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Império Luso-Brasileiro

Caiena

Publicado: Sexta, 23 de Fevereiro de 2018, 19h18 | Última atualização em Sexta, 08 de Junho de 2018, 18h51

  • A cidade de Caiena 

       
    Ana Carolina Eiras Coelho Soares
    Mestre em História - UERJ

    Elaine Cristina Ferreira Duarte
    Mestre em História - UErJ

    A cidade de Caiena foi fundada em 1634, tornando-se a capital e o principal porto da Guiana Francesa. A localização geográfica dessa colônia francesa – situada ao Norte do atual Estado do Amapá –  rendeu para o mundo luso-brasileiro sérias questões de fronteira, somente resolvidas na década de 1810.  Desde o século XVII, as Coroas de França e Portugal discordavam quanto ao seu local exato na América:  para os portugueses,  o limite entre os seus domínios e os dos franceses era o rio Oiapoque, também chamado Vicente Pinzón;  para os franceses, o limite entre os dois territórios era a margem setentrional do rio Amazonas.  A questão das fronteiras gerou um impasse, uma vez que estava em jogo a navegação  do rio Amazonas. 

    Em 4 de março de 1700,  França e Portugal assinaram um tratado provisório  - o primeiro a tentar por fim a esse embate – no qual foi permitido aos vassalos de ambas as coroas estabelecerem-se livremente na região compreendida entre os rios Oiapoque  e Amazonas,  resultando na neutralização provisória do território contestado até a concepção de um ajuste definitivo. Esse tratado, porém, foi anulado por ocasião da Guerra de Sucessão Espanhola (1701-1714) que colocou em lados opostos as duas Coroas. Como resultado desse conflito, em 11 de abril de 1713,  França e Portugal assinaram o Tratado de Ultrecht, buscando por termo à questão dos limites no continente americano.  Determinava esse Tratado  que o limite entre as duas possessões seria o rio Oiapoque,  tal como reivindicavam os portugueses.

    Contudo,  as questões existentes entre os dois países não se encerraram nesse momento. Com a ascensão de Napoleão Bonaparte ao poder na França, declarando-se imperador (1804) e dando início as chamadas “guerras napoleônicas”,  as relações entre as duas Coroas voltaram a se estremecer, culminando com a invasão de Portugal pelos exércitos franceses e com a declaração de guerra do príncipe regente d. João à França em maio de 1808, já no Brasil.   Uma vez declarada a guerra aos franceses, d. João e seu ministro da Guerra, d. Rodrigo de Souza Coutinho, preparam um ataque aos domínios franceses na América do Sul. Em novembro de 1808, partiram do Pará as tropas portuguesas sob o comando do tenente-coronel Manoel Marques. Em janeiro de 1809, Caiena capitulava e era anexada aos domínios de Portugal. Manoel Marques governou provisoriamente Caiena até que o desembargador  João Severiano Maciel da Costa  assumisse a administração da colônia em março de 1810.

    Caiena não era a principal colônia da França,  mas teve um papel importante na história do Brasil colonial especialmente em função do seu jardim de aclimatação chamado La Gabrielle.  Com a posse sobre La Gabrielle, Portugal  procurou fomentar o Horto Botânico do Pará, criado em 1796, através da remessas  de mudas de plantas exóticas (especiarias), que possuíam um alto valor no mercado internacional. É interessante ressaltar que se essas remessas antes eram feitas na clandestinidade, a partir de 1809 os portugueses podiam dispor dessas mudas a qualquer momento.
     
    A cana caiena, a noz-moscada, o cravo-da-ìnida, a fruta-pão e talvez a carambola e a fruta do conde foram introduzidas no Brasil através dessa cidade.  Também vieram de Caiena as primeiras mudas de café ainda no século XVIII. Data do final de 1809, a primeira remessa  de espécies de Caiena para o Belém do Pará sob a da nova condição de colônia portuguesa.  Ao total, foram enviadas 82 espécies acompanhadas das instruções para o seu plantio.   Com a criação do Real Horto (1808), no Rio de Janeiro, e do Horto de Olinda (1811), consolidou-se a rota  de remessas de plantas exóticas  de Caiena para o Pará, e de lá para os demais hortos do Brasil.  Merece menção a atuação de João Severiano Maciel da Costa na supervisão da administração de La Gabrielle,  adotando medidas para a proteção do cultivo e do comércio das especiarias.

    Esta relação profícua entre o La Gabrielle e o Horto do Pará encerrou-se com a restituição da colônia de Caiena à França, em função da queda de Napoleão e das determinações do Congresso de Viena (1815). Mais uma vez a questão das fronteiras veio à tona e, de acordo com o Congresso de Viena, os limites estabelecidos pelo Tratado de Ultrecht seriam mantidos. A retomada da colônia pela França apenas se concretizou em 1817,  com a assinatura de uma convenção particular entre as duas Coroas.

    O Arquivo Nacional possui uma coleção de documentos relacionados à Caiena, nas primeiras décadas do século XIX. Esse conjunto contém fontes que permitem um maior conhecimento a respeito da Guiana Francesa, como os mapas descritivos que traçavam um perfil da população (Dezembro de 1813). Comprovam também a preocupação de um maior controle administrativo, através dos mapas de importação e exportação (Dezembro de 1813) e o controle de entrada e saída de embarcações (06 de Fevereiro de 1810). Além disso, situações administrativas gerais, como cobranças de impostos, e casos criminais (27 de Setembro de 1809), também eram assuntos de interesse das autoridades.

    Através desta coleção é possível constatar a importância das expedições naturalistas e do cultivo das especiarias. As referências sobre La Gabrielle ratificam a valorização das plantas exóticas e especiarias como produtos de grande valor. Para a produção em larga escala era necessário, sobretudo, a mão-de-obra escrava - principal força de trabalho do período - e a legalização destes escravos constam em requisições presentes na Coleção Caiena (24 de Abril de 1809).

    Outros assuntos relativos às invasões francesas e a posse de Portugal pela região da Guiana fazem-se presentes, por exemplo, através de inventários das armas de fogo, munições e artifícios de fogo (17 de maio de 1816); e de cartas que abordam o temor de uma invasão francesa (09 de julho de 1815). Mas, durante a conquista portuguesa de Caiena, as relações da Guiana Francesa com o Brasil podem ser percebidas especialmente através do interesse nas plantas e produtos naturais, abundantes na região. Nesse sentido, La Gabrielle foi bastante explorado pelos portugueses, beneficiando a agricultura luso-brasileira.

