeu para o grupo militar de Viana seis arrobas de carne seca ao preço de mil e seiscentos réis a arroba.
    Data do documento: 1 de fevereiro de 1816
    Local: Vitória
    Folha(s): -

    Conjunto documental: Junta do comércio. Importação e exportação. Mapas de colônias portuguesas (Brasil e domínios) e de cônsules estrangeiros para Portugal.
    Notação: caixa 448, pct. 01
    Datas-limite: 1802-1822
    Título do fundo: Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação.
    Código do fundo: 7X
    Argumento de pesquisa: produtos coloniais, sal
    Ementa: mapa das importações e das exportações do porto de Santos, elaborado pelo Juiz da Alfândega, João de Souza Pereira Bueno, referente ao ano de 1815, em que consta a relação das mercadorias, quantidade e valor, negociadas, entre outros, nos portos do Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Porto, Lisboa, Cabo Verde. Destacam-se a importação de 80.363 alqueires de sal, a maior parte vinda do Cabo Verde, Rio de Janeiro e Pernambuco; e a exportação de 87.239 arrobas de açúcar, a maior parte vendida para o Rio de Janeiro.
    Data do documento: 8 de abril de 1816
    Local: Santos
    Folha(s): 1 a 10

    Conjunto documental: Mordomia - Casa Imperial
    Notação: IJJ3 7
    Datas-limite: 1818-1853
    Título do fundo: Série Interior
    Código do fundo:
    Argumento de pesquisa: Real Ucharia
    Ementa: Provimentos da Real Ucharia para a nau S. Sebastião prontos no dia 26.2.1816. Na relação constam, entre outros gêneros, 72 ditas de champanhe, 2 ditos com queijo de Minas, 300 línguas salgadas, 40 sacas de farinha de pau, 120 arratéis de ameixas passadas, 12 barricas de biscoito doce, 3 ditos com cocos, 1 caixote com 1 caixote de marmelada e outro de goiabada, 1 barril de manteiga de vaca.
    Data do documento: 26 de fevereiro de 1816
    Local: Rio de Janeiro
    Folha(s): doc. 11

    Conjunto documental: Ministério da Fazenda. Órgãos provinciais e estaduais. Espírito Santo
    Notação: 5F-590
    Datas-limite: 1815 - 1832
    Título do fundo: Diversos GIFI
    Código do fundo: OI
    Argumento de pesquisa: abastecimento
    Ementa: recibo de Antonio Barbosa pelo fornecimento de farinha e carne aos índios que trabalharam na povoação de Viana no mês de abril de 1816.
    Data do documento: 22 de abril de 1816
    Local: Povoação de Viana
    Folha(s): -

    Conjunto documental: Junta do Comércio. Administração de bens - falecidos
    Notação: caixa 356, pct. 03
    Datas-limite:1813-1833
    Título do fundo: Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação
    Código do fundo: 7X
    Argumento de pesquisa: comércio no Rio de Janeiro
    Ementa: ofício no qual Antônio Dias da Costa, administrador dos bens do falecido Antônio Francisco da Rocha, pede licença para dispor dos bens do morto que são: uma pequena porção de carne seca e toucinho que este negociava.
    Data do documento: 29 de julho de 1817
    Local: Rio de Janeiro
    Folha(s):

    Conjunto documental: Resumo da balança geral do comércio do reino de Portugal com o Brasil, domínios e nações estrangeiras
    Notação: códice 731, vol. 01
    Datas-limite: 1816-1816
    Título do fundo: Negócios de Portugal
    Código do fundo: 59
    Argumento de pesquisa: Portugal, produtos, trigo
    Ementa: resumo do balanço geral das importações e exportações de Portugal com suas colônias e nações estrangeiras, elaborado pelo contador geral Maurício José Teixeira de Moraes. De acordo com o documento, Portugal exportou farinha, bolacha, bacalhau, queijo e vinho com o objetivo de suprir as carências do Brasil, decorrentes da escassez de colheitas e do aumento populacional. Quanto às nações estrangeiras, Portugal estabeleceu relações comerciais com a Inglaterra, a Rússia e os Estados Unidos, que importaram produtos como bacalhau, manteiga, queijo, carnes, drogas do sertão, vinhos, frutas e sal. Finalizando as observações, Teixeira de Moraes apresenta uma tabela contendo as exportações de vinho destinadas ao Brasil, domínios e nações estrangeiras após a Restauração de Portugal.
    Data do documento: 27 de setembro de 1817
    Local: s.l.
    Folha(s): -

    Conjunto documental: Junta do Comércio. Receitas e despesas da Junta
    Notação: caixa 399, pct. 03
    Datas-limite: 1817-1818
    Título do fundo: Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação
    Código do fundo: 7X
    Argumento de pesquisa: produtos coloniais, arroz
    Ementa: relação enviada por José Antônio Marques dos mantimentos comprados para os escravos da fábrica da fiação do algodão no mês de setembro. Dentre os mantimentos encontram-se: cinco arrobas de carne seca, duas arrobas de toucinho, um saco de feijão, um saco de arroz, quatro sacos de farinha e uma quarta de sal. O somatório dos preços destes alimentos chega a 32$800.
    Data do documento: 30 de maio de 1818
    Local: Rio de Janeiro
    Folha(s): -

    Conjunto documental: Coleção Cisplatina
    Notação: caixa 976
    Datas-limite: 1817-1819
    Título do fundo: Coleção Cisplatina
    Código do fundo: 1A
    Argumento de pesquisa: produtos coloniais, abastecimento
    Ementa: conferência mensal do diretor Antônio do Rego, recomendada pelo Regulamento do Hospital Militar de Montevidéu, em que foi colocado em pauta o cumprimento de certos deveres do hospital, visando à solução de problemas como a falta de galinha e aletria, base da dieta de alguns doentes, além da péssima qualidade da carne, que contribuía para o surgimento de algumas moléstias.
    Data do documento: 31 de julho de 1818
    Local: Montevidéu
    Folha(s): 12 e 12v, pct. 01

    Conjunto documental: Coleção de memórias e outros documentos sobre vários objetos
    Notação: códice 807, vol. 13
    Datas-limite: 1788-1845
    Título do fundo: Diversos códices - SDH
    Código do fundo: NP
    Argumento de pesquisa: produtos coloniais, carne verde
    Ementa: notícia escrita pelo juiz de fora do cível, Antônio Jourdan, sobre o provimento das carnes na Bahia. O juiz inicia a notícia descrevendo a criação da administração das carnes da Bahia, pelo marquês de Valença, então governador desta capitania, por portaria de 22 de março de 1783. Em seguida relata as ampliações feitas nesta administração por d. Rodrigo José Menezes, em 1784, e pelo conde da Ponte, em 1806, e o caminho percorrido pelo gado desde a sua saída do sertão do Piauí para a feira de Capoame, até a sua chegada aos currais da Bahia, onde eram abatidos, pesados e encaminhados para venda.
    Data do documento: 30 de dezembro do 1818
    Local: Bahia
    Folha(s): 41 a 44

    Conjunto documental: Coleção Cisplatina
    Notação: caixa 976
    Datas-limite: 1817-1819
    Título do fundo: Coleção Cisplatina
    Código do fundo: 1A
    Argumento de pesquisa: produtos coloniais, sal
    Ementa: mapa de alimentos existentes nos depósitos da Divisão de Voluntários Reais, elaborado por Antônio Gerardo de Menezes, no qual relaciona os seguintes itens: trigo, farinha de trigo, arroz, legumes, sal, bolacha, azeite, vinho, aguardente, grão, farinha de pau e toucinho.
    Data do documento: 30 de novembro de 1818
    Local: s.l.
    Folha(s): 70, pct. 01

    Conjunto documental: Junta do Comércio. Importação e exportação. Mapas de colônias portuguesas (Brasil e domínios) e de cônsules estrangeiros para Portugal
    Notação: caixa 448, pct. 01
    Datas-limite: 1802-1822
    Título do fundo: Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação
    Código do fundo: 7X
    Argumento de pesquisa: produtos coloniais, bacalhau
    Ementa: mapa das importações do porto de Santos junto à cidade de Lisboa, na qual constam os seguintes gêneros alimentícios: queijos flamengos, bacalhau, figo, passas, manteiga, macarrão, vinagre, azeite doce e sal.
    Data do documento: 1818
    Local: Rio de Janeiro
    Folha(s): -

    Conjunto documental: Coleção Cisplatina
    Notação: caixa 976
    Datas-limite: 1817-1819
    Título do fundo: Coleção Cisplatina
    Código do fundo: 1A
    Argumento de pesquisa: produtos coloniais, sal
    Ementa: relação dos objetos e víveres pertencentes ao Hospital Militar de Montevidéu elaborada por Luiz de França da Cruz Ferreira em que constam, além dos instrumentos e móveis necessários para o funcionamento do hospital no mês de dezembro, os seguintes alimentos: carne verde, toucinho, sal, manteiga, chocolate, açúcar, vinagre, marmelada, aletria, cabeças de alho, folhas de louro, farinha, feijão, biscoito e azeite de lobo.
    Data do documento: 6 de janeiro de 1819
    Local: Montevidéu
    Folha(s): 55 a 59, pct. 01

    Conjunto documental: Bahia. Ministério do Império. Correspondência do presidente da província, volume 12.
    Notação: IJJ9 328
    Datas-limite: 1819-1821
    Título do fundo: Série Interior
    Código de Fundo: AA
    Argumento de pesquisa: devassas
    Ementa: requerimento de Gervázio Pires Ferreira, enviado por Bernardo Teixeira de Coutinho Álvares de Carvalho a Tomás Antônio de Vilanova Portugal, pede que o rei decrete sua inocência na Revolução de Pernambuco. Porém, segundo consta na certidão inclusa do processo de devassa, o réu participou da revolução, oferecendo ao navio Espada de Ferro para conduzir mantimentos para a América Inglesa e para guardar caixas de açúcar dos fugitivos. Foi também responsável pela repartição da farinha e incumbido da compra de mantimentos para as embarcações de guerra.
    Data do documento: 2 de abril de 1819
    Local: Bahia
    Folha(s): 93 e 94v (v. 1)

    Conjunto documental: Coleção Cisplatina
    Notação: caixa 976
    Datas-limite: 1817-1819
    Título do fundo: Coleção Cisplatina
    Código do fundo: 1A
    Argumento de pesquisa: produtos coloniais, farinha
    Ementa: relação elaborada por Rodrigo José Ferreira Lobo dos materiais necessários para o suprimento de oitenta praças em viagem de noventa dias na embarcação Conde de Amarante, em que estão listados itens como farinha, legumes, aguardente, vinagre, toucinho, azeite, arroz e lenha.
    Data do documento: 14 de outubro de 1819
    Local: Montevidéu
    Folha(s): 36 e 36v, pct. 10

