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Sala de aula

Publicado: Terça, 05 de Junho de 2018, 14h42 | Última atualização em Segunda, 11 de Junho de 2018, 13h07

Cerco a Recife

Oficio de Manoel Carvalho Paes de Andrade, presidente da província de Pernambuco, a Tristão Gonçalves de Alencar Araripe, presidente da província do Ceará pedindo a aceleração de uma marcha que contenha maior numero possível de combatentes para enfrentar as tropas que vêm do Rio de Janeiro.

Conjunto documental: Confederação do Equador
Notação: caixa 742, pct. 01
Data-limite: 1808-1878
Titulo de fundo: Confederação do Equador
Código do fundo: 1N
Data do documento: 25 de agosto de 1824
Local: s.l.
Folhas(s): -

Em data de hoje escrevo de officio ao Exmo. Filgueiras 1 para acelerar sua marcha com o maior numero de gente que puder reunir, e mesmo agregar em caminho para acabarmos de uma vez com os escravos do Imperador novamente chegados do Rio de Janeiro em numero de mil e duzentos, segundo as informações mais verídicas, e até cartas do Rio de Janeiro. Temos em nosso bloqueio 2 a nau D. Pedro, e a seu bordo Lord Cochrane, o qual já me ofereceu artigos de capitulação 3, que não aceito pelos motivos que verá da Proclamação, e por que não sei capitular, só sei vencer, ou morrer.
Do impresso junto verá a concordata que fiz com o governo do Rio Grande do Norte, e parece-me muito a propozito fazer-se o mesmo entre este e esse governo, sendo do agrado de V.Ex.ª poder assinar dita concordata por parte deste governo o padre Luiz Carlos Coelho da Silva a esse fim autorizado nessa ocazião. A força daquella Província vai operar já sobre a Parahiba de acordo com as forças do centro da mesma Parahiba, que vão ser reunidas por Belarmino de Arruda Câmara, cujo irmão Major desta Província vai com elle: as forças que estavam ás ordens do Prezidente Temporário, tão bem se hão de reunir, e deste modo pretendo que em dias do próximo setembro fiquem concluídos os negócios da Parahiba, para mais dezafrontados entrarmos nas Alagoas, e sacudirmos para fora dos limites da Confederação 4, que he no Rio de São Francisco do Norte, aos frios escravos, que indignos pisam nosso solo.
Lord Cochrane tem-nos ameaçado com grande bombardeamento, o que muito tem assustado as mulheres e homens cobardez como ellas, deste Recife; porem eu nunca tive tanta coragem, e agora he que julgo a nossa cauza na crize da decisão a nosso favor. Tanto maior he o perigo, quanto mais glorioza hé a victoria. Conte V. Exª com a minha Constancia, assim como eu conto com a firmeza de V. Ex.ª, e cooperação do Exmo. Filgueiras.
Deos Guarde a V. Exª ms. as. Secretaria do governo de Pernambuco 25 de Agosto de 1824./
Ill mo e Exmo Snr. Tristão Gonçalves de Alencar Araripe 5, Prezidente do governo da Província do Ceará. Manoel de Carvalho Paes de Andrade 6