    Através da documentação disponível no Arquivo Nacional, descortinam-se alguns aspectos econômicos, sociais e políticos de Caiena. A importância desta cidade no contexto ultramarino fez-se presente em diversas situações, influenciando, principalmente, as relações entre Portugal e França.
     

     

  • Ordem de João Severiano Maciel da Costa em nome do príncipe regente, a respeito do antigo imposto cobrado sobre o tafiá, mais conhecido como cachaça.

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: ordem de João Severiano Maciel da Costa em nome do príncipe regente, a respeito do antigo imposto cobrado sobre o tafiá, mais conhecido como cachaça, e o direito de patentes, obrigando todos os fabricantes a entregar no depósito Real toda a porção que existirem em suas fábricas, sendo condenados a três meses de prisão os fabricantes que não cumprirem com estas medidas.
    Data do documento: 7 de março de 1810
    Local:Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos diversos
    Notação:  Caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: carta emitida pela Procuradoria Real sobre os escravos da madame Syburt, solicitando a requisição de legalização destes.
    Data do documento: 24 de abril de 1809.
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: tabela da administração civil da junta provisória de Caiena com os honorários pagos aos empregados e explicando seus respectivos cargos.
    Data do documento: 1809
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: tabela de impostos da capacitação cobrados a todos os indivíduos livres ou escravos que residissem na colônia de Caiena.
    Data do documento: 1809-1810
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: tabela da administração do hospital militar de Caiena contendo a relação dos empregados e despachos e explicando os destinos destes últimos.
    Data do documento: 1809
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: mapa geral da população de Caiena no ano de 1813, por João Henrique Sierget, escrivão da Fazenda.
    Data do documento: dezembro de 1813
    Local: Caiena
    Folha (s): - 

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792 - 1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: mapa geral das importações e exportações da Colônia de Caiena e Guiana desde 1º de janeiro até 31 de dezembro de 1813.
    Data do documento: janeiro de 1814
    Local: Caiena
    Folha (s): - 

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: mapa particular das importações e exportações entre a colônia de Caiena e Guiana e os portos do Pará, Maranhão, Pernambuco e Lisboa no ano de 1813 demonstrando o valor dos gêneros importados  e exportados, sendo os importados especiarias, vinho, arroz, carne e peixe e os exportados, somente especiarias.
    Data do documento: dezembro de 1813
    Local: Caiena
    Folha (s): - 

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792 - 1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: mapa particular das importações e exportações entre a colônia de Caiena e Guiana e os diversos portos ingleses tanto das colônias como da Europa no ano de 1813 sendo estes produtos: especiarias, farinha, alimentos, ferramentas, ferro e cabos.
    Data do documento: dezembro de 1813
    Local: Caiena
    Folha (s): -
     
    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: mapa geral populacional das vilas de Caiena, Mathouri, Tonnegrande, Cascade e Cavala, Montsineri, Macouria, Coura, La Connte, Konrou, Sinamari, Trabouco, Kaw, Appronagues, Oyapoch.
    Data do documento: 1815
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792 - 1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: mapa da população de Caiena em 1815 feito pelo desembargador João Severiano Maciel da Costa
    Data do documento: dezembro de 1815
    Local:  Caiena
    Folha (s):  -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792 - 1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: tabela de direito do que pertence à alfândega de Caiena e Guiana sobre a entrada e saída das mercadorias e gêneros, sendo estes: tabaco, vinhos, algodão e pólvora.
    Data do documento: dezembro de 1815
    Local: Caiena
    Folha (s): - 

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792 - 1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: carta da Procuradoria Real sobre os escravos de madame Syburt.
    Data do documento: 18 de maio de 1809.
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792 - 1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: requerimento de Francisco Gonçalves dos Santos, ajudante do regimento de infantaria, em nome de sua esposa, Mariana Francisca ilegível Outreville. A dita esposa, viúva de Jaques Sahut, emigrara com o mesmo, para a capitania do Pará. Ambos saíram de Caiena em função da Revolução Francesa, o que acarretou no confisco de seus bens. O requerimento, portanto, é para reaver esses bens, dentre os quais, vinte e um escravos. O documento está incompleto.
    Data do documento: 8 de março de 1809
    Local: Pará
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792 - 1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: descrição da colônia de Caiena, incluindo o número de escravos que possui, a sua produção e ocupação.
    Data do documento: 7 de dezembro de 1809
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: ofício de d. Rodrigo de Souza Coutinho para d. Fernando José de Portugal mencionando a tomada e destruição de Caiena, além dos rendimentos obtidos com o ouro desta província. Cita também a navegação no rio Amazonas e no rio da Prata.
    Data do documento: 7 de abril de 1808
    Local: Paço
    Folha (s):-

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: conjunto de mapas e tabelas referentes à importação e exportação no porto de Caiena, administração da justiça, à propriedade de terras situadas na colônia de Caiena, à relação de empregados na fabrica de pólvora do arsenal da marinha e os empregados e despachos realizados no Tribunal de Justiça durante o ano de 1809.
    Data do documento: dezembro de 1809
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação: caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: ofício de Manoel Marques, brigadeiro governador de Caiena para o Marques de Aguiar citando o envio de uma carta referente às “Três Guianas”, o inventário da artilharia, munições de guerra e o mapa do estado da tropa da respectiva guarnição. Também menciona a tomada do Suriname pelos holandeses.
    Data do documento: 31 de maio de 1816
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: oficio de João Severiano Maciel da Costa, desembargador e intendente geral de Caiena para o Marques de Aguiar tratando das contas dos anos de 1814 e 1815 mencionando a notícia de entregar a colônia em virtude do tratado de 30 de maio de 1814.
    Data do documento: 2 de junho de 1816
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: pedido do intendente geral de Caiena, João Severiano Maciel da Costa, para que se envie a uma família recém chegada a Pernambuco um subsidio anual para suas despesas.
    Data do documento: s. d.
    Local: s. l.
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: mapa referente ao estado atual das praças que os regimentos da capitania do Pará guarneciam na colônia de Caiena.
    Data do documento: 31 de maio de 1816
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: inventário das armas de fogo, munições de guerra e artifícios de fogo que existiam em Caiena em 17 de maio de 1816.
    Data do documento: 17 de maio de 1816
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: ofício de João Maciel da Costa para o Marques de Aguiar que cita a ida da escuna Emília, pertencente a Sua Alteza Real para Paranambuí, tendo sido esta viagem adiantada.
    Data do documento: 30 de maio de 1816
    Local: Caiena
    Folha (s):-