    Conjunto documental: Junta do Comércio. Navegação. Faróis
    Notação: caixa 438, pct. 02
    Datas-limite: 1820-1821
    Título do fundo: Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação
    Código do fundo: 7X
    Argumento de pesquisa: Portugal, produtos, bacalhau
    Ementa: relatório das despesas realizadas nas obras em andamento no farol da ilha Rasa, no Rio de Janeiro, incluindo a aquisição de bacalhau, destinado à alimentação dos trabalhadores.
    Data do documento: 16 de março de 1820
    Local: Rio de Janeiro
    Folha(s): -

    Conjunto documental: Bahia. Ministério do Império. Correspondência do presidente da província, volume 12.
    Notação: IJJ9 328
    Datas-Limite: 1819-1821
    Título do fundo: Série Interior
    Código do fundo: AA
    Argumento de pesquisa: produtos coloniais, frutas
    Ementa: nota de José Joaquim da Rocha Paranhos, mestre da sumaca Nossa Senhora da Vitória, em que se compromete a entregar na Ucharia Real quatro caixotes, com cerca de quatrocentas laranjas, destinados ao rei.
    Data do documento: 2 de agosto de 1820
    Local: Bahia
    Folhas(s): 85

    Conjunto documental: Junta do Comércio. Navegação. Faróis
    Notação: caixa 438, pct. 02
    Datas-limite: 1820-1821
    Título de fundo: Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação
    Código do fundo: 7X
    Argumento de pesquisa: Portugal, produtos, charque
    Ementa: tabela assinada por João Francisco de Macedo Leitão, escrivão da Arrecadação, contendo a relação dos materiais utilizados para a construção do farol na ilha Rasa e dos gêneros consumidos. Dentre os produtos adquiridos para provisão dos trabalhadores constam: arroz, toucinho, carne seca e fresca, feijão e hortaliças.
    Data do documento: 25 de agosto de 1820
    Local: Rio de Janeiro
    Folha(s): -

  • Balanço de importações e exportações de Portugal e seus domínios

    Resumo do balanço geral das importações e exportações de Portugal com suas colônias e nações estrangeiras, elaborado pelo contador geral Maurício José Teixeira de Moraes. De acordo com o documento, Portugal exportou farinha, bolacha, bacalhau, queijo e vinho para suprir as carências do Brasil, decorrentes da escassez de colheitas e do aumento populacional. Quanto às nações estrangeiras, Portugal estabeleceu relações comercias com a Inglaterra, a Rússia e os Estados Unidos, que importaram produtos como bacalhau, manteiga, queijo, carnes, drogas do sertão, vinhos, frutas e sal. Em anexo, Teixeira de Moraes apresenta uma tabela contendo as exportações de vinho destinadas ao Brasil, domínios e nações estrangeiras após a Restauração de Portugal.

    Conjunto documental: Resumo da balança geral do comércio do reino de Portugal com o Brasil, domínios e nações estrangeiras
    Notação: códice 731, vol. 01
    Datas-limite: 1816-1816
    Título do fundo: Negócios de Portugal
    Código do fundo: 59
    Argumento de pesquisa: Portugal, produtos, bacalhau
    Data do documento: 27 de setembro de 1817
    Local: s.l.
    Folha(s): - 

    Resumo da Balança Geral do Comércio[1] do Reino de Portugal com o Reino do Brasil[2], Domínios, e Nações Estrangeiras, No Ano de 1816.(...) 

    Vou portanto tratar da Balança Geral do Comércio do Ano de 1816 dividindo-a em duas partes: mostrando na Primeira o Comércio que fez este Reino com o do Brasil, e Seus Domínios, explicando os seus resultados, e o total de Importações, e Exportações: a Segunda parte compreende o Comércio com as Potências Estrangeiras, e conclui com as duas tabelas dos Câmbios, e Navios que entraram com carga pelas Barras de Lisboa, e Porto.

    Primeira Parte

    O Comércio deste Reino é balanceado com o Reino do Brasil (pelas suas Capitanias) em Segundo lugar com a Ásia, em Terceiro com a África (a), e em último com as Ilhas da Madeira, e Açores, e dos Saldos destas quatro Balanças que vão a f. 8, 9,10 e 11, formo a Balança Geral com o Brasil, e Domínios a f. 12, onde se vê sermos Credores de 4 Milhões 327 mil cruzados e 91$075 réis, saindo o Avanço, ou diferença da maior Exportação á Importação a razão de 12 por cento. `...]
    Dois foram os Artigos que aumentaram extraordinariamente a Exportação: Primeiro = Mantimentos = que pela carência, e necessidade de comestíveis a que tem chegado as Capitanias do Brasil, pelo aumento da sua População, e escassez de colheitas, convidaram os exportadores aos grandes fornecimentos de Farinha, Bolacha, (a) Bacalhau[3], Manteiga[4], Queijo[5], e Vinho[6], que montou a 8 Milhões de cruzados: o Segundo foi = Ouro e Prata em Moeda = que passou de 17 Milhões, quando nos anos passados andou por 2, a 5, e já em 1815 passou de 11 Milhões, compreendendo-se nos 17, quase 8 para os Portos da Ásia; isto é Manifestado.
    (a) Angola, Bissau, Cacheu, e Cabo Verde.
    (a) Bacalhau, Manteiga, e Queijo é pedido de todos os anos a Portugal com preferência ao que levam as Nações ao Brasil, pelo bom estado do seu preparo no acondicionamento.

    Segunda Parte

    Vou nesta Segunda parte mostrar o Comércio em resumo que fez Portugal com as Nações Estrangeiras, no mesmo ano de 1816.
    É balanceado este Reino com a Grande Bretanha, e seus Domínios, e sucessivamente com os Reinos de Castela, França, Rússia, Holanda, Suécia, Prússia, Dinamarca, Hamburgo, Itália, Estados Unidos, e Barbaria.`...]
    Inglaterra. Importou quase 25 Milhões: a saber em Mantimentos 8 Milhões, que se dividem 4 Milhões de Bacalhau, 2 e ½ de Manteiga, e Queijo, 1 e ½ de Farinha, Carnes, `sinal público] em Tecidos de Algodão 8 Milhões, em Manufaturas de lã 5, e em linho, Sedas, Metais, e Drogas[7] 4 `milhões]. A Exportação andou por 10 Milhões e meio, a saber 6 e ¾ de Produções do Reino, 1 de Gêneros Coloniais, e da Ásia; e mais de 2 e ½ de Mercadorias Estrangeiras reexportadas.`...]
    A França, a f. 19, Despachou nas Alfândegas[8] por entrada o valor somente de Um Milhão, e 196 mil cruzados, e Exportou mais de 6 Milhões, e nesta conformidade Somos Credores de quase 5 Milhões: Podemos dizer que este Avanço é para pagar o que nos introduziu clandestinamente em Mercadorias de luxo, perda real do Estado, e nos anos passados foi a Despacho o valor de 3, e 5 Milhões das suas Fazendas de Lei. Pede muita vigilância este Comércio.
    O Comércio da Rússia a f. 20: Importou 3 Milhões, e 891 mil cruzados, e levou o valor de um Milhão, e 132 mil cruzados em Vinhos, Frutas[9], e Sal[10], ficamos no Alcance de 2 Milhões, e 759 mil cruzados: Este Império sempre será Credor a Portugal, uma vez que precisamos dos seus linhos em rama, tecidos de lonas, Brins, e Massames, para uso da Marinha.
    A Praça de Hamburgo, a f. 25, vai aumentando o seu Comércio de Importação, e Exportação, neste ano foi a sua entrada o valor de 2 Milhões, e Exportou mais de 6 Milhões, em que se compreendem 5, e ½ de Gêneros Coloniais: esta Praça na Época passada, levou dos mesmos Efeitos 13, 14 e 20 Milhões de cruzados, e sempre éramos Credores.
    Depois da Paz geral de 1814[11], as Praças da Itália tem feito diretamente o seu negócio com Portugal, como o fazia nos tempos passados, e é constantemente sabido o sermos Credores, bem como sucedida com a Praça de Hamburgo: Neste Ano temos um Crédito de 4 Milhões, e 783 mil cruzados, provenientes dos Efeitos do Brasil, e Produções da Ásia.
    Os Estados Unidos da América a f. 27, Importaram 2 Milhões, e Exportaram Um Milhão, e 438 mil cruzados, ficamos Devedores de 723 mil cruzados: esta República fez a sua fortuna nos anos da Guerra, importando os seus Mantimentos no valor de 15, 32, e 34 Milhões de cruzados nesta Capital, e Porto, levando somente algum Vinho, Fruta e Sal em muito pouco valor, e realizando a sua venda a troco de Moeda Metal.
    O Comércio que fizemos com a Suécia, Dinamarca, Prússia, e Barbaria, não foi de consideração.`...]
    Julgo não ser incompatível dizer aqui o seguinte.
    Queixam-se os Negociantes das Praças de Lisboa, e Porto, não terem saída os Vinhos de Portugal no Brasil, e que este ramo de Comércio ativo vai aparecer: vemos de fato que a Exportação deste mesmo gênero, nos quatro anos mais próximos, tem ido sempre em aumento: deste resultado concluímos ser fictício o que alegam; e por isso lembro, que o Político deve conversar os Negociantes para adquirir certos conhecimentos, e poder deliberar maduramente; porém não deve adaptar os seus conselhos, sem os examinar com circunspeção, e grandes precauções.
    Contadoria da Superintendência Geral dos Contrabandos dos Reais Direitos a 27 de Setembro de 1817.
    O Contador Geral Maurício José Teixeira de Moraes. `sinal público]