1 José Pereira Filgueiras nasceu na Bahia, em 1758. Proprietário de terras, chegou a ser capitão-mor do Crato, no Ceará, durante a revolução pernambucana de 1817. Sob seu comando, a rebelião foi debelada, tendo seus líderes (nomes como Tristão de Alencar, e sua mãe Bárbara de Alencar) presos e remetidos para Fortaleza. Foi feito comandante em chefe das forças expedicionárias por D. Pedro I. Porém, devido a insatisfações para com promessas não cumpridas pelo Imperador, Filgueiras mandou uma circular às câmaras da província, em termos pouco respeitosos para com a Majestade Imperial, e, retirou-se para Fortaleza, fazendo várias prisões, depondo o Presidente e anexando o Ceará à Confederação do Equador, proclamada em Pernambuco. Ao lado de Tristão Araripe (presidente), tornou-se o Governador das armas, no Ceará. Foi preso em novembro de 1824, durante a repressão ao movimento, pelas tropas imperiais, e morreria de febre palustre a caminho do Rio de Janeiro.
2 No ano de 1824, o Recife foi bloqueado 2 vezes: o primeiro começou em fins de março, com a chegada de uma divisão composta pelas fragatas Niterói e Piranga. Sob comando de John Taylor, seu objetivo era garantir a nomeação de Francisco Paes Barreto, realizada por d. Pedro I e rejeitada pelo senado e pelas câmaras municipais de Pernambuco. A sua chegada, o comandante Taylor apresentou a proclamação do imperador, exigindo o cumprimento das suas ordens, ao que o senado resistiu. Incicialmente, alegando que aguardavam uma resposta definitiva do imperador, já que haviam pouco antes enviado uma representação ao Rio de Janeiro com o intuito de esclarecer e rogar ao imperador a compreensão e aceitação dos pontos de vista constitucionalistas dos pernambucanos. A reação de Taylor foi que se convocasse uma reunião do Grande Conselho para deliberar sobre a questão. Os mais de 300 membros do conselho, cientes que o objetivo da divisão naval enviada era impor o nome de Paes Barreto em substituição ao de Paes de Andrade, decidiram manter sua decisão, rejeitar o presidente escolhido pelo imperador e enviar outra representação ao Rio de Janeiro. O capitão John Taylor, então, decidiu decretar o bloqueio do porto do Recife, ao que Paes de Andrade respondeu determinando a prisão dos emissários de Taylor que se encontrassem em terra.
Em 11 de junho de 1824, depois de rejeitar mais um presidente - Carlos Mayrink - e de recusarem-se a jurar o projeto de constituição "apresentado" pelo imperador, as câmaras de Pernambuco receberam a notícia da suspensão do bloqueio, que pois na corte receava-se um ataque de forças portuguesas ao Rio de Janeiro e por isso, d. Pedro determinava o retorno de todas as embarcações a esta cidade. Suspenso o bloqueio em primeiro de julho, deixados à propria sorte em caso de invasão portuguesa, os pernambucanos recebem a proclamação da Confederação do Equador em 02 de julho de 1824.
Com a continuação da revolta e a não-concretização da invasão do Rio de Janeiro pelos portugueses, uma nova esquadra é enviada ao Recife, desta vez sob o comando de Cochrane, que encontrou a revolta já disseminada por várias províncias do norte. Esta força naval partiu do Rio de Janeiro, e contava com a nau d. Pedro I, a corveta Carioca, o brigue Maranhão, e os navios Harmonia e Caridade. As tropas terrestres do general Francisco Lima e Silva, compostas por 1.200 homens, encontravam-se também embarcadas. Elas foram levadas para Jaraguá em meados de agosto, enquanto a esquadra seguia para o Recife, onde aportaria em 18 de agosto. Diante da recusa à rendição, a cidade é bombardeada pela primeira vez. Parte da esquadra segue para o Ceará, e em outubro Cochrane estaria em Fortaleza debelando a rebelião cearense. Este último bloqueio, e a atuação das tropas de Lima e Silva acabariam na invasão do Recife e derrocada do movimento.
3Os rebeldes que levaram a cabo o movimento pela Confederação do Equador jamais capitularam de forma integral: a medida que as forças do "exército cooperador da boa ordem" avançava, algumas facções das forças confederadas capitulavam, e outras seguiam em marcha pelo interior de Pernambuco. Assim que chegou ao Recife, Cochrane emitiu várias proclamações, que resultaram em um ultimato aos rebeldes, dando-lhes até o dia 28 de agosto para se entregar. As negociações, mediadas pela pintora e preceptora da família real Maria Graham, mostraram-se infrutíferas, pois os confederados se mostravam irredutíveis a qualquer rendição sem que se incluísse imediata convocação de uma assembléia constituinte.
Depois do massacre de uma parte das forças rebeldes no Recife, em inícios de setembro, as tropas e lideranças restantes se refugiam em Olinda. Lima e Silva tenta forçar sua rendição incondicional, que acarretaria a execução sumária para as lideranças, e possivelmente para muitos outros oficiais também. Poucos aceitam, e a maioria prefere continuar a luta no interior. Meses depois, após um período de sérias privações e seguidas derrotas, a última coluna a resistir rende-se às tropas de Lamenha - ele mesmo, aliás, um desertor da Confederação - que apresentara termos de rendição benevolentes que jamais iriam se cumprir.
4 Refere-se aos limites estabelecidos pelo estado a ser criado pelo movimento, reunindo as províncias do norte e quaisque outras que a elas se quisessem unir no futuro. Assim também ficou conhecido o movimento revolucionário republicano, iniciado no estado de Pernambuco, a 2 de julho de 1824, segundo a proclamação de Manuel de carvalho Paes de Andrade. O movimento se alastrou pelo nordeste do país, e tem ligações com as idéias liberais do século XVIII, com a Revolução Pernambucana de 1817, e representou a principal reação contra a tendência absolutista e a política centralizadora do governo de d. Pedro I, esboçadas na dissolução da Assembléia Constituinte de 1823 e, sobretudo, na Carta Outorgada de 1824, a primeira Constituição do país. A mesma evidenciava uma preocupação com a região sudeste brasileira, especialmente o Rio de Janeiro (sua capital à época), em detrimento das demais regiões do Brasil, além de ter no "Poder Moderador" um elemento que evidenciava as tendências absolutistas do Imperador.
A Confederação buscava uma independência dos estados do nordeste brasileiro e a formação de uma confederação a exemplo dos Estados Unidos da América. D. Pedro I era declarado traidor, já que seus propósitos seriam o de entregar o Brasil nas mãos dos portugueses. Ao mesmo tempo, eram convocadas todas as províncias do norte a ignorar a autoridade imperial, e reunirem-se num Estado federativo republicano independente, sob a presidência de Pernambuco, e que ficaria conhecido como Confederação do Equador.
O Ceará foi, depois de Pernambuco, o estado que mais ativamente tomou partido na rebelião. Entre seus líderes, Tristão Gonçalves de Alencar Araripe e José Pereira Filgueiras. Várias cidades cearenses como Crato, Icó e Quixeramobim (antes Vila de Campo Maior) aliaram-se aos confederados pernambucanos, demonstrando suas insatisfações para com o governo imperial. Após confrontos com o governo provisório controlado pelo Imperador, foi estabelecida a República do Ceará, em 26 de agosto de 1824, tendo Tristão Alencar como presidente do Conselho que governaria a província. A forte repressão das forças imperiais, todavia, rapidamente derrotaram o movimento rebelde. As execuções das lideranças puseram fim ao movimento, cujo lema era "Religião, Independência, União e Liberdade", e custaram a Província de Pernambuco a perda de parte de seu território (a antiga comarca de Rio São Francisco), incorporada à província da Bahia. O movimento deixou também um rastro de rivalidades mortais, estagnação econômica e confrontos políticos por toda a região.
5Tristão Gonçalves de Alencar Araripe nasceu no Crato, em 1789, filho de Bárbara de Alencar, revolucionária de 1817 e da Confederação do Equador, (além de ter sido a primeira prisioneira política do Brasil, por sua participação em 1817). Ao lado da mãe, do irmão José Martiniano de Alencar, e do tio Leonel Pereira de Alencar, participou da Revolução Pernambucana de 1817, e na tentativa de revolucionar terras cearenses, no que seria chamado de República do Crato. Contudo, não houve êxito. Os revolucionários foram presos pelo capitão-mor José Pereira Filgueiras e enviados para presídios em Fortaleza.
Quando da sua liberdade, e da eclosão da Confederação no Crato, aderiu ao movimento, tornando-se uma de suas figuras mais representativas. Tanto que em 26 de agosto de 1824, foi proclamado pelos rebeldes republicanos como presidente da Província do Ceará, destituindo-se, assim, do cargo o Tenente Coronel Pedro José da Costa Barros. Ao seu lado, José Pereira Filgueiras figurava como comandante das armas, velho comandante militar, outrora seu inimigo político mas com quem, lutando pela mesma causa em 24, formaria uma dupla de irresistível poder político.
Em outubro de 1824, em meio ao massacre promovido pelas forças imperiais, Tristão Gonçalves foi morto pelas tropas do capitão-mor das fronteiras, Antônio de Amorim, no município de Jaguaretema, interior do Ceará.
6O político brasileiro Manuel de Carvalho Paes de Andrade nasceu em Pernambuco, nos anos 1770. Quando jovem, passou uma temporada em Portugal e, de volta a Pernambuco, dedicou-se ao comércio. Esteve presente na Revolução Pernambucana de 1817 e, com a derrota do movimento, refugiou-se nos Estados Unidos, temendo a retaliação das autoridades. Após a anistia, em 1821, retorna ao Brasil, e ocupa o cargo de Intendente da Marinha. Foi eleito presidente da província de Pernambuco, provisoriamente, em 13 de dezembro de 1823, após a renúncia de Francisco Pais Barreto. Em 8 de janeiro de 1824, foi confirmado presidente pelos eleitores pernambucanos, contrariando as ordens do governo imperial, que indicara Francisco Pais Barreto para a presidência. Manoel de Carvalho foi o responsável pela proclamação da Confederação das Províncias Unidas do Equador, em 2 de julho de 1824. Malogrado o movimento, desloca-se para a Inglaterra, onde vive por volta de sete anos. Já de volta ao Brasil, foi eleito senador pela Província da Paraíba, e em 1834, foi novamente presidente da província de Pernambuco, além de deputado geral e senador do Império do Brasil, entre 1831 e 1855. Faleceu no Rio de Janeiro, em 1855.

Grande conselho provisional

Ata da reunião do Grande Conselho Provisional, com a presença, entre outros, de ouvidores, procuradores de cãmaras provinciais e eleitores de toda a província. Propõe uma nova forma de governo, o rompimento com d. Pedro I e a adesão à Confederação do Equador. Tendo por base os prejuízos causados por "d. Pedro principe de Portugal, chamado Imperador do Brasil," pecebe-se a quebra do pacto tantas vezes assegurado e também tantas vezes por ele violado, apesar de ser dizer defensor do Brasil. Acusa-o de ter agido despoticamente ao dissolver a Assembléia Geral Constituinte, despedindo com ignorância seus representantes e tomando para si o direito absoluto de legislar. Assinado por centenas de pessoas, destacando-se padre Gonçalo Ignácio Mororó, Tristão de Alencar, José Pereira Filgueiras.