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: ordem de João Severiano Maciel da Costa proibindo qualquer embarcação levar para fora da colônia planta ou semente de cravo, moscada, canela e pimenta.
    Data do documento: 24 de fevereiro de 1810
    Local:Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação: caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: cópia de uma carta em latim escrita pelo prefeito da propaganda religiosa ao prefeito da missão apostólica de Caiena, a respeito desta missão.
    Data do documento: 24 de junho de 1792
    Local: Roma
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: ordem de João Severiano Maciel da Costa em nome do príncipe regente comentando sobre a cobrança de impostos, alegando que estes iriam recair sobre a população da colônia para se ter uma arrecadação regular e uniforme.
    Data do documento: 27 de março de 1810
    Local:Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: ordem de João Severiano Maciel da Costa em nome do príncipe regente a respeito da cobrança de impostos na colônia de Caiena.
    Data do documento: 17 de fevereiro de 1810
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: ordem de João Severiano Maciel da Costa, intendente geral de Caiena e Guiana Francesa, em nome do príncipe regente, para dar regularidade às averiguações da polícia para a entrada e saída de embarcações
    Data do documento: 6 de fevereiro de 1810
    Local:Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: proclamação de João Severiano Maciel da Costa, intendente geral de Caiena e Guiana aos habitantes destas enaltecendo a Coroa portuguesa e os benefícios que esta administração trará para o povo de Caiena e Guiana.
    Data do documento: 8 de janeiro de 1810
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: ofício de João Severiano Maciel da Costa, desembargador intendente geral de Caiena, para o conde de Aguiar, ministro e secretário de Estado dos negócios do reino se referindo à paz em que se encontrava o local desde o dia do sucesso da revolução das tropas no dia 5 de março de 1811. Também comenta a felicidade dos habitantes com a troca de governo.
    Data do documento: 3 de junho de 1811
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação: caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: mapa comparativo dos gêneros carregados no Maranhão segundo o registro e declaração do capitão, e salvos, transportados e vendidos em Caiena, sendo estes artigos: arroz grosso e miúdo, algodão, couro de boi, vaquetas, goma de farinha, borracha, café, fazendas diversas, lenha, moedas.
    Data do documento: 3 de julho de 1811.
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: conta do frete que o proprietário do navio S. Ana Vigilante deve pagar pelo transporte do Maranhão até Caiena dos gêneros salvados, sendo estes: arroz, algodão, couro de boi, farinha, café, sacos de borracha, fazendas e paneiros de goma.
    Data do documento: s. d
    Local:Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação: caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: conta das despesas feitas para a salvação da carga e do navio S. Ana Vigilante dentre estas se encontrando o frete das embarcações e os homens empregados a bordo do navio.
    Data do documento: s.d.
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: conta geral da venda feita em Caiena dos gêneros salvados do S. Ana Vigilante e também da venda do dito navio. Dentre os produtos se encontram: arroz grosso, arroz miúdo, algodão, farinha, fazendas, café, moedas.
    Data do documento: maio de 1811.
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: exposição dos meios empregados pela Intendência Geral de Caiena em socorro do navio S. Ana Vigilante, saído do Maranhão e naufragado nesta costa e também a conta dos bens que foram salvos.
    Data do documento: maio de 1811.
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: ofício de João Severiano Maciel da Costa para o conde Aguiar mencionando o pedido do monsenhor Gombaud, naturalista, assistente em Suriname para que se possa dedicar a S. Alteza Real sua história sobre a Guiana Francesa, onde procura ligar esta colônia aos portos do Brasil. Também cita a remessa de uma embarcação para Pernambuco com um novo provimento de plantas de especiarias para um viveiro que deve se estabelecer naquele clima, além de caixas contendo cravo, canela, pimenta, pimenta branca, entre outros produtos.
    Data do documento: 23 de abril de 1811
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: documento escrito por João Severiano Maciel da Costa comentando o feito do capitão Grassin que pilhou duas pequenas goletas pertencentes à uma casa francesa da Vila de Caiena.
    Data do documento: 29 de março de 1811
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação: caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: listagem contendo os nomes dos escravos reclamados por Laurent Marie Dupre de Geneste na colônia de Suriname.
    Data do documento: 17 de fevereiro de 1811
    Local: Suriname
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação: caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: ofício de João Severiano Maciel da Costa, desembargador intendente geral da Polícia para o conde de Aguiar dizendo ter que se cumprir a real ordem expedida pela Secretaria do Estado dos Negócios da Guerra para a remessa das plantas de especiarias que se recebeu do Pará.
    Data do documento: 26 de fevereiro de 1811.
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: carta de agradecimento escrita por João Severiano Maciel da Costa, desembargador intendente da colônia de Caiena para os habitantes desta vila por conta da participação destes últimos em uma revolução armada promovida por soldados dissidentes.
    Data do documento: 10 de março de 1811.
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação: caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: ofício do desembargador intendente João Severiano Maciel da Costa para o Conde de Aguiar falando do jardim La Gabrielle, sendo esta uma fazenda Real destinada ao naturalista Mr. Martin. Também trata da administração civil da Guiana Francesa nos ramos da Justiça, Fazenda e Polícia, que devem ser submetidos à lei de Portugal.
    Data do documento: 28 de fevereiro de 1811.
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação: caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: ofício do desembargador intendente geral da Polícia, João Severiano Maciel da Costa para o conde de Aguiar. Contém dois requerimentos: um de Francisco Gonçalves dos Santos, em nome de sua esposa, Madame Sahut, emigrada da colônia de Caiena para a capitania do Pará; e outro de Mr. de Genéste, emigrado para os Estados Unidos. Ambos reclamam o confisco de escravos pelo governo francês que proibira a emigração nas colônias baseado em decreto de Bonaparte. De acordo com o mesmo decreto, os requerentes deveriam ter seus bens restituídos, o que não pôde ocorrer, já que ambos não estavam mais em Caiena.
    Data do documento: 28 de fevereiro de 1811.
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação: caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: ofício do conde d’Aguiar descrevendo as características geográficas de Caiena, destacando a facilidade de comunicação por estar situada entre rios.
    Data do documento: 7 de outubro de 1809.
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: ofício de José Narcisse de Magalhães e Menezes, cônsul de Sua Alteza Real, governador e capitão-general da capitania do Grão-Pará para Manoel Marques suplicando a presença do senhor para dar uma procuração para que o primeiro consiga uma pequena habitação situada no “Oyapoch”.
    Data do documento: 24 de abril de 1809.
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação:  caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Ementa: carta ao marquês de Aguiar enviada por João Severiano Maciel da Costa relatando os últimos acontecimentos na França e lamentando a recuperação do trono francês por Bonaparte e o fim do reinado pacífico de Luís XVIII. Ele cita a Ordem Régia de 25 de Agosto que “declara suspeito os indivíduos da nação francesa” e sendo assim foi proibido que navios franceses aportassem em Caiena por se temer uma tentativa de invasão.
    Data do documento: 09 de julho de 1815.
    Local: Caiena
    Folha (s): -

  • Caiena: colônia francesa

    Ofício de João Severiano Maciel da Costa, desembargador e intendente geral da Polícia de Caiena, para o marquês de Aguiar, tratando das conseqüências da restituição da colônia aos franceses. O documento demonstra a preocupação das elites locais com a alteração das relações comerciais na região, em virtude da notícia da devolução.