    [1] As Balanças de Comércio de Portugal com seus domínios e nações estrangeiras foram mapas estatísticos criados pelo alvará de 20 de maio de 1774, durante o período pombalino, como parte das medidas modernizadoras do Estado português. Elas pretendiam formalizar um conjunto estatístico das importações e exportações de todo o reino, visando ao maior controle da economia. As primeiras foram elaboradas diretamente pelo marquês de Pombal, e constituem um conjunto que vai de 1796 a 1830. Parte destas estatísticas servia a estudiosos, como o geógrafo italiano Adriano Balbi, que elaborou os primeiros censos estatísticos de Portugal, nos quais fica demonstrada a grande dependência que Portugal tinha com o Brasil em termos econômicos e comerciais.
    [2] Instalada em sua colônia americana em consequência das guerras napoleônicas, a família real portuguesa viu-se em uma situação delicada depois do Congresso de Viena, cujas diretrizes expressavam o sentimento restaurador das velhas monarquias européias. Reafirmando a legitimidade dos antigos soberanos e velhos reinos europeus, o Congresso reconhecia apenas Portugal e sua capital, Lisboa, como par, o que deixava o monarca português vivendo nos trópicos em meio a um dilema. A saída para o dilema veio em 16 de dezembro de 1815, quando uma lei é editada elevando o Brasil a categoria de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Aparentemente, a solução apresentada pelo delegado francês no Congresso, Talleyrand, pretendia reforçar os laços entre Portugal e Brasil que, embora não mais uma simples colônia, continuaria atrelado à Coroa portuguesa. E, especificamente em um momento de restauração das antigas tradições das monarquias européias, defendia e legitimava a presença desta Europa reacionária em solo cada vez mais americano e republicano. Para as elites brasileiras - nativas ou por adoção - a elevação significou o fim do pacto colonial e de um status definitivamente inferior em relação à metrópole. Na prática, o tempo mostrou que esta medida seria um passo fundamental para a independência, pois no momento em que as elites portuguesas exigiram o retorno da família real e o rebaixamento do Brasil novamente à colônia, tal retrocesso mostrou-se impossível, e uma ruptura - não muito radical, já que manteve no poder um representante da família real portuguesa - acabou sendo inevitável.
    [3] O método de conservação do peixe fresco limpo e sem vísceras, com ou sem cabeça, por meio da salga é uma técnica, para impedir sua decomposição pela ação de microrganismos e manter seus nutrientes. O objetivo da secagem natural é extrair a água ainda presente no pescado após o término da salmoura, aumentando, assim, sua conservação. Depois o peixe era exposto ao ar e depositado sobre o solo pedregoso ou coberto com vegetal rasteiro, ou ainda exposto ao sol sobre tabuleiros ou estacaria de madeira. Hoje o termo "bacalhau" se refere mais a esse processo do que ao nome do pescado propriamente dito. Mas durante séculos o autêntico bacalhau era o Gadus morhua L salgado e seco cujos cardumes eram abundantes nas águas geladas do Atlântico Norte. Os povos noruegueses, dinamarqueses e suecos (vikings) foram os pioneiros na pesca do Gadus morhua conservado seco ao ar livre para ser consumido aos pedaços, bastante endurecidos, nas longas viagens marítimas que realizavam. Mas a comercialização do bacalhau em larga escala, iniciada por volta do ano 1000, pelos bascos só foi possível graças ao conhecimento que possuíam da técnica de conservação de salga e secagem. Foi na Espanha, no século XVI, que surgiu o termo "bacalao" para designar o peixe Gadus morhua. O bacalhau chegou ao Brasil trazido pelos portugueses, que o consumiam durante as longas travessias marítimas. No início do século XIX, com a chegada da corte seu consumo se difundiu entre os brasileiros. Alimento barato se incorporou facilmente à dieta alimentar dos brasileiros principalmente nos dias santos, feriados e às sextas-feiras. Em 1843, ocorreu a primeira exportação oficial de bacalhau da Noruega para o Brasil. Vendido a preços acessíveis, se tornou um alimento popular até que a pesca indiscriminada reduziu drasticamente seus cardumes, inviabilizando seu consumo pela população. Vários outros peixes diferentes e inferiores passaram a ser assim chamados, vendidos salgados e curados: Cod Gadus Macrocephalus (o bacalhau do Pacífico), o Saithe (o escamudo dos portugueses), o Ling e o Zarbo.
    [4] Embora a palavra manteiga possa se referir a vários compostos de gordura e água (manteiga de amendoim, manteiga de jabuti − comum no interior do Brasil na época colonial −, manteiga de cacau), o termo sozinho designa o produto derivado do leite de vaca. Surgida cerca de 3.000 anos antes de Cristo, era utilizada por gregos e romanos como unguento ou medicamento de uso externo. Ingrediente fundamental na culinária portuguesa, em especial nos doces e sobremesas, a manteiga durante muito tempo foi artigo raro no Brasil colônia, mesmo entre as elites. A manteiga consumida no Rio de Janeiro no início do século XIX ainda era rançosa, do tipo vermelha importada da Inglaterra e precisava ser lavada antes do consumo.
    [5] Produto derivado do leite (da vaca, de cabra, ovelha, búfala ou outro animal), o queijo surgiu há milênios, e atualmente é consumido sob uma enorme variedade de formas, texturas, gostos, consistências, preço. No Brasil, a primeira queijaria surgiu na Bahia em 1581. No entanto, até o século XIX, não era muito disseminado na região − segundo o padre José de Anchieta, o queijo era "um alimento só para os ricos." A exceção ocorria Minas e regiões vizinhas, e assim como a manteiga, muitas vezes era consumida em um estado já rançoso. Um dos maiores problemas para a sua produção na época colonial era a escassez de sal, que chegava importado de Portugal e alcançava aqui preços proibitivos. Apenas no início do século XIX, a presença da nobreza portuguesa e os hábitos trazidos por ela ajudaram a baratear e popularizar o queijo, indispensável nas mesas mais abastadas.
    [6] Bebida alcoólica resultante da fermentação do sumo das uvas (mosto), que contém grande concentração natural de açúcares, em contato com leveduras existentes na casca do fruto. O primeiro registro sobre a existência de um vinhedo cultivado data do ano 7.000 a.C. e se situava na região da Europa oriental e costa do mar Negro. Depois o plantio da vinha chegou ao Egito, à Grécia e partes da Europa. A utilização do vinho nos sacramentos cristãos garantiu a sobrevivência da viticultura no período medieval: foi em torno das catedrais e dos mosteiros que os monges aperfeiçoaram a viticultura europeia a partir do emprego de castas de uvas especiais e da melhoria das técnicas. Isto resultou num produto de melhor qualidade, permitindo sua comercialização no final desse período. Portugal possuía longa tradição vinícola. No século XVIII, Portugal exportava quantidade significativa de vinho do porto e madeira para o mercado inglês. Nesse mesmo período, a produção vinícola das províncias do norte começava a se destacar suplantando a produção do vinho fortificado, assemelhado ao do porto, produzido na Ilha da Madeira. No início da colonização, havia no Brasil uma produção significativa de vinho em São Paulo que foi proibida para não prejudicar o comércio de importação do vinho português. O vinho era a bebida consumida pela elite colonial que o apreciava também devido às suas qualidades terapêuticas. Foi bastante considerável o volume de comércio de importação do vinho português para o Brasil. A Coroa portuguesa garantiu o mercado colonial para seu produto concedendo à Companhia de Comércio (1649) o monopólio da sua importação (produto estancado). O vinho chegou mesmo a ser usado como moeda no início do tráfico de escravos, mas acabou substituído pela cachaça já no século XVII, produto mais barato, de maior durabilidade e aceitação na África.
    [7] A necessidade do uso de especiarias e outros gêneros na alimentação e conservação foi um dos motores das grandes navegações no século XVI, em busca de novos caminhos para o Oriente e de terras onde se pudessem explorar essa e outras riquezas. As então chamadas "drogas" eram "todo o gênero de especiaria aromática; tintas, óleos `...]", conforme o dicionarista Morais e Silva em 1798 (baseado na definição de Raphael Bluteau), e ficaram conhecidas na historiografia brasileira como drogas do sertão ou do mato, produtos nativos ou aclimatados, vindos do norte da colônia, onde se localizam atualmente os estados do Amazonas, Pará e Maranhão. Na prática, referiam-se a especiarias, castanhas, frutas, ervas, sementes, tintas e também animais originários da Amazônia. O início da exploração das drogas no Brasil combinou a necessidade de Portugal conter o avanço de estrangeiros nas colônias do norte e recuperar o comércio de especiarias, a esta altura interrompido com o Oriente, aclimatando espécies de outros continentes no Brasil e colhendo as nativas que poderiam substituir as tradicionais. Apoiada mais na extração do que no cultivo, a produção de drogas floresceu no norte e tornou-se a atividade econômica mais importante da região, apoiada em mão-de-obra indígena, e até 1759, controlada pela Companhia de Jesus. Foi das trocas com as populações autóctones que os portugueses tiraram o conhecimento das drogas e aprenderam a usá-las na alimentação. Belém foi a base para o escoamento da produção e para o comércio com o restante da colônia e com a metrópole, sendo que muitas vezes não eram vendidas, mas trocadas por outros produtos inexistentes no local. Durante a governação Pombalina foi criada a Companhia Geral do Grão-Pará e Maranhão (1755) com a finalidade de impulsionar e controlar melhor a extração e o comércio das drogas, bem como introduzir novas culturas no Norte/Nordeste, como o arroz e o algodão. Apesar do progresso obtido com a Companhia, acabou extinta em 1777 durante o reinado mariano, trazendo um período de declínio para a produção dos gêneros. As drogas do sertão tiveram um papel importante na alimentação e no paladar dos habitantes da colônia, combinando produtos da terra com ingredientes e receitas vindas da Europa, e criando uma culinária própria, mistura de hábitos indígenas, africanos e europeus. Entre os alimentos nativos destacavam-se o peixe boi, muito apreciado pela carne e pela gordura, e a tartaruga e seus ovos, considerados iguarias, e que forneciam um tipo de manteiga, artigo raro na colônia. As drogas que se tornaram mais conhecidas e foram mais amplamente consumidas eram as variadas pimentas, as castanhas, o urucum, o gengibre, a salsaparrilha, o cacau e os animais − entre as nativas −, e o cravo, a canela, a urzela e o anil, que se adaptaram bem em terras brasileiras.
    [8] Organismo da administração fazendária ou Fazenda responsável pela arrecadação e fiscalização dos tributos provenientes do comércio de importação e exportação. Entre 1530 e 1548 não havia uma estrutura administrativa fazendária, somente um funcionário régio em cada capitania, o feitor e o almoxarife. Porém, com a implantação do governo-geral em 1548, o sistema fazendário foi instituído no Brasil com a criação dos cargos de provedor-mor - autoridade central - e de provedor, instalado em cada capitania. Durante o período colonial foram estabelecidas casas de alfândega, que ficaram sob controle do Conselho de Fazenda até a criação do Erário Régio em 1761, que passou a cobrar as chamadas "dízimas alfandegárias". Estas, no entanto, mudaram com a vinda da Família Real em 1808 e a consequente abertura dos portos brasileiros. Por esta medida, quaisquer gêneros, mercadorias ou fazendas que entrassem no país transportadas em navios portugueses ou em navios estrangeiros (que não estivessem em guerra com Portugal) pagariam por direitos de entrada 24%, com exceção dos produtos ingleses que pagariam apenas 15%. Os chamados gêneros molhados, por sua vez, pagariam o dobro desse valor. Quanto à exportação, qualquer produto colonial (com exceção do pau-brasil ou outros produtos "estancados") pagaria nas alfândegas os mesmos direitos que até então vigoravam nas diversas colônias.
    [9] Desde os relatos dos primeiros cronistas, as plantas e frutos encontrados no Novo Mundo foram valorizados pela sua variedade e abundância. Se por um lado o colonizador português procurou transpor para os trópicos nomes e usos conhecidos na Europa, simultaneamente interessou-se pelo uso que as populações indígenas faziam das espécies nativas. Consumidas ao natural pelos índios, as frutas eram transformadas pelos colonos, com o açúcar de cana, em refrescos, doces e frutas secas, conforme as tradições portuguesa e árabe. Além das espécies nativas, de vários pontos do Império e do reino vieram a bordo das expedições sementes ou propágulos (elementos para a propagação vegetativa) de frutas que atendiam ao gosto dos portugueses. Em Notícia do Brasil, Gabriel Soares de Sousa cita figueiras, romeiras, laranjeiras, as limas doces, cidreiras, limões franceses, as palmeiras, tamareiras, e no início do século XVIII uma relação de frutas "estrangeiras" é apresentada por Sebastião da Rocha Pitta, tais como pêssegos, marmelos, pêras, uvas, melancias, melões. Objeto do interesse de viajantes naturalistas e de artistas, as frutas tropicais, muitas de origem americana, foram representadas como naturezas-mortas, ou em desenhos científicos, visando a sua classificação e denominação científica. Destacaram-se o abacaxi ou ananás, (Ananás comosus (L) Merril) da família das bromeliáceas, definido em princípio do século XVII como "a melhor fruta desta terra" por frei Cristóvão de Lisboa; o cacaueiro (Theobroma cacao L.), da família das Esterculiáceas, cujas primeiras tentativas de cultivo no Brasil só ocorreram no nordeste em meados do século XVII; o cajueiro (Anacardium occidentale L.), da família das Anacardiáceas, que tem em André Thevet (1558) a mais remota menção, e ainda os Maracujazeiros, pertencentes ao gênero Passiflora, da família das Passifloráceas, que compreende mais de 400 espécies, a maioria de origem na América tropical e das quais pelo menos sessenta dão frutos comestíveis, como assinala José E. Mendes Ferrão autor de A aventura das plantas e os Descobrimentos portugueses (2005). A chegada da corte de d. João ao Rio de Janeiro deu lugar a uma maior influência europeia nos costumes alimentares: nesse caso doces de ginja, damasco, pêra, pêssego, figo e frutas conservadas em aguardente disputaram as preferências com goiabas, melancias, e as mais populares entre as camadas pobres da colônia, as asiáticas bananas e laranjas.
    [10] Desde o início da colonização, índios que habitavam o litoral e os jesuítas retiravam o sal do mar para consumo com alimentos. Durante a ocupação holandesa em Pernambuco, foram descobertas salinas de grande rendimento, o que provocou uma medida da metrópole que proibiu em 1665 a extração de sal no litoral brasileiro, com a intenção de evitar a concorrência com o sal metropolitano, produto estancado e comercializado somente pelo governo português, monopólio régio estabelecido em carta régia de 28 de fevereiro de 1690. No século XVIII foi permitida a produção de sal em Pernambuco, em Cabo Frio e no Rio Grande, mas este não poderia ser comercializado internamente entre as capitanias - seria apenas para o consumo das áreas produtoras, enquanto as outras regiões da colônia precisavam comprar o sal que vinha de Portugal. A interiorização dos sertões e o crescimento da população colonial iniciados com a busca do ouro nas minas gerais, aumentou a demanda de consumo levando à escassez e carestia no preço do produto. A capitania que mais sofria com a falta de sal era a de São Vicente, onde ocorreram diversos conflitos pelo produto. Essa situação foi ficando insustentável o que levou a assaltos aos armazéns das Alfândegas, onde se guardava o sal extraído para ser enviado a Portugal, e que não podia ser vendido internamente. O produto era extremamente importante para as regiões do interior da colônia onde havia pecuária e produção de charque e carnes salgadas, sendo considerado mesmo uma riqueza pois possibilitava a conservação de carnes e  peixes, essencial para a alimentação. O abastecimento de sal ao longo do XVII e XVIII foi um constante ponto de atrito entre as autoridades régias e os colonos, e acabou levando ao alvará de 1801, que extinguiu definitivamente o monopólio do sal.
    [11] Em setembro de 1812 Napoleão Bonaparte ocupa a capital russa, Moscou, certo de que seria o primeiro passo para uma dominação sobre o Império czarista. No entanto, o czar Alexandre recusa a rendição, e os invasores franceses logo se viram em uma cidade abandonada por seus habitantes e deliberadamente queimada por eles. Com sérios problemas de abastecimento e escassez crônica de víveres, encurralado pela chegada iminente do inverno, o exército francês não tem outra saída a não ser a retirada em uma situação cada vez pior: a saída deu-se com as armas inimigas em seu encalço. A perseguição se estendeu por meses a fio, e enquanto o exército russo atravessava a Europa Oriental e Central a caminho da França, uma aliança de apoio começou a se formar, liderada pela Áustria e Prússia e com o apoio da Grã-Bretanha. Assolados pelo frio e pela fome, perseguidos pelos inimigos russos, os soldados chegam de volta à pátria em reduzido número, esfomeados e maltrapilhos. Em março de 1814, o exército de Alexandre entra em Paris e sela o desastre bonapartista. Apesar do seu breve retorno durante alguns meses no ano seguinte, a era de guerras e política imperialista promovidas pelo monarca francês chegava ao fim. Napoleão Bonaparte parte para o exílio na ilha de Elba, de onde ele sairia no ano seguinte para tentar retomar seu império. O período de ilusão durou cem dias, interrompido pela derrota em Waterloo diante dos britânicos, depois da qual ele partiria para seu último exílio na ilha de Santa Helena. A Aliança formada em torno da Rússia atuou no Congresso de Viena, iniciado em setembro de 1814, tomando para si a tarefa de "reconstruir a Europa," muito nos moldes do que havia antes da ascensão de Napoleão. O objetivo mesmo do Congresso era o de reestruturar as relações entre os diversos estados europeus, incluindo aí suas colônias, políticas comerciais, e a questão do tráfico de escravos africanos. O tom do Congresso, como não podia deixar de ser, era abertamente conservador. As nações mais apegadas às fórmulas do Antigo Regime (Portugal, então metrópole do Brasil, entre elas) apostaram em um recuo das ideias liberais e no fortalecimento do colonialismo. Contudo, se uma onda conservadora varreria a Europa, ela não foi capaz de impedir o desenvolvimento e o avanço do liberalismo político por muito tempo, e muito menos o de conter o movimento de libertação das antigas colônias, em especial, na Américas. O colonialismo ganharia outras feições, teria outros senhores a comandar de forma diferente antigos territórios, mas o modelo ibérico encontrava-se esgotado.