Conjunto documental: Confederação do Equador

Notação: caixa 742, pct. 01
Data-limite: 1808-1878
Titulo de fundo: Confederação do Equador
Código do fundo: 1N
Data do documento: 27 de agosto de 1824
Local: Fortaleza, Ceará
Folhas(s): -

Sessão Extraordinária E Grande Conselho Provisional 1

Aos 26 de agosto de 1824, 3º da Independência, e 1º da Liberdade do Brasil, e Confederação das Províncias Unidas do Equador 2, nesta cidade de Fortaleza capital do Ceará 3 na sala do governo onde se achavam o excelentíssimo Sr. Presidente da Província, Tristão Gonçalves de Alencar Araripe 4, os Vogais do Conselho, o excelentíssimo Sr. Governador das Armas desta cidade e da vila de Aquirás e de Macejana, com os procuradores das mais câmaras da província, presentes os reverendos párocos das freguesias, e na sua falta os seus procuradores, os eleitores de paróquias, e no seu impedimento suplentes em maioria dos votos, o clero, muitos oficiais militares, homens bons, e povo abaixo assinados, e sendo aí em voz alta e inteligível propôs o excelentíssimo Sr. Presidente= Que a vista dos prejuízos de D. Pedro 5 príncipe de Portugal (chamado Imperador do Brasil) estava roto nosso pacto social 6, tantas vezes assegurado por ele, e outras tantas roçando publicamente a face das nações em afronta daqueles mesmos povos, dos quais ele de modo próprio havia tomado o titulo de defensor perpetuo não lhes tendo sido até agora, se não um opressor encarniçado, não respeitando os foros da Liberdade do Brasil quando despoticamente, e a força de armas aboliu a Assembléia Geral Constituinte 7 da nação inteira, rendendo, degredando, ainda para reinos estrangeiros, e despedindo com ignorância os seus representantes, constitui por si como se viu do infame projeto de Constituição, que ainda só deu; mas também mandou arbitrariamente jurar por todas as câmaras das províncias do Brasil, reputando-nos escravos, ou propriedades sua, contra sua promessa e juramento= Que além de todos esses motivos do descarado despotismo acariciam mil traições visivelmente aparecidas, sujeitar-nos novamente ao domínio português, não cumprindo assim com as condições essenciais, pelas quais havia subido ao trono.= atentais pois tantas circunstancias de justo ressentimento dos povos (conclui o Sr. Presidente) que a pátria estava no maior perigo, e era necessário salva-lá do cativeiro apesar de todos os sacrifícios da parte de deus filhos, pelo que o Conselho deliberasse, lançando mão dos meios mais promptos e enérgicos, e mais plausíveis da sua segurança; e assim apresentou o Sr. Presidente um plano de nova forma de governo, para ser discutido livremente com imunidade de pessoa, e de opiniões de ser ou não ser aprovada pelo congresso. E, com efeito, forão lidos doze artigos, e a leitura de cada um deles resolvam de todas as salas cheias de gente apunhaladas vivas aclamações de apoio e um fazer geral se sevisou no semblante de todo o congresso, dando-se uns aos outros os parabéns da sua mutua felicidade. Logo que foi aprovado geralmente o plano oferecido, propôs o Sr. Presidente do grande conselho elegesse presidente o secretário para assistirem as suas sessões na discussão da matéria sem coação dos votantes, mas o congresso uniformemente elegeu ao mesmo senhor presidente Tristão Gonçalves de Alencar Araripe para secretário do governo ao P. Gonçalo Ignácio de Albuquerque Mororó. Desceu o senhor presidente desarmado, assim como tinha assistido ao ato com o Sr. Governador das armas, e grande parte da Assembléia para os quartéis tropas e linhas, onde igualmente se achou o senado da câmara da cidade com o novo intendente da liberdade, já por antemão preparado e depois voltando todos os dirigiram-se com o Sr. Presidente no centro da tropa trazendo ancorado um estandarte igual ao da câmara para a Igreja a render ações de graça do soberano autor da nossa felicidade, e ai benzeram-se as bandeiras e o senhor governador das armas foi integrar um corpo da tropa reunida. No fim de um elegante discurso oratório, e patriótico recitado pelo reverendo vigário da vila de Arroches contou-se um solene, Te Deum, ficando adiado para hoje o juramento dos santos evangelhos, cujo teor é o seguinte = Eu F. juro aos Santos Evangelhos voluntária e solenemente defender e guardar a Religião Católica, e Apostólica Romana = Juro dar a ultima gota de sangue para manter, e ser fiel á Confederação do Equador que he a união das quatro Províncias ao norte do Cabo de Santo Agostinho, e as demais que para o futuro se forem unindo debaixo da forma de governo, que estabelecer a Assembléia Constituinte = Juro fazer crua guerra ao despotismo imperial, que pertende usurpar nossos Direitos, escravizar-nos, e obrigar-nos a fazer a união do Brasil com Portugal, a qual já mais admitiremos por nenhum titulo que seja = Juro em fim faszr guerra eterna a todo o despotismo, que se opuser a Liberdade da nossa Pátria, e igualmente juro obediência ao governo Supremo Salvador. Assim Deus me ajude = E reunidos todos novamente na Sala do Governo com efeito prestaram o juramento na forma acima dita em o Livro dos Santos Evangelhos apresentado pelo Senhor Presidente, o qual o recebeu, e prestou primeiro que todos das mãos do 1º Conselheiro do Governo o Excelentíssimo Senhor Joaquim de Paula Galvão. E de tudo para constar, mandou o Excelentíssimo Sr. Presidente lavrar a presente ata autorizando-me para o fazer no impedimento do secretario do governo o padre Gonçalo Ignácio de Albuquerque Mororó, na qual todos assinaram com a competente nota. Palácio do Governo em Grande Conselho Provincial aos vinte e sete dias do mês de Agosto de mil oito centos e vinte quatro; terceiro da Independência, e primeiro da liberdade, e Confederação do Equador. Eu Francisco de Paula e Andrade, Segundo oficial da secretaria do Governo a escrevi.

Segue-se uma lista de nomes dos quais se destacam: Tristão Gonçalves d´Alencar Araripe - Presidente; e O Governador das armas- José Pereira Filgueiras. 8