    Conjunto documental: Documentos Diversos

    Notação: caixa 1192

    Datas-limite: 1792-1816

    Título de fundo: Caiena

    Código do fundo: OF

    Argumento de Pesquisa: Caiena

    Data do documento: 2 de junho de 1816

    Local: Caiena

    Folha (s): -

     

    “Ilmo. e Exmo. Senhor

    Tenho a honra de levar à presença de V. Excelência as contas dos dois anos de 1814 e 1815, retardadas pelos motivos que ponderei no meu ofício precedente. Com a notícia da entrega da colônia em virtude do Tratado de 30 de maio de 18141 julguei conveniente abolir a administração do tafiá2 para evitar os embaraços que necessariamente resultariam da interrupção dela com a chegada dos franceses em qualquer dos meses de 18153. Assim pois se praticou, substituindo um novo direito sobre o consumo interior daquele gênero, que não podia ficar livre, como V. Excelência verá da ordenança inclusa. Vão também os mapas de importação e exportação, e os de população. Deus Guarde a V. Excelência muitos anos. Caiena4 2 de junho de 1816. Ilmo. E Ex.mo Senhor Marquês de Aguiar5, Ministro - Assistente ao Despacho do Gabinete, Presidente do Real Erário e Lugar Tenente da Real Pessoa. O Desembargador Intendente Geral João Severiano Maciel da Costa6.”

    1  Este foi o Tratado de Paris, negociado já no governo de Luís XVIII (1814-1824).  Por esse tratado, impunha-se a devolução da Guiana Francesa à França, observando-se as fronteiras de 1792.

    2 Sinônimo de cachaça. Destilada do melaço, é um subproduto do refino do açúcar. Sua utilização foi extensa e variada no mundo português: moeda de troca no tráfico negreiro; produto “calmante dos ânimos” dos escravos nas travessias do Atlântico e “refúgio da dura vida” nas senzalas; dentifrício (limpeza bucal) dos portugueses e produto indispensável na ração das bandeiras. Desta forma, remontando a paisagem colonial como uma pintura descrita, certamente seria encontrado a figura do alambique. Até hoje, no Brasil, a “cachaça” - nome popular do aguardente - tem seu lugar de destaque.  Na África Central Ocidental, a aguardente tornou-se conhecida como “geribita”.

    3 Entre 1814 e 1815, os líderes das nações européias reuniram-se no chamado “Congresso de Viena” para discutirem e promoverem a reorganização do território europeu  pós-guerras napoleônicas. Como base  para redefinir o mapa político da Europa e restaurar o equilíbrio rompido por Napoleão, foi adotado o princípio da legitimidade. Todavia, o Congresso favoreceu os países mais poderosos, permitindo o aumento de seus territórios e áreas de influência. Para Portugal, o Congresso de Viena impôs a elevação do Brasil à categoria de Reino Unido a Portugal e a Algarves. Além disso, encerrou a chamada “questão Caiena”, marcada pela discussão que Portugal e França mantinham acerca da  delimitação ou não de suas possessões na América pelo rio Oiapoque. Como resultado das discussões em Viena, a França concordou em recuar os limites de sua colônia até a divisa proposta pelo Governo português. Entretanto, somente em 1817, Caiena foi realmente devolvida à França, após a assinatura de um convênio entre este país e o novo Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.

    4 Capital da Guiana Francesa, situada entre a antiga Guiana Holandesa e o Brasil. Em 1809, Caiena foi ocupada pelos portugueses e a colônia francesa de além-mar anexada aos seus domínios. Essa atitude do príncipe regente d. João foi uma resposta a invasão francesa sofrida por Portugal dois anos antes. Em 1814, com a derrota de Napoleão, a posse da colônia voltou a ser reivindicada pelo governo francês, agora sob o domínio de Luís XVIII. Como os termos da proposta francesa não foram aceitos por d. João, a questão passou a ser discutida pelo Congresso de Viena no ano seguinte. Nessas conversações, a França concordou em recuar os limites de sua colônia até a divisa proposta pelo Governo português. Entretanto, somente em 1817, os portugueses deixaram Caiena com a assinatura de um convênio entre a França e o novo Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Embora apenas por alguns anos, a conquista de Caiena permitiu aos portugueses o aproveitamento, na capitania do Grão-Pará de certas plantas raras importadas pelos franceses para o rico celeiro organizado, sob a denominação de “La Gabrielle”, que veio beneficiar a agricultura brasileira em particular a cana Caiena.

    5 Primeiro conde e segundo marquês de Aguiar, d. Fernando José de Portugal e Castro (1752-1817) foi  governador e capitão-general da Bahia durante quatorze anos. Entre 1801 e 1806, exerceu o cargo de vice-rei do Brasil, ao final do qual retornou a Portugal, regressando ao Brasil junto com a corte portuguesa em 1808. Entre as funções que exerceu destacam-se: a presidência do Conselho Ultramarino, o cargo de conselheiro de Estado e ministro do reino, presidente do erário real, membro do conselho da Fazenda e da Junta do comércio e provedor das obras da casa real.

    6 Trata-se do Marquês de Queluz (1760-1834). Bacharel em direito pela Universidade de Coimbra, exerceu o cargo de desembargador em Portugal até sua vinda para o Brasil com a família real em 1808. Em 1810, assumiu o governo da Guiana Francesa, anexada pelos portugueses devido a guerra contra os franceses. Foi governador da província de Caiena até a restituição pelos franceses do território americano em 1815. Retornou ao Brasil, exercendo os cargos de senador e de ministro.