    Carta de lorde Strangford ao conde de Linhares

    Cópia da carta de lorde Strangford, representante da coroa britânica no Brasil, ao conde de Linhares, d. Rodrigo de Souza Coutinho, na qual solicita plenos poderes a Guilherme Tidoe, para que este possa comprar, criar e matar 240 cabeças de gado e 600 de carneiro, a fim de fornecer a carne necessária ao consumo dos ingleses que residiam no Rio de Janeiro.

    Conjunto documental: Generalidades
    Notação: IJJ1 702
    Datas-limite: 1811-1811
    Título do fundo: Série Interior - gabinete do ministro
    Código do fundo: A6
    Argumento de pesquisa: alimentação
    Data do documento: 26 de novembro de 1811
    Local: Rio de Janeiro
    Folha (s): 36-37

    Leia o documento na íntegra

    Cópia
    Meu caro conde de Linhares[1]

    O portador desta carta é o homem a quem os ingleses aqui residentes escolheram para lhes darem carne. Eu rogo a vossa excelência que se lembre quanto é essencial para os ingleses a boa carne assada[2]. Sem ela nós não podemos viver. Portanto se vossa excelência não nos socorre, morremos de fome, e então adeus comércio[3].
    O que peço a vossa excelência, seriamente, é um aviso para dar poder a este homem, a fim de obrar conforme as expressas estipulações da nossa convenção; isto é para matar 240 cabeças de gado[4], e 600 de carneiro, e comprá-los no sítio em que quiser, sem algum empecilho do Rangel. Este homem Guilherme Tidoe está pronto a pagar os direitos no primeiro dia de cada mês, se for assim necessário. Ele comprou um pedaço de terreno, onde intenta engordar o gado à inglesa.
    Suplico a vossa excelência da maneira mais viva a dar uma plena execução a nossa convenção sobre a carne de vaca. Tende compaixão dos nossos estômagos, e da carne de defunto do senhor Rangel, libera nos domine. = de vossa excelência = fidelíssimo, e afeiçoado criado e amigo. = Strangford[5].

    My dear Count de Linhares,

    The bearer of this letter is the man whom the English residents here have selected to kill meat for them. I beseech your Excellency to recollect how essential good roast beef is to Englishmen. We cannot live without it; therefore if your Excellency does not help us, we must die of hunger, and then, adieu commerce!
    Seriously what I ask of your Excellency is an aviso empowering this man to act according to the express stipulations of our agreement, to kill 240 head of cattle, and 600 sheep, and to buy them in the country  where he pleases, without any impediment from Rangel, this man William Tidoe, is ready to pay the duties on the first day of every month, if it should be so required. He has bought a piece of ground where he means to fatten the cattle à l'anglaise.
    I beseech you in the most `?] manner to give a full execution to our convention about the beef.
    Ayez pitié de nos estomacs, et de la charogne de M. Rangel, Libera nos Domine!