1O grande conselho das repúblicas confederadas nasceu da necessidade de reunir defensores do projeto revolucionário para comandar os processos de eleição, e da própria formação da Confederação. Na prática acabou funcionando como colégio eleitoral e câmara legislativa, em caráter provisório. No Ceará, o grande conselho local, reunido em 26 de agosto de 1824, formado por 405 eleitores, contando com a presença de pessoas influentes, a câmara de Fortaleza, representantes de comarcas, constitui a República do Ceará, repudiando d. Pedro I e seu "infame projeto de constituição." Desta mesma assembléia saiu o grande conselho que iria, nas semanas seguintes e sob a presidência de Tristão Gonçalves de Alencar "Araripe" realizar eleições para o congresso federativo de Pernambuco _ que jamais chegou a acontecer _ e defender os ideais republicanos da Confederação.
2 Assim ficou conhecido o movimento revolucionário republicano, iniciado no estado de Pernambuco, a 2 de julho de 1824, segundo a proclamação de Manuel de carvalho Paes de Andrade. O movimento se alastrou pelo nordeste do país, e tem ligações com as idéias liberais do século XVIII, com a Revolução Pernambucana de 1817, e representou a principal reação contra a tendência absolutista e a política centralizadora do governo de d. Pedro I, esboçadas na dissolução da Assembléia Constituinte de 1823 e, sobretudo, na Carta Outorgada de 1824, a primeira Constituição do país. A mesma evidenciava uma preocupação com a região sudeste brasileira, especialmente o Rio de Janeiro (sua capital à época), em detrimento das demais regiões do Brasil, além de ter no "Poder Moderador" um elemento que evidenciava as tendências absolutistas do Imperador.
A Confederação buscava uma independência dos estados do nordeste brasileiro e a formação de uma confederação a exemplo dos Estados Unidos da América. D. Pedro I era declarado traidor, já que seus propósitos seriam o de entregar o Brasil nas mãos dos portugueses. Ao mesmo tempo, eram convocadas todas as províncias do norte a ignorar a autoridade imperial, e reunirem-se num Estado federativo republicano independente, sob a presidência de Pernambuco, e que ficaria conhecido como Confederação do Equador.
O Ceará foi, depois de Pernambuco, o estado que mais ativamente tomou partido na rebelião. Entre seus líderes, Tristão Gonçalves de Alencar Araripe e José Pereira Filgueiras. Várias cidades cearenses como Crato, Icó e Quixeramobim (antes Vila de Campo Maior) aliaram-se aos confederados pernambucanos, demonstrando suas insatisfações para com o governo imperial. Após confrontos com o governo provisório controlado pelo Imperador, foi estabelecida a República do Ceará, em 26 de agosto de 1824, tendo Tristão Alencar como presidente do Conselho que governaria a província. A forte repressão das forças imperiais, todavia, rapidamente derrotaram o movimento rebelde. As execuções das lideranças puseram fim ao movimento, cujo lema era "Religião, Independência, União e Liberdade", e custaram a Província de Pernambuco a perda de parte de seu território (a antiga comarca de Rio São Francisco), incorporada à província da Bahia. O movimento deixou também um rastro de rivalidades mortais, estagnação econômica e confrontos políticos por toda a região.
3 Capitania hereditária estabelecida em 1534 tornou-se parte do Estado do Maranhão em 1621. Passou a integrar o Estado do Brasil em 1656, ficando subalterna à capitania de Pernambuco até 1799, ano em que alcançou o status de capitania independente.
A pecuária contribuiu bastante para a sua efetiva colonização, interiorizando a ocupação de seu território. A criação de gado expandiu-se no século XVIII, quando foi levada para Pernambuco, Bahia e Minas Gerais pelos caminhos do sertão. Além do mercado interno, a pecuária cearense destinava couro e carne para o exterior. Existiam outros produtos como as madeiras nobres, o sal, o algodão e a cera de carnaúba, que tiveram importância para a economia dessa capitania.
Na Revolução de 1817, a capitania do Ceará foi palco das lutas entre os revolucionários e os contra-revolucionários. Seu governador, Manuel Inácio de Sampaio, foi um dos principais aliados do conde dos Arcos, governador da Bahia, no freio à expansão da revolução no Nordeste e na subseqüente vitória sobre os rebeldes. A luta contra os revolucionários encontrou grandes dificuldades, visto que o poder central da Coroa não penetrava pelo interior nordestino com a facilidade desejada.Com isso, os revolucionários aproveitaram esse espaço para angariar apoio da população local e, posteriormente, como refúgio da contra-ofensiva do poder central.
A Revolução de 1817, apesar de malograda, foi a semente de um movimento maior, que floresceu em Pernambuco e se expandiu pelo nordeste, incluindo-se o Ceará: a Confederação do Equador. Destaca-se aí a participação deTristão Gonçalves de Alencar Araripe, que veio a tornar-se chefe do governo cearense.
O Ceará, depois de Pernambuco, foi o estado onde a adesão ao movimento revolucionário foi mais ativa e intensa, e se deu de forma imediata. Anteriormente a sua proclamação, já haviam eclodido vários focos insurrecionais no Ceará : a Câmara de Quixeramobim (antiga Vila de Campo Maior) declarou decaída a dinastia dos Bragança; e o Padre Gonçalo Inácio de Loiola, mais tarde, Padre Mororó, espalhou pelo Icó, São Bernardo das Russas e Aracati o brio revolucionário. José Pereira Filgueiras e Tristão Gonçalves comandaram a adesão do Crato.
Os embates foram intensos, e a repressão eliminou em pouco tempo o movimento de 1824, tendo suas principais lideranças executadas.
4 Tristão Gonçalves de Alencar Araripe nasceu no Crato, em 1789, filho de Bárbara de Alencar, revolucionária de 1817 e da Confederação do Equador. Ao lado da mãe, do irmãoJosé Martiniano de Alencar, e do tio Leonel Pereira de Alencar, participou da Revolução Pernambucana de 1817, e na tentativa de revolucionar terras cearenses, no que seria chamado de República do Crato.Contudo, não houve êxito. Os revolucionários foram presos pelo capitão-mor José Pereira Filgueiras e enviados para presídios em Fortaleza.
Quando da sua liberdade, e da eclosão da Confederação no Crato, aderiu ao movimento, tornando-se uma de suas figuras mais representativas. Tanto que em 26 de agosto de 1824, foi proclamado pelos rebeldes republicanos como presidente da Província do Ceará, destituindo-se, assim, do cargo o Tenente Coronel Pedro José da Costa Barros. Ao seu lado, José Pereira Filgueiras figurava como comandante das armas.
Dada a intensa repressão por parte das tropas imperiais, sua superioridade militar, e a baixa participação popular no movimento, o mesmo foi debelado e teve seus principais líderes mortos ou presos.
Em 30/10 de 1825, Tristão Gonçalves foi morto pelas tropas imperiais do capitão-mor das fronteiras, Antônio de Amorim, no município de Jaguaretema, interior do Ceará.
5 Batizado como Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon, d. Pedro I era filho de d. João VI e de d. Carlota Joaquina. Tornou-se herdeiro da Coroa portuguesa após a morte do primogênito Antônio, recebendo o título de príncipe real no mesmo ano da sagração de d. João como rei de Portugal em 1816. Casou-se com a arquiduquesa da Áustria Carolina Josefa Leopoldina em 1817, contraindo segunda núpcias com a duquesa alemã Amélia Augusta em 1829. Com o retorno da família real a Portugal, em 1821, d. Pedro tornou-se príncipe regente do Brasil. Os planos políticos que as cortes de Lisboa destinavam ao Brasil levaram d. Pedro a romper definitivamente com Portugal, proclamando a independência do Brasil em setembro de 1822, sendo sagrado e coroado imperador e defensor perpétuo do Brasil. O reinado de d. Pedro I (1822-1831) foi marcado conflitos e instabilidade: convocação e dissolução da Assembléia Constituinte (1823); outorga da primeira constituição do Brasil (1824); criação do Conselho de Estado; e a Guerra Cisplatina (1825-1828). Com a morte de d. João, em 1826, d. Pedro ascendeu ao trono, recebendo o título de Pedro IV. Forçado a abdicar em favor de sua filha primogênita, Maria da Glória, nomeou seu irmão d. Miguel como regente. Em 1831, foi a vez de d. Pedro abdicar do trono no Brasil, em favor do seu filho Pedro de Alcântara. Regressando a Portugal, assumiu a liderança nas lutas contra seu irmão pelo trono português. Morreu tuberculoso em 1834.
6 A noção de pacto social vincula-se a uma linha de filosofia política que, no século XVII, buscava um contaponto às teorias de direito divino que justificavam o poder absoluto dos reis com base em uma suposta nobreza inerente. Este direito divino fazia dos monarcas a voz de deus entre os homens. A decadência do antigo regime e os consequentes questionamentos das idéias que o sustentavam deram espaço a tentativas de compreender e explicar o mundo, natural e dos homens, secularmente. A busca por sistemas de governo compromissadas, de alguma forma e em algum grau, com a sociedade de uma forma geral representa uma destas tentativas. Opondo-se a defesa intransigente do sistema monárquico que respeitava apenas, ou principalmente, a vontade de um rei, os jusnaturalistas, ou defensores do direito natural, apresentaram uma noção de governo e sociedade que não dependia e não decorria diretamente da tradição bíblica, mas sim, da natureza e da existência dos homens previamente as formações sociais então conhecidas na Europa. A descoberta (e redescoberta) de outras sociedades contribuiu para a elaboração de tais teorias, pois deixava claro que a sociedade européia era apenas um momento na vida dos povos europeus, a despeito da superioridade com que estes encaravam os povos de outras regiões do planeta. O homem, assim, possuía uma série de direitos que nasciam com ele, inalienáveis, dos quais ele poderia abrir mão apenas em decorrência de um ato voluntário.
O pacto social representava um ato voluntário através do qual a sociedade dos homens era fundada, dando um fim ao estado de natureza em que antes se encontravam, estado este em geral retratado como perigoso e pouco produtivo. A noção de pacto social rompia violentamente com as tradições de pensamento que sustentavam regimes despóticos, em especial os derivados do direito divino, já que atrelavam a soberania do governante (fosse quem fosse, rei, assembléia, conselho de anciãos, presidente) ao compromisso com o povo que era a verdadeira origem da soberania e que, voluntariamente havia escolhido abrir mão da sua liberdade natural para viver sob o domínio de um sistema político. Os nomes mais representativos desta corrente foram: Jean Jacques Rosseau, John Locke, John Harrington, Thomas Hobbes.
7 Assembléia composta por representantes eleitos em todas as províncias, e que deveriam escolher e discutir os projetos de Constituição apresentados, bem como elaborar leis ordinárias necessárias ao país. O documento refere-se à Assembléia Constituinte de 1823, a qual foi dissolvida pelo imperador D. Pedro I, em 12 de novembro, por entender que não refletia seus anseios. A Constituição de 1823, ou "Constituição da Mandioca", como ficou conhecida, dava lugar à Carta outorgada em 1824, cuja mudança mais significativa em relação à 1823 era a criação do chamado Poder Moderador. Exclusivo do Imperador, conferia-lhe poderes paradoxalmente absolutistas de, por exemplo, dissolver a Câmara, convocar, adiar ou prorrogar a Assembléia Geral, nomear senadores, nomear e demitir ministros de Estado, perdoar ou moderar penas impostas, entre outras. A Constituição imposta pelo Imperador possuía características absolutistas mas também sofreu influências de alguns princípios liberais. Aacabou por promover a imposição do Executivo sobre o Legislativo, e uma centralização político-administrativa, restringindo o poder da aristocracia agrária. A eclosão das revoltas que dariam origem a Confederação do Equador está ligada aos descontentamentos surgidos em torno da dissolução da Assembléia, bem como da nova Constituição de 1824.
8 José Pereira Filgueiras nasceu na Bahia, em 1758. Proprietário de terras, chegou a ser capitão-mor do Crato, no Ceará, durante a revolução pernambucana de 1817. Sob seu comando, a rebelião foi debelada, tendo seus líderes (nomes como Tristão de Alencar, e sua mãe Bárbara de Alencar) presos e remetidos para Fortaleza. Foi feito comandante em chefe das forças expedicionárias por D. Pedro I. Porém, devido a insatisfações para com promessas não cumpridas pelo Imperador, Filgueiras mandou uma circular às câmaras da província, em termos pouco respeitosos para com a Majestade Imperial, e, retirou-se para Fortaleza, fazendo várias prisões, depondo o Presidente e anexando o Ceará à Confederação do Equador, proclamada em Pernambuco. Ao lado de Tristão Araripe (presidente), tornou-se o Governador das armas, no Ceará. Foi preso em novembro de 1824, durante a repressão ao movimento, pelas tropas imperiais, e morreria de febre palustre a caminho do Rio de Janeiro.