     

    Sugestões de uso em sala de aula:
    Utilização(ões) possível(is):

    - No eixo temático sobre a “História das representações e das relações de poder”
    - No sub-tema “Nações, povos, lutas, guerras e revoluções”

    Ao tratar dos seguintes conteúdos:
    - A França no final do século XVIII
    - O cenário europeu no início do século XIX e as “guerras napoleônicas”
    - A Corte Portuguesa no Brasil
    - O Congresso de Viena: a restauração das antigas monarquias

    Caiena: mapa do comércio

    Trata-se de um resumo do mapa de exportação de alguns produtos dos portos da Índia e Portugal em Goa no ano de 1812. Aparentemente uma listagem simples de produtos comerciados, por meio desta é possível encontrar alguns produtos importantes para a economia da Metrópole e que compunham a pauta do comércio entre o Ocidente e o Oriente, aspecto fundamental para a compreensão da expansão marítima portuguesa. Permite também ter acesso aos pesos, medidas e moedas correntes no período.

    Mapa particular das importações e exportações entre a colônia de Caiena e Guiana e os portos do Pará, Maranhão, Pernambuco e Lisboa no ano de 1813. O documento mostra os principais produtos comercializados, dos quais constam as especiarias, vinho, arroz, carnes, azeite, e diversos outros gêneros que serviam como moeda de troca no comércio internacional.

    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação: caixa 1192
    Datas - limite: 1792-1816
    Título do fundo ou coleção: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de pesquisa: Caiena
    Data do documento: 1813
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    “Mapa Particular das Importações e Exportações entre a colônia de Caiena1 e Guiana, e os Portos do Pará2, Maranhão3, Pernambuco e Lisboa4, no ano de 1813, mostrando o valor dos gêneros importados ou exportados, e a dos Direitos pagos por estes mesmos gêneros.

    Importações   Valor das Importações            Direitos pagos
    Vindo do Pará
    Cacau5         £ 59.000                            Réis6 18.045$714
    Sabão             £7 1800                          Réis 137$143
    Salsaparilha8 £ 210                               Réis 111$428
    Açúcar9        £ 3030                              Réis 238$400
    Arroz10        £ 3489                              Réis 186$000
    Carne seca e peixe seco £ 270                  Réis 14$857
    Farinha de mandioca Alqueire845              Réis 1:352$000
    Azeite11, manteiga e outros comestíveis Réis 68$572
    Fazendas diversas Réis 1:654$743
    Total     Réis 7:808$857                            Réis 91$781
    Vindo do Maranhão e Pernambuco
    Açúcar          £ 18352                             Réis 1550$628
    Arroz             £ 42080                            Réis 1766$857
    Farinha de mandioca Alqueire 191            Réis 306$286
    Carne e peixe seco  £ 139.924                 Réis 7.086$400
    Vinho12, azeite e outros comestíveis Réis 4.546$743
    Fazendas diversas Réis 7.005$383
    Escravos 39 Réis 6.262$857
    Total  Réis 28.525$154                            Réis 450$968
    Vindo de Lisboa
    Vinho, licores, azeite, sal etc. Réis 1:659$657  
    Tintas diversas, ferramentas para a agricultura e outras etc. Réis 999$074
    Fazendas secas, chapéus, pano etc. etc.Réis  3.335$658
    Total  Réis 5.994.389                          190$460
    Total das Importações Réis  42:328$400                       Réis 733$209
    Exportações Valor das Exportações     Direitos pagos
    Para o Pará
    Algodão13 £ 5.771                           Réis 923$360
    Urucum14 £ 13.933                          Réis 906$046
    Cravo15     £ 6550                           Réis 3:056$914
    Pimenta16 £ 259 Réis                               118$400
    Café17      £ 177 Réis                                  9$200
    Táfia18  Canada 14.370                     Réis 4:598$345
    Fazendas diversas provenientes das importações na colônia 3:889$755
    Total      Réis 13:496$020                   Réis 628$260
    Para Pernambuco
    Urucum  £ 15.961                             Réis 1:094$457
    Cacau    £4.587                               Réis 314$537
    Cravo     £ 4.784                              Réis 2:460$943
    Café      £ 3.169                              Réis 484$285
    Táfia     Canada 230                         Réis 73$600
    Madeiras de cor £ 9.000                   Réis 54$857
    Fazendas diversas provenientes das importações na colônia 1:175$543
    Total     5:657$622                                 467$165
    Para Lisboa
    Algodão  £ 9.759                             Réis 1:256$091
    Cravo     £ 3.796                             Réis 1:360$000
    Simaroba19 £ 150                        Réis  8$591
    Madeiras de cor £ 5.000                  Réis 1:714$285
    Táfia      Canada 6.000                     Réis 28$571
    Melaços20 Canada 2.000               Réis 536$434
    Fazendas diversas provenientes das importações na colônia 528$642
    Total      5.432$594                                303$831
    Total das Exportações Réis 24:586$236  Réis 1:399$286

    Vê-se do mapa acima que as importações dos portos do Brasil e de Lisboa na colônia de Caiena no ano de 1813 vão à Réis 42.328$400 Réis e as exportações para os ditos portos a 24.586$236 Réis, donde resulta um excedente das importações sobre as exportações da soma de Réis 17:742$164 Réis que deve ser considerado como pago em dinheiro.”