    De votre
    Le très fidèle et `?] et amie

    Strangford

     

    [1] D.Rodrigo Domingos de Souza Coutinho Teixeira de Andrade Barbosa, conde de Linhares. (1755-1812) .Estadista português, foi aluno do Colégio dos Nobres e da Universidade de Coimbra, afilhado de Sebastião José de Carvalho e Melo, 1º marquês de Pombal que conduziu a política reformista de d. José I, d. Rodrigo frequentou círculos intelectuais europeus na França e na Suíça. Exerceu diversos cargos políticos - como o de embaixador em Turim - regressando a Portugal para assumir a pasta da Marinha e Domínios Ultramarinos (1796-1801), e o lugar de presidente do Real Erário (1801-3) até a sua vinda para o Brasil em 1808, quando foi nomeado secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra permanecendo no posto até 1812. Considerado um homem das Luzes, destacou-se por suas medidas visando à modernização e o desenvolvimento do Reino. D. Rodrigo aproximou-se da geração de 1790, vista como antecipadora do processo de Independência e foi o principal idealizador do império projeto luso-brasileiro no qual a centralidade caberia ao Brasil. Sob o seu ministério, o Brasil adquiriu novos contornos com a anexação da Guiana Francesa (1809) e da Banda Oriental do Uruguai (1811). Preocupado com o desenvolvimento econômico e cultural, bem como com a defesa do território, Souza Coutinho foi um partidário da influência inglesa no Brasil, patrocinando a assinatura dos chamados "tratados desiguais" de que é exemplo o Tratado de Aliança e Comércio com a Inglaterra (1810). Responsável pela criação da Real Academia Militar (1810), foi ainda inspetor geral do Gabinete de História Natural e do Jardim Botânico da Ajuda; inspetor da Biblioteca Pública de Lisboa e da Junta Econômica, Administrativa e Literária da Impressão Régia; conselheiro de Estado; Grã-Cruz das Ordens de Avis e da Torre e Espada. 
    [2] No original em inglês, roast beef. Corte de carne bovina, geralmente lagarto ou contrafilé, assado no forno no ponto de ficar cozido por fora e malpassado no interior, para ser fatiado e servido acompanhado de batatas ou legumes cozidos. Típico da culinária inglesa, e também de suas colônias, na Grã-Bretanha é considerado o prato de domingo. Ganhou uma versão nacional, o rosbife, e na cópia da carta foi traduzido como carne assada.
    [3] Mesmo auferindo inúmeras vantagens com a abertura dos portos às nações amigas de 1808, somente dois anos depois, com o Tratado de Navegação e Comércio, que os ingleses alcançaram uma exclusividade nas relações comerciais com o Brasil. Este tratado concedia aos ingleses o direito de possuírem um porto na ilha de Santa Catarina, ponto de apoio para o comércio com Buenos Aires, além de reduzir para 15 % os direitos aduaneiros sobre mercadorias inglesas, taxa menor que a de Portugal. Outro importante artigo do tratado estipulava que os ingleses tivessem livre e irrestrita permissão para comprar e vender em quaisquer portos de Portugal e de seus domínios.
    [4] A introdução da pecuária no Brasil deu-se no século XVI na capitania de São Vicente, seguindo logo depois para a Bahia. No período colonial, esteve relacionada à produção açucareira, no litoral nordestino, e à mineração, favorecendo a ocupação do interior do Brasil. Devido aos danos que o gado provocava na lavoura, surgiram conflitos entre pecuaristas e plantadores de cana, o que levou à carta régia de 1701 que estipulava uma distância de 10 léguas entre as plantações e o pasto. O gado, além de servir para alimentação, também entrava no ciclo produtivo da cana, na medida em que servia de transporte e força de tração. No Rio Grande do Sul, estâncias reais foram criadas em 1737 para a criação do gado, mas depois de algum tempo tal empresa tornou-se dispendiosa devido à redução do número de vacas, ocasionada pelo abate irregular. Chegou a ser proposta como solução a criação de ovelhas que seriam utilizadas de diferentes maneiras e diminuiriam a mortandade do gado. Com o estabelecimento dos ingleses nas grandes cidades do litoral brasileiro a partir da abertura dos portos, foi desenvolvido o gosto pelo gado inglês (Durham, Hereford, Polled Angus).
    [5] Percy Clinton Sydney Smith (1780-1855), sexto visconde de Strangford em 1801 - foi o enviado britânico que negociou diretamente com D. João VI a proposta de transferência da corte portuguesa para o Brasil. Cumprindo os interesses britânicos, trabalhava secretamente pela independência das colônias espanholas. Negociou junto ao conde de Linhares os tratados de 1810, também conhecidos como tratado ou convênio Linhares-Strangford. Por sua constante intromissão em assuntos de administração da colônia, perdeu prestígio junto ao príncipe regente, sendo nomeado, em março de 1817, para servir em Estocolmo como representante da coroa britânica. O cônsul geral Henry Chamberlain assumiu o posto junto a d. João VI até a chegada do substituto de Strangford, o então representante inglês na Suécia, Edward Thornton. Dado à literatura, chegou a publicar, em 1803, um livro com traduções para o inglês de poemas de Luís de Camões.

    Mapa das importações da capitania do Maranhão

    Mapa dos produtos alimentares – aguardente, azeite, cerveja, manteiga etc. – importados dos domínios portugueses, de Lisboa, do Porto e da Inglaterra pela capitania do Maranhão, no ano de 1813, elaborado por João José Moraeslio, administrador da alfândega.

    Conjunto documental: Ministério do Reino. Maranhão. Correspondência do presidente da província
    Notação: IJJ9 129
    Datas-limite: 1788-1816
    Título do fundo: Série Interior
    Código do fundo: AA
    Argumento de pesquisa: Portugal, azeite
    Data do documento: 1813
    Local: Maranhão
    Folha(s): 245

    Mapa ou relação das diversas mercadorias, gêneros e artigos importados dos domínios portugueses e de diferentes reinos estrangeiros nesta capitania do Maranhão [1] no ano de 1813 conforme os despachos feitos na respectiva alfândega.

    Da Costa do Brasil até o Rio Grande do Sul

    Produtos

    Quantidades

    Peso / Medida

    Preço

    Importância

    Aguardente [2] Cachaça do Pará

    263 pipas

    14 barris

    70#000

    18:578#000

    Açúcar [3]

    181 caixas
    14 faixo

    11702@
    327 barricas

    2#000

    20:501#550

    Carne Seca [4]

    480 peças

    16.496 ditas

    1500

    24:744#000

    Chocolate [5]

    "

    6 arrobas

    6400

    38#400

    Cocos de comer

    18.093

    "

    30

    542#790

    Ditos de beber água

    200

    "

    30

    6#000

    Guaraná do Pará [6]

    "

    32 arrobas

    25#600

    824#800

    Peixe Seco e Salgado

    "

    4100@

    1200

    4:920#000

    Toucinho [7]

    "

    423@

    3#200

    1:353#000

    Lisboa

    Produtos

    Quantidades

    Peso / Medida

    Preço

    Importância

    Azeite doce [8]

    31 1/2 pipas

    "

    180.000

    5.670#000

    Bacalhau [9]

    274 barricas

    249 ditos

    8000

    1:994#000

    Bolacha e Biscoito

    3302 barris

    138099@

    1600

    22:086#000

    Marmelada em Bocetas e caixas

    "

    159 ditas

    9600

    1.531#000

    Massas aletria e macarrão

    116 volumes

    212 arrobas

    3200

    678#400

    Presuntos

    "

    149 @ 25 alt

    9000

    1:348#031

    Vinho [10]

    600 ditos e 6 ditos

    "

    100.000

    60:020#000

    Porto

    Produtos

    Quantidades

    Peso / Medida

    Preço

    Importância

    Azeitona

    457 ancoretas

    "

    1200

    548#400

    Farinha do Norte

    1135 barricas

    6537@

    200

    1:374#000

    Figo

    "

    77@

    3200

    246#400

    Vinagre

    3 pipas e 3 almoedas

    "

    50.000

    155#000

    Vinho

    452 pipas

    "

    110:000

    5:005#000

    Inglaterra

    Produtos

    Quantidades

    Peso / Medida

    Preço

    Importância

    Farinha de Trigo

    219 barricas

    234993 @

    8000

    1:878#000

    Manteiga [11]

    2109 barris

    120.368

    240

    28:888#320

    Queijos londrinos e de pinha

    672

    212@26

    6400

    1:362#000

    Garrafas de Cerveja[12]

    1654 dúzias

    "

    2000

    3:290#000

    Vinagre

    1 pipa

    26 almoedes

    1700

    2:874#700

    O Administrador da Alfândega
    João José Moraeslio"