Repressão

Carta do imperador d. Pedro I ao comandante da Brigada Expedicionária Cooperadora da Boa Ordem da província de Pernambuco, brigadeiro Francisco de Lima e Silva, determinando como identificar e como proceder com os rebeldes. E ainda afirma que todos eles devem ser punidos de acordo com a comissão militar independente de sua qualidade de emprego ou graduação.

Conjunto documental: Confederação do Equador
Notação: caixa 742, pct. 01
Data-limite: 1808-1878
Titulo de fundo: Confederação do Equador
Código do fundo: 1N
Data do documento: 16 de outubro de 1824
Local: Rio de Janeiro
Folhas(s): -

Carta Imperial

Brigadeiro Francisco de Lima e Silva 1, comandante da Brigada expedicionária cooperadora da boa ordem 2 da Província de Pernambuco 3. Eu o IMPERADOR Constitucional 4 e defensor Perpétuo do Brasil vos envio muito saudar. Foi-me presente o vosso Ofício de vinte oito de Setembro próximo passado, em que expondes que, achando-se já presos muitos dos cúmplices da rebelião dessa província, não tendes ainda procedido contra eles na forma prescrita pelo decreto de vinte seis, e Carta imperial de vinte sete de julho do corrente ano, que criou a comissão militar 5, pela falta de verdadeira inteligência, de quais sejam, ou devam reputar-se os chefes e cabeças dela; e sendo fora de toda a duvida que como tais se devem considerar não só todos os chefes de corpos, e guerrilhas 6, comandantes de fortalezas, e redutos, que atrozmente rebelando-se contra a Minha Imperial Pessoa, e integridade do Império, com as armas nas mão, comandarão, e fizeram viva, é sanguinolenta oposição as leais e valorosas tropas, que desta marcharam em socorro e salvação da referida província, mas também os que declamaram contra a Minha legítima, e suprema Autoridade, atacando-a com escritos insolentes, e injuriosos, e todos os que acintemente matarem os soldados da brigada que tanto deve concorrer para o restabelecimento da boa ordem da mesma província: hey por bem declarar-vos que todos os réus de semelhante natureza, se devem julgar compreendidos na referida comissão militar, para serem logo por ela processados, e sentenciados, verbal, e sumarissimamente, sem atenção a sua qualidade, empregos, e graduações qualquer que seja. O que me parecei participar-vos para vossa inteligência e devida execução. Escrita no Palácio do Rio de Janeiro em 16 de Outubro de 1824, 3.º da Independência e do Império= IMPERADOR= Clemente Ferreira França= Para o Brigadeiro Francisco de Lima e Silva= Clemente Ferreira e França