    1 Capital da Guiana Francesa, situada entre a antiga Guiana Holandesa e o Brasil. Em 1809, Caiena foi ocupada pelos portugueses e a colônia francesa de além-mar  anexada aos seus domínios. Essa atitude do príncipe regente d. João foi uma resposta a invasão francesa sofrida por Portugal dois anos antes. Em 1814, com a derrota de Napoleão, a posse da colônia voltou a ser reivindicada pelo governo francês, agora sob o domínio de Luís XVIII. Como os termos da proposta francesa não foram aceitos por d. João, a questão passou a ser discutida pelo Congresso de Viena no ano seguinte. Nessas conversações, a França concordou em recuar os limites de sua colônia até a divisa proposta pelo Governo português. Entretanto, somente em 1817, os portugueses deixaram Caiena com a assinatura de um convênio entre a França e o novo Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Embora apenas por alguns anos, a conquista de Caiena permitiu aos portugueses o aproveitamento, na capitania do Grão-Pará de certas plantas raras importadas pelos franceses para o rico celeiro organizado, sob a denominação de La Gabrielle, que veio beneficiar a agricultura brasileira em particular a cana Caiena.
    2 Província do Brasil situada entre as atuais regiões do Amazonas e de Roraima. Sua fundação reporta-se à instalação do Forte do Presépio (1616), fruto da preocupação da coroa portuguesa em evitar a penetração  de corsários, sobretudo franceses, em seus domínios pelo rio Amazonas. Esse forte deu origem a cidade de Belém, capital do atual Estado do Pará. Foi através dessa província que, na década de 1720, foi introduzido o café no Brasil. Anos mais tarde, em 1796, ocorreu a criação do primeiro Jardim Botânico do Brasil, instalado em Belém-do-Pará. Criado para servir de modelo “a todos os outros que  viessem a se constituir na América Portuguesa”, o Jardim Botânico destinava-se ao cultivo e adaptação de árvores exóticas e plantas medicinais indígenas, atendendo a vertente utilitarista da Ilustração luso-brasileira que visava à exploração das potencialidades da colônia.
    3 A Capitania do Maranhão originou-se do sistema de capitanias hereditárias implantado por d. João III em 1535. Situada no Norte do Brasil, sua colonização coube ao tesoureiro e  cronista João de Barros. Em 1612, aconteceu a expedição francesa comandada por Daniel de la Touche, Senhor de la Ravardière, destinada à criação da França Equinocial. Os franceses construíram na região o forte e vila de São Luís, batizados com este nome em homenagem ao seu rei Luís XIII (1601-1643), fundando a cidade que se tornaria a capital do Maranhão. A capitania foi retomada pelos portugueses em 1615. Ainda no século XVII, o Maranhão mostrou-se uma região relativamente lucrativa para o comércio internacional, dada a presença das chamadas “drogas do sertão” e de alguns produtos agrícolas bastante valorizados para fins de exportação. 
    4 Capital de Portugal. A origem de Lisboa, como núcleo populacional é bastante controversa. Sobre sua fundação e origem, na época do Império romano, sobrevive a lenda mitológica da fundação feita por Ulisses. Alguns pesquisadores filiam o termo “Lisboa” no topônimo Allissubo (que significa enseada amena) com o qual os fenícios designavam a cidade e o seu maravilhoso Tejo de auríferas areias. Sua importância cresceu apenas na Idade Moderna, como centro dos negócios luso, sendo reconstruída nas reformas pombalinas em 1755, devido a um terremoto descrito na época como “aterrador” . 
    5 Theobroma cacao - espécie nativa da floresta tropical úmida americana, encontrado inicialmente nas nascentes dos rios Amazonas e Orinoco. Em 1746, as sementes de cacau foram levadas para Bahia e doadas a Antônio Dias Ribeiro. Ali, foi iniciado seu cultivo agrícola, que se tornou muito importante para a economia da região. Entre o mais famoso produto do cacau figura o chocolate, proveniente da prensagem, moedura e mistura a outros ingredientes, como o leite e o açúcar.
    6 Moeda portuguesa utilizada desde a época dos descobrimentos (séculos XV e XVI). Tratava-se de um sistema de base milesimal, cuja unidade monetária era designada pelo mil réis, enquanto o réis designava valores divisionários. Vigorou no Brasil do início da colonização (século XVI) até 1942, quando foi substituída pelo cruzeiro.
    7 Libra esterlina.  Unidade monetária e moeda inglesa, que após a revolução industrial começou a ser aceita internacionalmente.
    8 Planta originária do Brasil, também pode ser encontrada em demais regiões da América do Sul. Condimento e remédio, as raízes desta planta são referidas como anti-reumáticas, sudoríferas, em afecções da pele e no tratamento da gota. Exerce ainda ação estimulante sobre a digestão e o metabolismo em geral. Além disso, possui propriedades diuréticas, sendo um excelente depurativo do sangue.
    9 Considerado uma espécie de sal vegetal retirado de fontes variadas tais como da calda das canas doces e da beterraba. A produção açucareira foi para o governo português uma das maiores fontes de lucro comercial durante os séculos XVII e XVIII. O desenvolvimento das técnicas de plantio nas Antilhas e posteriormente no Brasil, além de vigorar a economia lusa, também aumentou o consumo do produto, que deixou de ser uma “substância cara e rara”, ou seja, especiaria.
    10 Planta de origem asiática, é o principal alimento e a primeira planta cultivada na Ásia. As referências mais antigas ao arroz são encontradas na literatura chinesa e indiana, que datam cerca de 5000 anos. O Brasil foi a primeira região a cultivar esse cereal no continente, com uma espécie indígena tupi: o "milho d'água" (abati-uaupé). No final do século XVI, lavouras arrozeiras já ocupavam terras na Bahia e, por volta de 1745, no Maranhão. A Coroa Portuguesa autorizou, em 1766, a instalação na cidade do Rio de Janeiro da primeira descascadora de arroz no Brasil, impulsionando a prática da orizicultura na colônia.
    11 Termo árabe que designa o óleo extraído da azeitona. Produto consumido em grande escala pelos europeus, foi bastante utilizado pelos portugueses no comércio ultramarino.
    12 Bebida alcóolica resultante da fermentação do sumo da uva sob o efeito de certas leveduras. A videira é originária da Ásia Ocidental e o seu cultivo foi introduzido na Europa pelos romanos. Os portugueses produziram vinhos que, ainda hoje, são famosos por sua qualidade, como o vinho do Porto e o vinho madeira, produzidos respectivamente na cidade do Porto e na Ilha da Madeira. Sobre o vinho do Porto, é importante ressaltar o grande interesse dos ingleses dado a sua resistência ao transporte. Bebida bastante apreciada na época,  o vinho (de qualidade inferior), assim como a cachaça, também era usado como moeda de troca no comércio ultramarino.
    13 Conjunto de fibras que envolve a semente do algodoeiro, que é uma planta de clima mais seco e de chuvas regulares, por isso mesmo típicas de regiões mais afastadas do litoral.  Também dá nome ao tecido fabricado com suas fibras.  O algodão foi um dos produtos secundários, porém relevante no comércio ultramarino português. Há relatos desde o século XVII, de que as roupas dos escravos eram feitas deste material. No século XVIII, houve um aumento do consumo britânico do algodão, impulsionando a produção deste nas colônias portuguesas, interessadas no lucro comercial.  A concorrência do algodão produzido nas Treze Colônias Americanas,  de menor custo e de maior qualidade, levou à decadência da produção algodoeira no Brasil.
    14 Substância tintorial de cor avermelhada extraída do fruto de uma planta da família das bixacéas. Era utilizada pelos índios brasileiros para besuntar seus corpos como adornos rituais, e na culinária lusa, como colorante e condimento em pó.
    15 Produto oriental utilizado amplamente pelos chineses e indicado como condimento, remédio, adorno culinário, perfumes especiais e incensos aromáticos. No século XVI, os portugueses dominaram o comércio do cravo-da-índia, aumentando seu valor no mercado internacional. Apenas no século XIX, a França venceu definitivamente este monopólio, pois a planta já era cultivada em grande escala em muitas regiões tropicais. No Brasil, o cravo-da-índia é cultivado em regiões quentes.
    16 Produto “raro e caro” no mercado, a pimenta era líder do comércio oriental das especiarias, devido às condições alimentares da época. São várias as espécies de pimentas existentes, tais como a malagueta, a pimenta-de-cheiro, dedo-de-moça, cambuci e a cumari. A pimenta de caiena é de uma espécie muito picante, derivada das malaguetas secas de um pimento vermelho. Usadas com moderação, as pimentas possuem funções medicinais tais como ativar a digestão e o metabolismo, e servem sobretudo para realçar e dar sabor aos alimentos. De um modo geral, as pimentas têm boas doses de vitaminas A, B e C, cálcio, fósforo e ferro.
    17 Planta da família das rubiáceas, nativa das montanhas etíopes, onde era consumido em pasta. Na Árabia do Sul,  foi introduzido o costume de se torrar os grãos do café e acrescentar água fervente ao pó,  produzindo assim uma bebida quente. No Brasil, esta cultura foi introduzida por Francisco de Melo Palheta, após sua expedição à Guiana na década de 1720. Desenvolvido inicialmente com importância secundária, tem seu auge no século XIX, movimentando até setenta por cento do volume de exportações do Império Brasileiro.
    18 Sinônimo de cachaça. Destilada do melaço, é um subproduto do refino do açúcar. Sua utilização foi extensa e variada no mundo português: moeda de troca no tráfico negreiro; produto “calmante dos ânimos” dos escravos nas travessias do Atlântico e “refúgio da dura vida” nas senzalas; dentifrício (limpeza bucal) dos portugueses e produto indispensável na ração das bandeiras. Desta forma, remontando a paisagem colonial como uma pintura descrita, certamente seria encontrado a figura do alambique. Até hoje, no Brasil, a “cachaça” - nome popular do aguardente - tem seu lugar de destaque.  Na África Central Ocidental, a aguardente tornou-se conhecida como “geribita”.
    19 Planta de raízes e cascas amargas, de grande uso medicinal.
    20 Líquido viscoso originário da cristalização do açúcar. 
     