    [1] A capitania do Maranhão originou-se do sistema de capitanias hereditárias implantado por d. João III em 1534. Situada no norte do Brasil, sua colonização coube ao tesoureiro e cronista João de Barros. Em 1612, aconteceu a expedição francesa comandada por Daniel de la Touche, senhor de la Ravardière, destinada à criação da França Equinocial. Os franceses construíram na região o forte e vila de São Luís, batizados com este nome em homenagem ao seu rei Luís XIII (1601-1643), originando a cidade que se tornaria a capital do Maranhão. A capitania foi retomada pelos portugueses em 1615. Ainda no século XVII, o Maranhão mostrou-se uma região relativamente lucrativa para o comércio internacional, dada a presença das chamadas drogas do sertão e de alguns produtos agrícolas bastante valorizados para fins de exportação.
    [2] Bebida derivada da fermentação e destilação do caldo ou do melaço da cana-de-açúcar, conhecida também como jeribita, cachaça, vinho de mel, ou ainda garapa azeda. Foi introduzida no Brasil pelos primeiros colonizadores portugueses, surgindo como subproduto dos engenhos de açúcar. Destinada inicialmente ao consumo local, ficou conhecida por muito tempo como bebida de escravo. Entretanto, pelo altíssimo teor alcoólico e baixo preço em relação ao vinho português, sua venda disseminou-se não só na América, como também em outras colônias portuguesas, de maneira que no século XVII já era utilizada como moeda de troca na compra de escravos na costa africana. A concorrência com a produção das Antilhas no Seiscentos fez despencar o preço do açúcar brasileiro no mercado internacional, forçando a procura por outros gêneros com características semelhantes. Foi nessa conjuntura que a aguardente ganhou espaço, sendo considerada como produto compensador da economia açucareira. Mesmo nas fases favoráveis, o açúcar possuía uma grande desvantagem em relação à aguardente: a baixa lucratividade para os seus produtores. Sendo um derivado da cana-de-açúcar, a aguardente era a grande responsável pelos ganhos dos engenhos brasílicos (25%), pois não estava atrelada ao dízimo e não era mercadoria dividida com os lavradores de cana. Devido à alta lucratividade dada aos senhores de engenho na colônia e o temor da concorrência com o vinho português, a Coroa passou a tributar o produto e proibir sua comercialização. Apesar disso, as engenhocas, que oficialmente fabricavam rapadura, e os alambiques continuaram a produzir aguardente, o que contribuiu para disseminar a expressão a "salvação da lavoura". Baixo custeio da produção e alta lucratividade fizeram da bebida, tipicamente tropical, o recurso acionado em momentos de dificuldades.
    [3] Em Portugal, a cultura da cana-de-açúcar foi introduzida no Algarve e na região de Coimbra, no século XIV, passando à ilha da Madeira, na costa africana, em meados do século seguinte. Não há precisão quanto à data de introdução da cana-de-açúcar no Brasil, mas há um certo consenso quanto ao início da maior sistematização de seu plantio, a partir da segunda metade do século XVI. A fabricação do açúcar exigia alguns requisitos: a instalação de um engenho, que demandava capitais consideráveis, e trabalhadores capazes de dar o ponto de cozimento adequado. Os engenhos eram estabelecidos próximos a um curso de água, que servia de força motriz para a moenda e de escoadouro para a produção (engenho real). Mas também havia, e em maior número, aqueles movidos à tração animal (trapiches). Exceto pelos trabalhadores especializados, livres e assalariados, a mão-de-obra dos engenhos era predominantemente escrava. De início, recorreu-se aos indígenas, mas após 1570 os africanos tornaram-se cada vez mais comuns. O comércio transatlântico de escravos converteu-se em um lucrativo negócio nessa época. O cultivo da cana de açúcar progrediu ao longo do litoral brasileiro na direção Norte, se desenvolvendo mais no Nordeste, especialmente na capitania da Bahia e de Pernambuco, sendo esta última a maior produtora de açúcar do Brasil, contando com 66 engenhos no fim do Quinhentos. Nesse período, a maior parte do açúcar brasileiro destinava-se ao mercado internacional, chegando a portos do norte da Europa, especialmente Londres, Hamburgo, Antuérpia e Amsterdã, aonde era refinado e comercializado. Apesar disso, a cultura da cana-de-açúcar foi muito importante, também, para o mercado interno. Muitos engenhos aproveitavam a cana para a produção da aguardente, usada em grande escala no tráfico de escravos. A fabricação de açúcar foi, seguramente, o primeiro empreendimento econômico a funcionar, de modo organizado, nas terras brasileiras. Outras atividades surgiram, mas a empresa açucareira se destacou como principal atividade por mais de um século. Durante muito tempo, o açúcar foi utilizado para fins terapêuticos possuindo estatuto de medicamento. No século XVIII, o açúcar ainda era um item raro, mas já se tornara um gênero alimentício de luxo. Sua fabricação em larga escala realizada pelos portugueses, principalmente no Brasil, disseminou o uso do açúcar, alterando drasticamente os hábitos alimentares. Ao chá, ao café e ao chocolate foi acrescentado o açúcar. No século XIX, o açúcar refinado já havia se tornado uma necessidade básica de todos os povos. No Brasil, o açúcar alterou a dieta alimentar com a produção da rapadura, da garapa, e de uma variedade de doces e compotas de frutas.
    [4] A carne-seca também denominada jabá, carne de sol, carne do sertão ou carne do ceará consiste na carne bovina cortada em mantas (grandes pedaços), salgada e seca ao sol. A pecuária do interior nordestino nos primeiros séculos da colonização serviu também para abastecer o mercado alimentício interno, produzindo um tipo de carne em conserva, a carne-seca, destinada aos escravos da grande lavoura de açúcar do litoral. Mas a produção de carne-seca do Nordeste não resistiu ao flagelo das secas que assolaram a região durante os séculos XVII, XVIII e XIX. No século XVIII, surgiu então a produção de carne-seca no Rio Grande do Sul que se beneficiou da abundância de carne bovina da região. A carne-seca do sul resistia mais de um ano sem estragar, pois continha mais sal, com secagem mais intensa ao sol e ao vento; recebeu o nome de charque, nome de origem quíchua. Os charqueados gaúchos passaram então a escoar sua produção nos mercados consumidores antes abastecidos pela produção nordestina: Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco. O charque gaúcho foi exportado para Havana. No início do século XIX, no entanto, o produto sulino passou a sofrer a concorrência do charque platino, que aqui chegava por meio do contrabando da Banda oriental. A carne-seca foi um alimento de primeira necessidade no Brasil. Os homens pobres livres e os escravos a consumiam diariamente acrescida de feijão preto e farinha de mandioca. A paçoca nordestina feita com a carne-seca frita na gordura do porco, misturada à farinha de mandioca, e socada no pilão de madeira até virar pó, foi largamente consumida pelos bandeirantes, viajantes e tropeiros em suas viagens.
    [5] O chocolate fabricado pelos maias foi levado para a Europa por frades dominicanos ainda em inícios do século XVI, e encontrou boa aceitação. Nas regiões onde hoje são México e Guatemala começou o cultivo do cacau, a fabricação e consumo do chocolate em forma líquida pelas populações maias e astecas, que o chamavam de cacahuatl. Estima-se que o início da cultura e uso do cacau entre essas populações remonte ao ano 1500 a.C., em toda a costa do golfo do México. O primeiro uso da bebida na Europa, ainda no século XVI era para fins medicinais. Em 1737 o cacaueiro foi classificado por Lineu e recebeu o nome científico de Theobroma cacao L., sendo o próprio naturalista um apreciador da bebida. O cacaueiro é uma árvore de regiões tropicais, quentes e úmidas, de difícil plantio e adaptação em áreas diferentes. A maior parte do que se explorava na América Central e do Sul eram árvores nativas, abundantes nas florestas equatoriais e na amazônica. Ainda no seiscentos, as sementes do cacau já eram consideradas de alto valor, usadas como moeda de troca para outros produtos e cobiçadas por piratas e contrabandistas. Em fins do XVII o consumo de chocolate, até então uma bebida fria, grossa, amarga e bastante gordurosa, receberia uma grande melhora e incentivo. A adição do açúcar, que se produzia em larga escala nas Américas, passou a adoçar a mistura e torná-la mais agradável ao paladar, além de receber água quente, o que promoveu um aumento no consumo, e consequentemente na produção e comércio. O processo de produção do chocolate envolvia a separação das sementes da polpa do cacau, a secagem e torração destas, a posterior separação das amêndoas das cascas, e a prensagem da massa, geralmente em forma de bolo, cilindro ou tijolo, ao qual se acrescentava água quente. O líquido costumava ser mexido constantemente para se obter espuma e servia-se em pequenas cuias. Ainda no século XVII o chocolate era a bebida das elites europeias e hispanoamericanas. O quadro mudaria no setecentos. O chocolate já era abundantemente produzido na Amazônia brasileira pelos jesuítas, que o consumiam bastante, e também lucravam muito com este comércio. Essa associação entre a bebida e os jesuítas acabou por ganhar ares negativos quando os padres da Companhia de Jesus foram expulsos do império português, e o chocolate passou a ser tratado como uma bebida decadente. Já no século XIX o consumo e comércio do chocolate tomaram outro rumo. Na década de 1820 a modernização do processo de fabricação permitiu a produção em pó, com menos gordura e mais fácil de preparar e consumir. Em 1849 apareceu o primeiro chocolate sólido comestível e desde então o chocolate ficou mais barato, mais popular e espalhou-se pelo mundo, fazendo parte dos hábitos alimentares de pessoas em todos os continentes. A introdução do cacau na África promoveu o desenvolvimento de um chocolate de qualidade superior, sendo este continente atualmente o maior produtor mundial de cacau e chocolate.
    [6] Planta originária da floresta amazônica, o guaraná (Paullinia cupana H.B.K.) foi posteriormente adaptado e cultivado nas demais regiões do país. Narrativas de viagens realizadas no Brasil do século XVIII já registravam a existência da bebida feita do guaraná, destacando seu efeito estimulante e refrescante, bem como suas qualidades fitoterápicas. Mas foi o botânico Carl Friedrich Philipp Von Martius (1794-1868) que descreveu em Viagens pelo Brasil (Amazonas, Pará, 1819) o preparo da bebida de guaraná realizado pelos índios Sateré-Maué, também chamados "povo do guaraná", que foram os pioneiros na sua domesticação e cultivo. Os índios Sateré-Maué (Amazonas) tomavam o guaraná reduzido a um pó, bastante fino, acrescido de água. Só depois, o consumo da bebida se generalizou, passando a fazer parte da dieta alimentar das demais tribos indígenas e dos colonos do Pará, que ralavam o pão de guaraná usando o osso do pirarucu (hióide). O guaraná é um cipó lenhoso (trepadeira) que na floresta cresce sobre as árvores, podendo atingir até dez metros de altura, mas se cultivado possui porte de arbusto em forma de moita, com apenas três metros. As flores são brancas, ou amarelas claras, e os frutos se aglomeram em cachos compridos que maduros possuem cor avermelhada, se apresentam entreabertos, exibindo sementes negras. As sementes maduras do guaraná são torradas e moídas, formando uma massa moldável e homogênea de cor cinzenta, que, depois da defumação para secagem, escurece com o tempo, devido à oxidação. A partir dessa massa, se produzem os "pães" de forma cilíndrica, elíptica ou oval de consistência duríssima que precisa ser limado para ser consumido. Pesquisas médicas realizadas no século XX divulgaram as propriedades medicinais do fruto amazônico: antitérmico, antineurálgico, antidiarréico, estimulante, analgésico e antigripal. O guaraná é hoje comercializado em quatro formas: em rama, em pó, em xaropes e essências para refrigerantes, e o Brasil é praticamente o único produtor do mundo seguido por uma pequena produção comercial realizada na Venezuela e no Peru.
    [7] Gordura localizada de baixo da pele do porco, com o respectivo couro. A criação de suínos e a produção de toucinho destinavam-se ao consumo familiar e ao abastecimento dos mercados locais. O toucinho é o mais importante subproduto da criação de suínos. Alimento utilizado no preparo de todas as comidas, o toucinho servia para cozinhar, untar e preservar os alimentos. Foi utilizado também para substituir a manteiga e o azeite. Separado da carne, o toucinho podia ser conservado por meio da salga, depois encaixotado, e comercializado. A carne também podia ser salgada para a venda.  Alimento indispensável na dieta alimentar dos habitantes da colônia, o toucinho integrava obrigatoriamente o farnel de bandeirantes, tropeiros e viajantes principalmente na sua versão salgada. Os escravos e a população pobre consumiam diariamente o toucinho acompanhando de feijão preto e farinha de mandioca.
    [8] Óleo extraído da azeitona. Em algumas regiões do litoral do Brasil, o azeite de oliva puro de origem portuguesa era chamado de azeite doce. Produto fundamental na dieta alimentar dos portugueses, o azeite doce foi utilizado para fritar os alimentos. Por ser um produto de importação, foi sempre objeto de impostos firmados por meio de contratos entre particulares e a metrópole. Em 1640, com o fim da união entre as coroas ibéricas e a retomada de sua independência política, Portugal precisou reorganizar seu sistema de monopólios comerciais. Assim, criou em 1649 a Companhia Geral do Brasil concedendo-lhe o monopólio da venda (estanco) do azeite doce, do vinho, da farinha e do bacalhau que eram produtos importados de Portugal.
    [9] O método de conservação do peixe fresco limpo e sem vísceras, com ou sem cabeça, por meio da salga é uma técnica, para impedir sua decomposição pela ação de microrganismos e manter seus nutrientes. O objetivo da secagem natural é extrair a água ainda presente no pescado após o término da salmoura, aumentando, assim, sua conservação. Depois o peixe era exposto ao ar e depositado sobre o solo pedregoso ou coberto com vegetal rasteiro, ou ainda exposto ao sol sobre tabuleiros ou estacaria de madeira. Hoje o termo "bacalhau" se refere mais a esse processo do que ao nome do pescado propriamente dito. Mas durante séculos o autêntico bacalhau era o Gadus morhua L salgado e seco cujos cardumes eram abundantes nas águas geladas do Atlântico Norte. Os povos noruegueses, dinamarqueses e suecos (vikings) foram os pioneiros na pesca do Gadus morhua conservado seco ao ar livre para ser consumido aos pedaços, bastante endurecidos, nas longas viagens marítimas que realizavam. Mas a comercialização do bacalhau em larga escala, iniciada por volta do ano 1000, pelos bascos só foi possível graças ao conhecimento que possuíam da técnica de conservação de salga e secagem. Foi na Espanha, no século XVI, que surgiu o termo "bacalao" para designar o peixe Gadus morhua. O bacalhau chegou ao Brasil trazido pelos portugueses, que o consumiam durante as longas travessias marítimas. No início do século XIX, com a chegada da corte seu consumo se difundiu entre os brasileiros. Alimento barato se incorporou facilmente à dieta alimentar dos brasileiros principalmente nos dias santos, feriados e às sextas-feiras. Em 1843, ocorreu a primeira exportação oficial de bacalhau da Noruega para o Brasil. Vendido a preços acessíveis, se tornou um alimento popular até que a pesca indiscriminada reduziu drasticamente seus cardumes, inviabilizando seu consumo pela população. Vários outros peixes diferentes e inferiores passaram a ser assim chamados, vendidos salgados e curados: Cod Gadus Macrocephalus (o bacalhau do Pacífico), o Saithe (o escamudo dos portugueses), o Ling e o Zarbo.
    [10] Bebida alcoólica resultante da fermentação do sumo das uvas (mosto), que contém grande concentração natural de açúcares, em contato com leveduras existentes na casca do fruto. O primeiro registro sobre a existência de um vinhedo cultivado data do ano 7.000 a.C. e se situava na região da Europa oriental e costa do mar Negro. Depois o plantio da vinha chegou ao Egito, à Grécia e partes da Europa. A utilização do vinho nos sacramentos cristãos garantiu a sobrevivência da viticultura no período medieval: foi em torno das catedrais e dos mosteiros que os monges aperfeiçoaram a viticultura europeia a partir do emprego de castas de uvas especiais e da melhoria das técnicas. Isto resultou num produto de melhor qualidade, permitindo sua comercialização no final desse período. Portugal possuía longa tradição vinícola. No século XVIII, Portugal exportava quantidade significativa de vinho do porto e madeira para o mercado inglês. Nesse mesmo período, a produção vinícola das províncias do norte começava a se destacar suplantando a produção do vinho fortificado, assemelhado ao do porto, produzido na Ilha da Madeira. No início da colonização, havia no Brasil uma produção significativa de vinho em São Paulo que foi proibida para não prejudicar o comércio de importação do vinho português. O vinho era a bebida consumida pela elite colonial que o apreciava também devido às suas qualidades terapêuticas. Foi bastante considerável o volume de comércio de importação do vinho português para o Brasil. A Coroa portuguesa garantiu o mercado colonial para seu produto concedendo à Companhia de Comércio (1649) o monopólio da sua importação (produto estancado). O vinho chegou mesmo a ser usado como moeda no início do tráfico de escravos, mas acabou substituído pela cachaça já no século XVII, produto mais barato, de maior durabilidade e aceitação na África.
    [11] Embora a palavra manteiga possa se referir a vários compostos de gordura e água (manteiga de amendoim, manteiga de jabuti – comum no interior do Brasil na época colonial –, manteiga de cacau), o termo sozinho designa o produto derivado do leite de vaca. Surgida cerca de 3.000 anos antes de Cristo, era utilizada por gregos e romanos como unguento ou medicamento de uso externo. Ingrediente fundamental na culinária portuguesa, em especial nos doces e sobremesas, a manteiga durante muito tempo foi artigo raro no Brasil colônia, mesmo entre as elites. A manteiga consumida no Rio de Janeiro no início do século XIX ainda era rançosa, do tipo vermelha importada da Inglaterra e precisava ser lavada antes do consumo.
    [12] Consumida desde a antiguidade, a cerveja era obtida a partir de grãos como o centeio, a aveia, o trigo e a cevada, que logo se tornou o preferido. Em 1516, o duque Guilherme IV da Baviera instituiu a Lei da Pureza, um dos mais antigos códigos de alimentos da história, determinando que apenas a água, o malte, o lúpulo e a levedura fossem utilizados na fabricação da bebida. O hábito do consumo da cerveja demorou a chegar no Brasil, já que muitos portugueses produtores de vinho temiam a concorrência com esta bebida. Com a vinda da Corte portuguesa para o Brasil e a Abertura dos Portos em 1808, a bebida, bem como outros produtos raramente tidos na colônia, passou a ser vendida e consumida por uma restrita parcela da população, tendo em vista que só existiam marcas importadas, principalmente inglesas. Só passou a ser produzida no Brasil a partir da segunda metade do século XIX, por grupos imigrantes europeus.