1 Francisco de Lima e Silva, único barão de Barra Grande, nasceu em 1785, no Rio de Janeiro, filho do marechal-de-campo e comendador da Ordem de Avis, José Joaquim de Lima e Silva e de Joana Maria da Fonseca Costa. Em 1801, casou-se com Mariana Cândida de Oliveira Belo, com quem teve Luís Alves de Lima e Silva, que viria a ser duque de Caxias.
Em1824, com a patente de brigadeiro do exército, foi designado por D. Pedro para comandar uma brigada expedicionária, que tinha como objetivo combater a Confederação do Equador. Foi presidente de província em Pernambuco, em 1824-25, e senador entre 1827 e 1853. Em setembro de 1824, as forças de Lima e Silva dominaram Recife e Olinda (principais centros de resistência), e dois meses mais tarde, após outros enfrentamentos na região, chegava ao Ceará.
Presidiu as chamadas comissões militares, criadas por d. Pedro com o intuito de julgar os revoltosos, e dentre outras medidas, ordenou o fuzilamento de frei Caneca que, através do jornal Tífis Pernambucano, o qual dirigia, havia se tornado uma importante liderança na revolta.
Destacou-se, ainda, como membro da Regência Trina Provisória (1831) durante a menoridade de Pedro II, e em 17 de junho de 1831, foi eleito novamente como regente, desta vez para a regência trina permanente. Faleceu em 1853.
2 Éra assim conhecida a brigada expedicionária, liderada pelo brigadeiro Francisco de Lima e Silva, em 1824, que tinha por finalidade combater os revoltosos confederados, em Pernambuco, e reprimir a Confederação do Equador. Suas operações se iniciaram nas Alagoas, incorporando tropas pernambucanas fiéis ao governo nomeado pelo imperador, e forças enviadas da Bahia e Rio de Janeiro.
3 A capitania de Pernambuco foi uma das subdivisões do território brasileiro no período colonial. Em 9 de Março de 1534, essas terras foram doadas ao fidalgo português Duarte Coelho Pereira, que fundou Recife e Olinda (primeira capital do estado) e iniciou a cultura do cultivo de cana-de-açúcar e algodão, que teriam importante papel na história econômica do país. A capitania originalmente se estendia por 60 léguas entre o rio Igaraçu e o rio São Francisco, e era chamada de Nova Lusitânia.
De início, esta capitania foi a de maior destaque e cuja exploração foi a mais bem sucedida, devido ao cultivo da cana-de-açúcar, sendo responsável por mais da metade das exportações brasileiras. O sucesso da cultura da cana de açúcar acabou por atrair investimentos de outros colonos portugueses. O povoado de Olinda prosperou tanto que, em 1537, a prosperidade do povoado de Olinda fez com que ela fosse elevada à categoria de vila, tornando-se um dos mais importantes centros comerciais da colônia.
Em 1630 os holandeses invadem Olinda e conquistam Pernambuco. Olinda é incendiada em 1631, como resultado dos contra-ataques portugueses. Recife torna-se o centro administrativo e começa a prosperar sob a administração dos holandeses. O conde Maurício de Nassau marcou sua administração com mudanças econômicas, sociais e culturais: tolerância religiosa, melhoramento urbano em Recife, incentivo a atividades artísticas e estudos científicos, além de acordos com os senhores de engenho no sentido de minorar suas dívidas e incentivar a produção de açúcar. Os holandeses foram expulsos em 1654, e foi iniciada a lenta reconstrução da vila de Olinda. Os anos de guerra para expulsão dos holandeses e os conflitos internos abalaram a economia da capitania e, com o crescimento de outras regiões da colônia, Pernambuco perdeu sua supremacia econômica.
Data também do século XVII a formação do Quilombo dos Palmares, o maior centro de resistência negra à escravidão do período colonial. Parte dele localizava-se em terras da capitania de Pernambuco, e era formado por escravos fugitivos. Foi destruído em 1690 por Domingos Jorge Velho, após quase um século de existência.
Pernambuco foi palco de diversos conflitos e revoltas. A guerra dos mascates, em 1710 e 1711, apresentou-se como um embate entre interesses imediatos de comerciantes portugueses _ concentrados em Recife e pejorativamente chamados de mascates _ e senhores de engenho, baseados em Olinda. A já existente rivalidade entre as duas cidades, que expressava uma disputa de poder político entre os dois grupos mencionados, acentuou-se em 1710, com a elevação do povoado de Recife à categoria de vila, independente de Olinda, que a partir de então entraria em declínio, perdendo o status de capital para a rival logo em 1711. Em 1817, a Revolução pernambucana eclode e marca o período de governo de d. João VI como um dos principais movimentos de contestação ao domínio português no período. E em meio a esse clima, a dissolução da Assembléia Constituinte em 1823, e a outorga da Constituição de 1824 por d. Pedro I geraram violenta reação de Pernambuco. E, após a tentativa de destituição de Manuel Paes de Andrade da presidência da província, para a nomeação de Francisco Pais Barreto pelo Imperador, acirraram-se as tensões, abrindo caminho para um movimento contestador: a Confederação do Equador.
4 D. Pedro I. O título de Imperador Constitucional faz referência à Constituição que supostamente regeria seu governo. Entretanto, a dita Constituição (1824), além de ter sido outorgada, não chegava a cercear a vontade do Imperador, pois lhe garantia constitucionalmente amplos poderes, através do chamado "Quarto Poder", ou poder "Moderador." Este, exercido exclusivamente pelo Imperador, poderia interferir nos poderes legislativo e judiciário, encontrando-se acima destes.
5 A comissão militar foi criada pelo Imperador, com a carta régia de 25 de julho de 1824, com a finalidade de julgar e sentenciar os revoltosos confederados. O decreto de criação da comissão era, em si, quase uma exigência de condenação, ordenando que os réus fossem processados de forma sumária e verbal pela comissão. Funcionou sob a presidência do brigadeiro e governador interino da província, Francisco de Lima e Silva, e suas atividades se encerraram em março de 1825, após o sentenciamento sumário dos implicados.
6 Desde o início de 1824, Manuel de Carvalho Paes de Andrade demonstrou preocupação com uma reorganização militar da região. Em janeiro, um decreto por ele emitido determinava a reorganização das companhias de guerrilhas, e ainda que o capitão-comandante de cada companhia seria nomeado pelo próprio presidente de província. Outros postos dentro de cada companhia, embora indicados pelo capitão, deveriam ser confirmados pelas autoridades civis. Embora seus membros se originassem também de outras forças armadas, as guerrilhas não se integravam ou subordinavam a nenhum outro corpo militar. Seu objetivo era manter a ordem pública geral, manter a segurança local, vigiar estradas, controlar o fluxo de pessoas. Poderiam contudo, em caso de necessidade, atuar como uma força militar convencional, caso em que se subordinavam ao Governador das Armas. O governo de Pernambuco também convocou corpos de milícias e determinou um recrutamento geral de indivíduos capazes em algum ofício, mesmo artesãos presos, para se engajarem em obras e tarefas especializadas.

União de Pernambuco e Ceará

Oficio de Tristão Gonçalves de Alencar Araripe, presidente da província do Ceará, a Manoel Carvalho Paes de Andrade, presidente da província de Pernambuco, solicitando auxílio em armamentos, pois as tropas cearenses não possuíam muito poder de fogo. Defende também que as duas províncias, Ceará e Pernambuco, deveriam lutar juntas contra o imperador e em defesa da liberdade.