    Sugestões de uso em sala de aula:
    Utilização(ões) possível(is):

    - No eixo temático sobre a “história das relações sociais da cultura e do trabalho”
    - No sub-tema “trabalho e consumo” 

    Ao tratar dos seguintes conteúdos:

    - A economia colonial
    - Sociedade colonial: práticas e costumes
    - O comércio na América

    Caiena: queda de Luís XVIII

    Carta ao marquês de Aguiar enviada por João Severiano Maciel da Costa relatando os últimos acontecimentos na França, lamentando a recuperação do trono francês por Bonaparte e o fim do reinado pacífico de Luís XVIII. O documento mostra ainda o temor das elites  de Caiena com uma possível invasão na região, uma vez que eram desconhecidos os propósitos do novo Rei da França em relação aos domínios americanos récem-conquistados. 
     
    Conjunto documental: Documentos Diversos
    Notação: 1192
    Datas-limite: 1792-1816
    Título de fundo: Caiena
    Código do fundo: OF
    Argumento de Pesquisa: Caiena
    Data do documento: 9 de julho de 1815
    Local: Caiena
    Folha (s): -

    Leia esse documento na íntegra

    “Ilmo. E Exmo. Senhor
    Depois de esperar tão longo tempo pelas ordens para a entrega desta colônia1, e com os inconvenientes inseparáveis do estado de incerteza, recebemos em meio de Maio a espantosa notícia da recuperação do trono de França por Bonaparte2. Não era necessária vista muito aguçada em política para prever que ou de uma ou d’ outra sorte o reinado pacífico de S. Majestade Luís XVIII3 não podia ser verdadeiro. Não se passa, com o exercício pacífico de virtudes civis, um povo revolucionário, habituado ao ferro e a rapina, sem freio nenhum moral, ao estado de par, principalmente conservando se lhe diante dos olhos e no seu seio os instrumentos que o formaram e entusiasmaram no amor da vida militar. A vida de Bonaparte era um sacrifício indispensável a par do mundo, ou ao menos deviam ser reduzidas a impossibilidade de obras por ele, esses generais, que não tenho nada a esperar do novo Rei, tinham muito que temer. O caso é que nós achamos com a França4 como são princípios da guerra; e por que a missão da Escuna Curiosa neste porto se acha finda, tomei como Governador5 a resolução de expedi-la, o que vai a ser em pouco dias; (...) Com a opinião da entrega próxima de Caiena, se fizeram expulsões para aqui de comércio, suposto que com despachos para outros portos, para o Ministério Francês repugnava dá-los em direitura. Com este motivo e o da letra e espírito da Ordem Régia de 25 de Agosto que declara suspeitos os indivíduos da Nação Francesa, de cujo governo de S. A. R.6 que há motivos para supor uma tentativa a força viva contra este país, - opus me a admissão do primeiro que se apresentou, vindo de Nantes7. O Governador entendeu d’outra sorte, e depois de vários dias d’alterações, vendo que a equipagem tinha já comunicado com os habitantes, e provavelmente seria instruída de novas forças que não deixaria de comunicar a Divisão Francesa que se supunha sobre a Costa, consente que entrasse neste porto. (...)
    Deus Guarde a Vossa Senhoria, Caiena 09 de julho de 1815. Ilmo. E Exmo. Senhor Marquês d’Aguiar8, Ministro Assistente ao Despacho do Gabinete. João Severiano Maciel da Costa9.”

     