    Postura do Senado da Câmara da Bahia

    Postura do Senado da Câmara da Bahia, que determinava a quantidade e o preço de uma variedade de alimentos consumidos na colônia, como arroz, banana, laranja, carneiro, galinha, leite, peru, pombo, entre outros; além de indicar as penas previstas nos casos de desrespeito a cada uma das determinações.

    Conjunto documental: Cópia de Postura do Senado da Câmara da Bahia
    Notação: códice 90
    Datas-limite: 1716-1716
    Título do fundo: Câmara de Salvador
    Código do fundo: 8G
    Argumento de pesquisa: abastecimento
    Data do documento: 1785
    Local: Salvador
    Folha(s): -

    Postura do Senado da Câmara[1] da Bahia

    Fielmente copiado de um livro manuscrito que nela serve; o qual traz a inscrição = Cópia das posturas do Livro 3, aprovadas no ano de 1716. Em 1785.

    28º

    Que a mostarda em grão, gergelim e amendoins torrados se vendam pela dita chamada celamim[2] de arroz[3] pilado, pagando o povo 40$ cada medida. Pena de 2$000.

    29º

    Que o arroz pilado se venda seu celamim pondo a cada medida 30$. Pena de 2$000.

    31º designação

    Que o leite de vaca se venda por medida de vintém a razão de uma pataca a canada[4], e o mesmo se pratique nas azeitonas como é estilo. O leite de cabras, por ser medicinal, se venda a razão de duas patacas a canada, tudo por medidas afiladas. Pena de 6$000.

    33º

    Que nenhuma pessoa dê menos de vinte bananas[5] por um vintém; vinte laranjas da terra um vintém; vinte limões um vintém.

    35º

    Que nenhuma pessoa, de qualquer condição que seja, vá abordo dos barcos, lanchas, saveiros, canoas, de frutas ou de peixes, para comprar o dito peixe, legumes ou qualquer outro mantimento, sem que primeiro o povo compre o que necessitar para o seu sustento (...).

    46º

    Que nas tavernas e casa de pastos[6] em que se venda pão, se não venda ao povo o que não tiver o peso, que no Senado da Câmara se declarar, com pena de incorrer nos que são impostos na forma acima declarada. Pena de 6$000.

    47º

    Que todas as pessoas que amassarem pão em suas casas para vender, na consideração de que pelo que pesam a farinha que hão de vender ao povo, usem de peso oito libras[7] para baixo uma onça[8], sendo afiladas com sua balança; e a farinha que se venderem ao povo será almotaçado[9], assim como se almotaça os que se vende nas tavernas. Pena de 6$000. 

    76º

    Que nenhuma pessoa venda carneiro senão a peso três vinténs a lavra, e os miúdos com a cabeça do dito carneiro à meia pataca, a qual se venderá no açougue público[10] desta cidade. Pena de 6$000.

    85º

    Que uma galinha grande de quintal nesta Cidade se não venda por mais preço que duas patacas.

    87º

    Que uma franga enfeitada nesta Cidade se não venda por mais de uma pataca. Sendo vendidas no termo desta Cidade, se não a venderá por mais de um vintém.

    89º

    Que os ovos se venderão nesta Cidade a três por dois vinténs, sendo no termo a dois o vintém.

    `...]
    S.L.