Conjunto documental: Confederação do Equador
Notação: caixa 742, pct. 01
Data-limite: 1808-1878
Titulo de fundo: Confederação do Equador
Código do fundo: 1N
Data do documento: 30 de abril de 1824
Local: Ceará
Folhas(s): -

Está feita a nossa intima união, quer de reciprocidade de sentimentos, quer de riscos, e de perigos. O Ceará 1 não cede a Pernambuco 2 em patriotismo, e zelo da sua liberdade: ambas são Províncias do Brasil, cheias de gás, e daqueles ilustres caracteres que a natureza gravou nos corações livres dos Brasileiros honrados. Do papel junto verá V. Exª os motivos que nos obrigarão a depor o Presidente do governo desta província dentro de quatorze dias. O senhor Pedro José da Costa Barros em tão pequeno período de tempo tornou-se o alvo dos ressentimentos deste povo brioso, que já não sofre os enganos, e para melhor dizer, o descaramento do Gabinete do Rio de Janeiro 3. Quis levar-nos como escravos dos ferros do despotismo, e pretendeu que o Ceará negasse á Pernambuco aqueles indispensáveis socorros, que hum irmão deve prestar a seu irmão consternado: propôs mesmo que nós fossemos de todo opostos aos sentimentos dos dessodados Pernambucanos. Foi este hum evidente testemunho da sua denegação a idéias Liberais 4, e apesar dos nossos convites já mais se resolve abraçar o nosso sistema, e muito menos desaferrar-se dos princípios Ministeriais, quais havia adotado no Rio de Janeiro. Estamos certos de breve invasão, e nos achamos desarmados. Rogo por tanto a V.Exª. queira repartir conosco o armamento, e petrexos de guerra, que puder dispensar, para cuja condução enviarei ao Sargento Mor Luis Rodrigues Chaves a essa Província, ou outro qualquer oficial com a mais possível brevidade. Parece desnecessário afiançar a V. Exª. uma inabalável identidade do bem, ou do mal entre estas duas Províncias. Em quanto durar a minha Presidência Temporária, e ainda depois dela conte V.Exª., que o Ceará não afrouxará hum só fuzil da grande cadeia, que nos interlassa, pois que de mais á mais temos na frente o intrépido Senhor Filgueiras, o ídolo do Povo, e tão firme como uma rocha no embate das ondas. Creio que V.Exª. me entende. Espero ansioso pela deliberação das Províncias a quem o extinto Governo Provisório 5 se dirigiu para a coligança afim de melhor defender-mo-nos do inimigo.

Deus Guarde a V.Exª. como he mister. Palácio do Governo do Ceará 30 de Abril de 1824, 3.º da Independência e do Império.
Senhor Manoel de Carvalho Paes de Andrade 6, Presidente do governo da Província de Pernambuco.
Tristão Gonçalves de Alencar Araripe.7