    1 Capital da Guiana Francesa, situada entre a antiga Guiana Holandesa e o Brasil. Em 1809, Caiena foi ocupada pelos portugueses e a colônia francesa de além-mar  anexada aos seus domínios. Essa atitude do príncipe regente d. João foi uma resposta a invasão francesa sofrida por Portugal dois anos antes. Em 1814, com a derrota de Napoleão, a posse da colônia voltou a ser reivindicada pelo governo francês, agora sob o domínio de Luís XVIII. Como os termos da proposta francesa não foram aceitos por d. João, a questão passou a ser discutida pelo Congresso de Viena no ano seguinte. Nessas conversações, a França concordou em recuar os limites de sua colônia até a divisa proposta pelo Governo português. Entretanto, somente em 1817, os portugueses deixaram Caiena com a assinatura de um convênio entre a França e o novo Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Embora apenas por alguns anos, a conquista de Caiena permitiu aos portugueses o aproveitamento, na capitania do Grão-Pará de certas plantas raras importadas pelos franceses para o rico celeiro organizado, sob a denominação de La Gabrielle, que veio beneficiar a agricultura brasileira em particular a cana Caiena.
    2 Napoleão Bonaparte (1769-1821) figura entre os principais militares e estadistas da história. Começou a destacar-se no cenário francês em pleno Diretório (1795), quando promovido a major-general e líder das tropas em campanha na Itália.  Responsável por uma série de vitórias na Itália, na Áustria e no Egito,  Napoleão  ganhou popularidade e prestígio.  Em 1799,  o Diretório foi derrubado  e Napoleão ascendeu ao poder com o título de cônsul à moda romana. Em 1804, sagrou-se imperador dos franceses, iniciando a construção de um império.  Como resultado das “guerras napoleônicas”,  o mapa político europeu adquiriu uma nova configuração.  Em 1814,   a dinastia dos Bourbons foi reconduzida ao poder, sendo os exércitos napoleônicos definitivamente derrotados na batalha de Waterloo (1815).  Ainda em 1815, as nações européias reunidas no Congresso de Viena negociaram a volta às antigas fronteiras dos Estados.  Napoleão morreu em 1821 na ilha de Santa Helena.
    3 Louis-Stanislas-Xavier (1755-1824), conde de Provença, tornou-se rei da França, em 1814, com o título de Luís XVIII. Neto de Luís XV e irmão mais jovem de Luís XVI, foi o primeiro Bourbon a reinar na França pós-revolucionária. Comandando do exterior a invasão de tropas à França,  com a queda de Napoleão, entrou triunfante em Paris.  Declarado rei,  jurou uma constituição que previa um sistema monárquico, um parlamento bicameral, além da tolerância religiosa e dos direitos civis. Seu reinado foi interrompido por Napoleão, que em 1815 estabeleceu o chamado “governo dos cem dias”.
    4 Localizada na Europa ocidental, entre a Alemanha e a Itália, a França foi o cenário de uma das principais revoluções do século XVIII. A Revolução Francesa (1789-1799) foi um processo  social e político, que teve como conseqüência imediata a queda do rei Luís XVI (1754-1792), acusado de traição e condenado à guilhotina. Este episódio marcou o fim do Antigo Regime francês.  A partir de então, a França tornou-se exemplo do perigo que representavam os ideais revolucionários da liberdade, igualdade e fraternidade para as monarquias absolutistas.
    5 Pessoa responsável pela administração de uma praça, província ou capitanias.
    6 Trata-se de d. João VI (1767-1826), segundo filho de d. Maria I e d. Pedro III, que se tornou herdeiro da Coroa com a morte do primogênito José em 1788.   Assumiu a regência do Reino em 1792, no impedimento da mãe que foi considerada louca.  Foi sob o governo do então príncipe regente d. João, que Portugal enfrentou sérios problemas com a França de Napoleão Bonaparte, sendo invadido pelos exércitos franceses em 1807.  Como decorrência da invasão francesa em Portugal, a família real e corte lisboeta partiram para o Brasil em novembro daquele ano, aportando em Salvador em janeiro de 1808. Dentre as medidas tomadas por d. João em relação ao Brasil estão:  a abertura dos portos às nações amigas; liberação para criação de manufaturas; criação do Banco do Brasil; fundação da real biblioteca; criação de escolas e academias, e uma série de outros estabelecimentos dedicados ao ensino e à pesquisa, representando um  importante fomento para o cenário cultural e social brasileiro. Em 1816,  com a morte de d. Maria I, tornou-se d. João VI, rei de Portugal, Brasil e Algarves. Em 1821, retornou com a corte para Portugal, deixando seu filho d. Pedro  como regente. Deu-se, ainda, sob o seu governo, o reconhecimento da independência do Brasil no ano de 1825.
    7 Região francesa litorânea de grande importância comercial nos séculos XVII e XVIII, decorrente da intensa importação e exportação realizada pelo seu porto.
    8 Primeiro conde e segundo marquês de Aguiar, d. Fernando José de Portugal e Castro (1752-1817) foi  governador e capitão-general da Bahia durante quatorze anos. Entre 1801 e 1806, exerceu o cargo de vice-rei do Brasil, ao final do qual retornou a Portugal, regressando ao Brasil junto com a corte portuguesa em 1808. Entre as funções que exerceu destacam-se: a presidência do Conselho Ultramarino, o cargo de conselheiro de Estado e ministro do reino, presidente do erário real, membro do conselho da Fazenda e da Junta do comércio e provedor das obras da casa real.
    9 Trata-se do Marquês de Queluz (1760-1834). Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, exerceu o cargo de desembargador em Portugal até sua vinda para o Brasil com a família real em 1808. Em 1810, assumiu o governo da Guiana Francesa, anexada pelos portugueses devido a guerra contra os franceses. Foi governador da província de Caiena até a restituição pelos franceses do território americano em 1815. Retornou ao Brasil, exercendo os cargos de senador e de ministro. 
     

    Sugestões de uso em sala de aula:
    Utilização(ões) possível(is):

    - No eixo temático sobre a “História das representações e das relações de poder”
    - No sub-tema “Nações, povos, lutas, guerras e revoluções”

    Ao tratar dos seguintes conteúdos:

    - A França no final do século XVIII
    - O cenário europeu no início do século XIX e as “guerras napoleônicas”
    - A Corte Portuguesa no Brasil

  • AROUCK, R.  C. A. Brasileiros na Guiana Francesa: fronteiras e construções de alteridades. Belém: UFPA, Núcleo de altos Estudos Amazônicos, 2003.

    CARDOSO, C. F. S. Economia e sociedade em áreas coloniais periféricas: Guiana Francesa e Para (1750-1817). 1ª ed. Rio de Janeiro: Ed. Graal, 1984.

    GOYCOCHÊA, L. F. C. “A conquista de Caiena”. IN: História Naval brasileira. 2º vol. T. II. Rio de Janeiro : Serviço de documentação Geral da Marinha, 1979.
    HOMEM DE MELLO, F. I. M. O Oyapock divisa do Brazil com Guyana Francesa, á luz dos acontecimentos históricos. Rio de Janeiro: Typ. Aldina, 1899. 

    MALERBA, J. A corte no exílio: civilização e poder no Brasil às vésperas da Independência. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. 

    MEIRA, S. Fronteiras sangrentas: (heróis do Amapá). 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. Graf. Luna, 1977. 

    Mémoire contenant l'exposé des droits de la France: dans la question des frontières de la Guyne Française et du Brésil soumise à l'arbitrage du gouvernement de la Confédération Suisse. Paris: Impr. Nationale, 1899.

    NEVES, L. M. B. P. & MACHADO, H. F. O Império do Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.

    REIS, A. C. F. Portugueses e brasileiros na Guiana Francesa. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde, 1953.

     _________. Limites e demarcações na Amazônia Brasileira. 2ª ed. Belém: Secretaria de Estado da Cultura, 1993.

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