    [1] Nome dado pela Coroa portuguesa às câmaras municipais de maior importância no período colonial. O Senado da Câmara teve sua fundação ligada à instituição das capitanias hereditárias, sendo formado por três ou quatro vereadores, um procurador, dois fiscais (almotacéis), um tesoureiro e um escrivão, além de um juiz de fora ou ordinário, empossado pela Coroa, encarregado de presidi-lo. Esse órgão deliberativo da administração pública municipal, de caráter eletivo e autônomo em todos os assuntos da comunidade, era responsável pela decretação de impostos e pela organização dos serviços públicos locais.
    [2] Unidade de medida de capacidade de secos utilizada antes da adoção do sistema métrico, que foi decretado em Portugal em 1852 e no Brasil em 1862, muito embora o uso das medidas ainda tenha demorado a ser plenamente substituído. Usada para a pesagem de trigo, cevada, arroz e outros grãos, equivalia a 1/16 alqueire, ou 0,43 litro. Hoje em dia é usado no Brasil como unidade de medida agrária, variando os valores de acordo com o estado.
    [3] Originário do Sudeste asiático, já se cultivava no Oriente em torno de 3.000 a.C., sendo a espécie mais importante e hoje a mais comum o Oryza sativa L., ou arroz branco, mas várias outras espécies são conhecidas e utilizadas na alimentação em todos os continentes. Já na carta de Pero Vaz de Caminha havia a menção sobre a existência de tipos de arroz utilizados pelas populações autóctones, e que foram introduzidas na alimentação dos primeiros colonos. Eram tipos silvestres do grão e acredita-se que fossem variações do arroz vermelho, ou Oryza mutica, descrito pelo naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira no século XVIII e encontrado em grande abundância no Pará, embora de qualidade inferior ao o. sativa. O colono Gabriel Soares de Souza narra em seu Notícia do Brasil do século XVI (1587?) que já nesta época a Bahia produzia o arroz de melhor qualidade do Brasil, com grãos vindo de Cabo Verde, provavelmente já o arroz branco, levado para lá pelos portugueses. Em São Paulo e no Maranhão esta variedade de arroz chegou no século XVIII, mas já havia o cultivo em outras partes da colônia, tendo sido o primeiro engenho de processamento no Rio de Janeiro fundado na década de 1750. Foi durante o período pombalino que sementes vindas das Carolinas na América do Norte foram trazidas pelos portugueses para diversas localidades no Brasil, e a rizicultura começou a florescer com maior incentivo e a produção aumentar em quantidade e qualidade, tendo sido tema de memórias apresentadas à Academia Real das Ciências de Lisboa visando o melhoramento do cultivo. A maior parte da produção de arroz no Estado do Brasil era para consumo interno, apenas uma pequena parte destinada à metrópole. A Companhia Geral do Grão-Pará e Maranhão foi responsável pela disseminação da cultura do arroz no norte, especialmente no Maranhão, onde chegou a ser o 2º mais produzido, atrás somente do algodão, e diferentemente do que acontecia nas capitanias do Sul, o arroz maranhense era exportado em grandes quantidades para Portugal, sendo suficiente para suprir as necessidades de consumo da metrópole. Desde tempos remotos o arroz fazia parte da alimentação de indígenas e africanos - que conheciam espécies próprias de seu continente -, e de portugueses e brasileiros, a partir do início da colonização. Juntamente com o feijão faz a combinação mais típica e tradicional da culinária brasileira e atualmente é o grão mais consumido no mundo, e um dos alimentos mais presentes na alimentação de orientais e ocidentais. O Brasil aparece entre os principais consumidores e produtores mundiais - os primeiros são Índia e China -, como o maior entre os países do ocidente.
    [4] Unidade de medida de líquidos utilizada antes da adoção do sistema métrico, que foi decretado em Portugal em 1852 e no Brasil em 1862, muito embora o uso das medidas ainda tenha demorado para ser plenamente substituído. A canada equivalia a 1,4 litros e era utilizada para medir vinhos, azeites, leite e outros produtos molhados.
    [5] Originária do sudeste da Ásia, a banana (Musa spp.) chegou ao Ocidente trazida pelos comerciantes árabes que lhe deram o nome pelo qual a fruta tornou-se conhecida em quase todos os idiomas: banan, que significa "dedo" em árabe. Um dos produtos da cultura tropical de subsistência da época da expansão marítima e comercial, também encontrado de forma abundante no Brasil. Das muitas frutas aclimatadas no Brasil se tornou uma das mais populares, sendo consumida diariamente pelos habitantes da colônia portuguesa. Alguns viajantes identificaram uma variedade de banana indígena do Brasil, a banana da terra, conhecida pelo nome de "pacova" ou "pacoba". Esse tipo de banana não se comia cru, mas cozido, assada ou transformada em bebida ou caldo, e acabou sendo preterido em prol da banana comum asiática (a que mais se consome até hoje), mais saborosa, e que dispensava preparação prévia para ser consumida. A "pacova" verde assada assemelhava-se a um pão e fez parte da dieta alimentar da maioria dos escravos, mas a banana comum fazia parte da mesa da maioria dos brasileiros, ricos ou pobres. Nos séculos XV e XVI iniciou-se a plantação sistemática de bananas pelos portugueses em seus territórios tropicais, no Brasil, nas ilhas atlânticas e na África, onde se desenvolveram outros tipos e variedades, que também vieram para o Brasil. O consumo, embora amplo, restringiu-se a essas áreas, e a outras regiões nas Américas, somente entrando com força nos hábitos alimentares dos europeus ao longo do século XIX. Durante o Oitocentos e boa parte do século XX a região da América Central ficou conhecida como grande produtora e exportadora da fruta para o mundo. Hoje em dia é o quarto alimento mais consumido no mundo, atrás somente de grãos como arroz, trigo e milho, sendo a fruta mais consumida. O Brasil, até 2009, era o 5º maior produtor mundial.
    [6] O comércio de alimentos no período colonial envolveu várias modalidades, como vendas, armazéns, comércio das ruas, das quitandeiras e também casas de pasto e tabernas. Funcionaram também como um espaço de sociabilidade e para hospedagem, como se pode ver em diferentes narrativas dos que passaram pelo interior das capitanias, encontrando pouso em estalagens ou vendas e experimentando os mais diversos cardápios, alguns muito precários, outros reservados aos mais abastados. Mas no início do século XIX é na capital que as casas de pasto se multiplicam e depois também restaurantes de hotéis que passam a servir refeições nas áreas nobres da cidade ou no centro. Assim, como descreve Maria Beatriz Nizza da Silva em Vida Privada e cotidiano no Brasil na época de d. Maria I e d. João VI, abriam-se mesas redondas onde se pagava semanalmente uma subscrição pelo jantar, única forma de admissão dos comensais. O jantar, que ocorria às 14 horas habitualmente poderia incluir vinho e em alguns casos também se poderia escolher não partilhar a mesa, ocupando um quarto fechado. Além dos portugueses, outros estrangeiros se ocuparam do negócio no Rio de Janeiro, como ingleses e franceses em hotéis como o Royaume du Brésil. Comia-se nesses estabelecimentos sopas, cozidos, doces, e algumas receitas mais sofisticadas anotadas por Jean Baptiste Debret em sua Viagem pitoresca: "lembrarei pois que em 1817 a cidade do Rio de Janeiro já oferecia aos gastrônomos recursos bem satisfatórios, provenientes da afluência prevista dos estrangeiros por ocasião da elevação ao trono de d. João VI". Era, segundo o artista francês, o paladar de comerciantes e viajantes ingleses e alemães que exigia os prazeres da mesa, atendido pelos italianos em restaurantes e casas de comestíveis que vendiam azeites finos, frios bem conservados, massas delicadas, frutas secas de primeira qualidade, instalados com os únicos padeiros da cidade então em atividade, na rua do Rosário, seguidos por outros concorrentes no abastecimento de pão.
    [7] Unidade de medida de massa utilizada antes da adoção do sistema métrico, que foi decretado em Portugal em 1852 e no Brasil em 1862, muito embora o uso das medidas ainda tenha demorado para ser plenamente substituído. Equivalia a um arrátel no antigo sistema português de medidas, ou 459 gramas. Correspondia a 16 onças.
    [8] Unidade de medida de massa utilizada antes da adoção do sistema métrico, que foi decretado em Portugal em 1852 e no Brasil em 1862, muito embora o uso das medidas ainda tenha demorado para ser plenamente substituído. Equivalia no Império português a 28,6875 gramas, ou 1/512 de arroba. Derivava de uma unidade inglesa de medida de massa, ainda em uso, que corresponde a dois valores diferentes, dependendo do sistema adotado. No avoirdupois, usado para pesar objetos e materiais comuns, equivalia a 28,35 gramas e no troy, usado para pesagem de metais precisos e gemas, equivale a 31,10 gramas.
    [9] Quando um produto é almotaçado, é inspecionado por um Juiz eleito pela Câmara, encarregado da fiscalização dos pesos e medidas, da regulamentação dos preços dos gêneros alimentícios, da limpeza da cidade e outras funções no âmbito da segurança pública.
    [10] Estabelecimento no qual os criadores levavam seus animais para serem abatidos, cortados e tratados. No açougue se fazia também a venda de carne verde (fresca) consumida pela população dos núcleos urbanos. O corte do açougue juntamente com a aguardente, estancos e secos e molhados constituiu um dos ramos do comércio, que envolvia o município e suas freguesias, sob o controle das câmaras municipais. Entre outras atribuições, cabia às câmaras cuidar da conservação dos serviços básicos prestados à população urbana tais como o abastecimento de gêneros, definir os preços e fiscalizar as condições dos alimentos etc. Para se obter o privilégio da exploração dos açougues, os comerciantes ou marchantes (profissional que abatia e tratava a carne das reses) podiam arrematar um dos seus talhos (direito de corte), sendo escolhidos pelos camaristas entre as pessoas com prestígio junto às autoridades coloniais e metropolitanas. Tal privilégio podia ser transferido de pai para filho sendo inclusive incluído na lista de dotes matrimoniais.

  • ALGRANTI, Leila Mezan. História e historiografia da alimentação no Brasil (séculos XIV-XIX). In: CAMPOS, A. P. et al. A cidade à prova do tempo: vida cotidiana e relações de poder nos ambientes urbanos. Vitória: GM, 2011. p. 131-154.

    ______. Os livros de receitas e a transmissão da arte luso-brasileira de fazer doces (séculos XVII-XIX). In: Actas do III Seminário Internacional sobre a História do Açúcar: O açúcar e o cotidiano. Funchal (Portugal): Centro de Estudos de História do Atlântico/Secretaria Regional do Turismo e Cultura, 2004. p. 127-143.

    CAMARA CASCUDO, Luis. História da alimentação no Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia, 1983.

    CARNEIRO, Henrique. Comida e sociedade. São Paulo: Campus, 2003.

    DÓRIA, Carlos Alberto. A culinária materialista. São Paulo: Senac, 2009.

    FLANDRIN Jean Louis; MONTANARI, Massimo. História da alimentação. São Paulo: Estação Liberdade, 1998.

    FREEDMAN, Paul (org.). A história do sabor. São Paulo: Senac, 2009.

    GIARD, Luce. Cozinhar. In: CERTEAU, Michel; GIARD, Luce; MAYOL, Pierre. A invenção do cotidiano: morar, cozinhar. v. 2. Petrópolis: Vozes, 2005.

    MENESES, Ulpiano T. Bezerra de; CARNEIRO, Henrique. A história da alimentação: balizas historiográficas. Anais do Museu Paulista – História e Cultura Material, São Paulo, v. 5, p. 10-11, jan.-dez. 1997.

    SANTOS, Carlos Roberto Antunes dos. A alimentação e seu lugar na história: os tempos da memória gustativa. História – Questões e Debates, Curitiba, Editora da Universidade Federal do Paraná, n. 42, jan.-jun. 2005. Dossiê História da Alimentação.

    SILVA, Paula Pinto e. Farinha, feijão e carne-seca: um tripé culinário no Brasil colonial. São Paulo: Senac, 2005.

registrado em: ,
Fim do conteúdo da página