1Capitania hereditária estabelecida em 1534 tornou-se parte do Estado do Maranhão em 1621. Passou a integrar o Estado do Brasil em 1656, ficando subalterna à capitania de Pernambuco até 1799, ano em que alcançou o status de capitania independente.
A pecuária contribuiu bastante para a sua efetiva colonização, interiorizando a ocupação de seu território. A criação de gado expandiu-se no século XVIII, quando foi levada para Pernambuco, Bahia e Minas Gerais pelos caminhos do sertão. Além do mercado interno, a pecuária cearense destinava couro e carne para o exterior. Existiam outros produtos como as madeiras nobres, o sal, o algodão e a cera de carnaúba, que tiveram importância para a economia dessa capitania. O interior da província manteria uma concentração maior de população e de atividades de produção até meados do século XIX, o que explica a iniciativa de vilas da região do Crato e de Quixeramobim nas revoltas de 1817 e 1824.
Na Revolução de 1817, a capitania do Ceará foi palco das lutas entre os revolucionários e os contra-revolucionários. Seu governador, Manuel Inácio de Sampaio, foi um dos principais aliados do conde dos Arcos, governador da Bahia, no freio à expansão da revolução no Nordeste e na subseqüente vitória sobre os rebeldes. A luta contra os revolucionários encontrou grandes dificuldades, visto que o poder central da Coroa não penetrava pelo interior nordestino com a facilidade desejada. Com isso, os revolucionários aproveitaram esse espaço para angariar apoio da população local e, posteriormente, como refúgio da contra-ofensiva do poder central.
A Revolução de 1817, apesar de malograda, foi a semente de um movimento maior, que floresceu em Pernambuco e se expandiu pelo nordeste, incluindo-se o Ceará: a Confederação do Equador. Destaca-se aí a participação de Tristão Gonçalves de Alencar Araripe, liberal radical, que veio a tornar-se chefe do governo cearense.
O Ceará, depois de Pernambuco, foi o estado onde a adesão ao movimento revolucionário foi mais ativa e intensa, e se deu de forma imediata. Anteriormente a sua proclamação, já haviam eclodido vários focos insurrecionais no Ceará : a Câmara de Quixeramobim (antiga Vila de Campo Maior) declarou decaída a dinastia dos Bragança; e o Padre Gonçalo Inácio de Loiola, mais tarde, Padre Mororó, espalhou pelo Icó, São Bernardo das Russas e Aracati o movimento revolucionário. José Pereira Filgueiras e Tristão Gonçalves comandaram a adesão do Crato.
Os embates foram intensos, espalharam-se pelos sertões, e a repressão acabaou por eliminar, de forma previsivelmente sangrenta o movimento de 1824, executando ou assassinando suas principais lideranças.
2A capitania de Pernambuco foi uma das subdivisões do território brasileiro no período colonial. Em 09 de Março de 1534, essas terras foram doadas ao fidalgo português Duarte Coelho Pereira, que fundou Recife e Olinda (primeira capital do estado) e iniciou a cultura do cultivo de cana-de-açúcar e algodão, que teriam importante papel na história econômica do país. A capitania originalmente se estendia por 60 léguas entre o rio Igaraçu e o rio São Francisco, e era chamada de Nova Lusitânia.
De início, esta capitania foi a de maior destaque e cuja exploração foi a mais bem sucedida, devido ao cultivo da cana-de-açúcar, sendo responsável por mais da metade das exportações brasileiras. O sucesso da cultura da cana de açúcar acabou por atrair investimentos de outros colonos portugueses. O povoado de Olinda prosperou tanto que, em 1537, a prosperidade do povoado de Olinda fez com que ela fosse elevada à categoria de vila, tornando-se um dos mais importantes centros comerciais da colônia.
Em 1630 os holandeses invadem Olinda e conquistam Pernambuco. Olinda é incendiada em 1631, como resultado dos contra-ataques portugueses. Recife torna-se o centro administrativo e começa a prosperar sob a administração dos holandeses. O conde Maurício de Nassau marcou sua administração com mudanças econômicas, sociais e culturais: tolerância religiosa, melhoramento urbano em Recife, incentivo a atividades artísticas e estudos científico, além de acordos com os senhores de engenho no sentido de minorar suas dívidas e incentivar a produção de açúcar. Os holandeses foram expulsos em 1654, e foi iniciada a lenta reconstrução da vila de Olinda. Os anos de guerra para expulsão dos holandeses e os conflitos internos abalaram a economia da capitania e, com o crescimento de outras regiões da colônia, Pernambuco perdeu sua supremacia econômica.
Data também do século XVII a formação do Quilombo dos Palmares, o maior centro de resistência negra à escravidão do período colonial. Parte dele localizava-se em terras da capitania de Pernambuco, e era formado por escravos fugitivos. Foi destruído em 1690 por Domingos Jorge Velho, após quase um século de existência.
Pernambuco foi palco de diversos conflitos e revoltas. A guerra dos mascates, em 1710 e 1711, apresentou-se como um embate entre interesses imediatos de comerciantes portugueses _ concentrados em Recife e pejorativamente chamados de mascates _ e senhores de engenho, baseados em Olinda. A já existente rivalidade entre as duas cidades, que expressava uma disputa de poder político entre os dois grupos mencionados, acentuou-se em 1710, com a elevação do povoado de Recife à categoria de vila, independente de Olinda, que a partir de então entraria em declínio, perdendo o status de capital para a rival logo em 1711. Em 1817, a Revolução pernambucana eclode e marca o período de governo de d. João VI como um dos principais movimentos de contestação ao domínio português no período. E em meio a esse clima, a dissolução da Assembléia Constituinte em 1823, e a outorga da Constituição de 1824 por D. Pedro I geraram violenta reação de Pernambuco. E, após a destituição de Manuel Paes de Andrade da presidência da província, para a nomeação de Francisco Pais Barreto pelo Imperador, acirraram-se as tensões, abrindo caminho para um movimento contestador que ficou conhecido como Confederação do Equador, proclamada em 2 de julho de 1824.
3A sede do governo naquele momento localizava-se no Rio de Janeiro, corte desde a vinda da família real em 1808, e que se tornou alvo de ressentimentos por parte dos confederados. A animosidade relacionava-se com o fato de que o poder ali instalado - o gabinete do Rio de Janeiro, ou seja, o Imperador e seus ministros - apresentava-se com uma face despótica e centralista, não muito diferente daquela apresentada pela dinastia de Bragança antes da Independência, quando sediada em Lisboa. Além disso, a maior atenção atribuída àquela cidade e e a região sudeste, evidenciada inclusive na Constituição de 1824, deixaria marginalizado o restante do país, em especial a região nordeste.
4Inspiradoras do movimento nordestino de 1824, e de diversos outros movimentos revolucionários, as idéias liberais têm raízes nas lutas da burguesia em superar os obstáculos que a ordem jurídica feudal opunha ao livre desenvolvimento da economia. O liberalismo postulava as limitações do poder estatal em benefício das liberdades individuais, era fundamentado nas teorias racionalistas e empiristas do Iluminismo, e na expansão econômica gerada pela industrialização. O ideário liberal no terreno econômico possuía sua contrapartida no terreno das idéias políticas, que defendiam a liberdade intelectual e a secularização do processo político, visto cada vez mais como um negócio entre iguais. O ideário liberal, de uma forma ampla, influenciou muitos movimentos "rebeldes" antes e depois de 1822, fosse para justificar a independência política ou o fim do monopólio comercial, fosse para justificar o rompimento com um governo centralizador e despótico. A Confederação do Equador, bem como a Revolução de 1817, são marcadas pelo liberalismo radical, embora defendido com variados graus de intensidade e sinceridade, e apesar da forte repressão, as idéias republicanas e autonomistas estavam significativamente presentes em parcelas da sociedade pernambucana. O principal defensor, no plano intelectual, das idéias liberais durante a Confederação do Equador foi o carmelita Joaquim do Amor Divino, o Frei Caneca, que utilizava o jornal Tífis Pernambucano para defendê-las, reafirmando que a origem da soberania residia no povo e nação, que agiam através de representantes legítimos.
5 Foi o nome de uma junta governamental composta por 5 membros oriundos das principais camadas da sociedade, durante a Revolução Pernambucana. Instituída em 08 de março de 1817, integravam-na os seguintes representantes: Domingos José Martins, chefiando o comércio; João Ribeiro de Pessoa de Mello e Montenegro, o clero; Manoel Correia de Araújo, os proprietários de terras; José Luiz de Mendonça, a Justiça; e Domingos Teotônio Jorge, o exército. Domingos Teotônio e Francisco de Paula foram os principais líderes militares da rebelião de 17, e ocupavam, respectivamente, os cargos de general em armas e da divisão. A partir de sua criação, o governo provisório iniciou uma série de medidas, como a criação de cargos de secretário de estado, abolição de impostos sobre lojas e subsídio militar de 160 réis em arroba de carne verde; decretos estabelecendo a liberdade plena de comércio e assegurando a propriedade aos senhores de escravos; e a aprovação das leis orgânicas em 7 de abril. Em virtude da iminência da invasão pelas tropas reais e a não-aceitação do acordo de capitulação, a junta governamental foi dissolvida a 18 de maio de 1817, delegando amplos poderes a Domingos Teotônio Jorge. A referência ao Governo Provisório, contudo, sobreviveria à rebelião, influenciando os rebeldes de anos vindouros, frequentemente lembrado tanto pelo poder instaurado - que temia a sua evocação - quanto pelos opositores deste - que ameaçavam com seu retorno.
6O político brasileiro Manuel de Carvalho Paes de Andrade nasceu em Pernambuco, nos anos 1770. Quando jovem, passou uma temporada em Portugal e, de volta a Pernambuco, dedicou-se ao comércio. Esteve presente na Revolução Pernambucana de 1817 e, com a derrota do movimento, refugiou-se nos Estados Unidos, temendo a retaliação das autoridades. Após a anistia, em 1821, retorna ao Brasil, e ocupa o cargo de Intendente da Marinha. Foi eleito presidente da província de Pernambuco, provisoriamente, em 13 de dezembro de 1823, após a renúncia de Francisco Pais Barreto. Em 8 de janeiro de 1824, foi confirmado presidente pelos eleitores pernambucanos, contrariando as ordens do governo imperial, que indicara Francisco Pais Barreto para a presidência.
Manoel de Carvalho foi o responsável pela proclamação da Confederação das Províncias Unidas do Equador, em 2 de julho de 1824. Malogrado o movimento, desloca-se para a Inglaterra, onde vive por volta de sete anos. Já de volta ao Brasil, foi eleito senador pela Província da Paraíba, e em 1834, foi novamente presidente da província de Pernambuco, além de deputado geral e senador do Império do Brasil, entre 1831 e 1855. Faleceu no Rio de Janeiro, em 1855.
7 Tristão Gonçalves de Alencar Araripe nasceu no Crato, em 1789, filho de Bárbara de Alencar, revolucionária de 1817 e da Confederação do Equador, (além de ter sido a primeira prisioneira política do Brasil, por sua participação em 1817). Ao lado da mãe, do irmão José Martiniano de Alencar, e do tio Leonel Pereira de Alencar, participou da Revolução Pernambucana de 1817, e na tentativa de revolucionar terras cearenses, no que seria chamado de República do Crato. Contudo, não houve êxito. Os revolucionários foram presos pelo capitão-mor José Pereira Filgueiras e enviados para presídios em Fortaleza.
Quando da sua liberdade, e da eclosão da Confederação no Crato, aderiu ao movimento, tornando-se uma de suas figuras mais representativas. Tanto que em 26 de agosto de 1824, foi proclamado pelos rebeldes republicanos como presidente da Província do Ceará, destituindo-se, assim, do cargo o Tenente Coronel Pedro José da Costa Barros. Ao seu lado, José Pereira Filgueiras, velho comandante militar, figurava como comandante das armas. Outrora seu inimigo político, lutariam pela mesma causa em 24, formando uma dupla de grande poder político.
Em outubro de 1824, em meio ao massacre promovido pelas forças imperiais, Tristão Gonçalves foi morto pelas tropas do capitão-mor das fronteiras, Antônio de Amorim, no município de Jaguaretema, interior do Ceará.

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